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O presidente Nicolás Maduro chamou de 'terrorismo' a ação dos helicópteros em Caracas.

28/06/2017 11:56 -03 | Atualizado 28/06/2017 12:12 -03
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O presidente Nicolás Maduro chamou de 'terrorismo' a ação dos helicópteros em Caracas.

Um helicóptero da Polícia Científica sobrevoou e atacou o prédio do Tribunal Supremo de Justiça em Caracas nesta terça-feira (27). A ação não deixou nenhum ferido. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, porém, classificou o ato como "ataque terrorista".

"Havia no Tribunal Supremo de Justiça uma atividade social e isto poderia ter causado uma tragédia. Atiraram contra o Tribunal e depois sobrevoaram o Ministério de Interior e Justiça. Este é o tipo de escalada armada que venho denunciando", disse o mandatário ressaltando que uma das granadas que foram atiradas não explodiu.

Durante o pronunciamento, Maduro destacou que ordenou que as Forças Armadas fossem para as ruas "para defender o direito de ter tranquilidade" no país.

"Mais cedo ou mais tarde vamos capturar o helicóptero e quem realizou esse ataque terrorista", finalizou.

Muitos moradores de Caracas postaram fotos do helicóptero, que exibia em um dos lados uma bandeira com a frase "Liberdade 350", em alusão a um artigo da Constituição do país que autoriza protestos contra as autoridades.

De acordo com o presidente, que há mais de três meses é alvo de protestos de milhares de pessoas pela Venezuela, o responsável pelo "ataque" é um agente da Brigada de Ações Especiais (BAE) da Polícia Científica, Oscar Perez. Nas imagens, no entanto, é possível ver duas pessoas no helicóptero.

Nas redes sociais de Perez, há um "manifesto" pedindo a saída de Maduro e convocando a população para ir às ruas protestar contra o governo atual.

No texto que acompanha a postagem é explicado que o movimento trata-se de uma coalizão formada por militares e funcionários da polícia que tem como objetivo recolocar a ordem e o equilíbrio no país. O grupo se define como apartidário, nacionalista e institucionalista.

O manifesto exige a renúncia imediata de Maduro e a convocação de eleições gerais.

De acordo com o The Guardian, muitos dos adversários de Maduro acusaram o presidente nas redes sociais de orquestrar o ataque para justificar uma repressão contra os venezuelanos que estão protestando contra as mudanças na constituição.

Ativistas da oposição têm organizado protestos implacáveis contra o governo e acusam o presidente de corrupção crônica e um comportamento cada vez mais autoritário.

O país é um dos principais produtores de petróleo e sofre com uma inflação crescente e taxas de criminalidade em ascensão.

Por conta da ação, a capital da Venezuela foi "blindada" e tanques de guerra foram vistos pelas ruas de Caracas.

Ao redor do Palácio Miraflores, sede do governo, a segurança foi ainda mais reforçada, com carros policiais e bloqueios militares em uma extensa área.

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