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Pela 1ª vez, Faculdade de Medicina da USP vai adotar cotas raciais e aderir ao Enem

Com decisão, 8,6% de todas as vagas para novos alunos em 2018 serão reservadas para pretos, pardos e indígenas.

02/07/2017 14:40 -03 | Atualizado 02/07/2017 14:54 -03

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) vai aplicar uma política de cotas raciais para os ingressantes no curso de graduação em medicina.

Esta é a primeira vez em 100 anos de instituição que há uma resolução do gênero.

De acordo com o G1, nesta sexta-feira (30), a Congregação da faculdade, órgão que toma as principais decisões da FMUSP, se reuniu e aprovou a adesão parcial do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar estudantes.

Anualmente, a faculdade abre 175 vagas para calouros de medicina.

Com a decisão, 50 dessas vagas serão selecionadas a partir de 2018 via Sisu/Enem. Já as outras 125 continuarão pela Fuvest.

Dentro do vestibular tradicional da Fuvest também já existe uma política de bônus progressiva aos estudantes vindos da rede pública. Há ainda um bônus adicional aos que se autodeclararem pretos, pardos e indígenas (PPI).

Das 50 vagas oferecidas a partir de agora pelo Sisu, 10 serão reservadas para candidatos de ampla concorrência, 25 para estudantes que tenham feito o Ensino Médio em escola pública, e 15 vagas restantes para alunos da rede pública que se autodeclarem pretos, pardos e indígenas.

Em resumo, a Faculdade de Medicina da USP terá, no total, 8,6% de todas as vagas para novos alunos em 2018 reservadas especificamente para pretos, pardos e indígenas.

Segundo o diretor da FMUSP, o professor José Otávio Costa Auler Júnior, a adesão parcial ao Sisu tem como objetivo acelerar o processo de inclusão de alunos vindos da rede pública na na Universidade de São Paulo.

"A questão é ampliar um pouco as possibilidades para estudantes de outras áreas do país, com o Enem. Com isso talvez a gente consiga bater a meta mais rapidamente e fazer a inclusão, os resgates sociais", disse José Otávio ao G1.

Existe uma meta da instituição que quer ter, em 2018, 50% dos seus calouros oriundos de escolas públicas. Em 2017, a USP conseguiu atingir 36,9%, um número recorde, porém ainda distante do ideal.

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