POLÍTICA

Procuradoria-Geral da República terá primeira mulher no comando

Temer indica Raquel Dodge, apoiada por Renan e Sarney, para substituir Janot.

28/06/2017 20:16 -03 | Atualizado 30/06/2017 15:42 -03
Agência Brasil / Getty Images
Presidente Michel Temer escolheu subprocuradora Raquel Dodge como nova procuradora-geral da República, no lugar de Rodrigo Janot.

O presidente Michel Temer escolheu nesta quarta-feira (28) a procuradora Raquel Dodge para substituir Rodrigo Janot no comando da Procuradoria-Geral da República. O órgão é respoonsável pelas investigações da Operação Lava Jato.

A subprocuradora-geral ficou em segundo lugar na lista da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), com 587 votos. Em terceiro lugar estava o subprocurador-geral Mario Bonsaglia (564 votos) e no topo o vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino (621 votos).

Apoiada por caciques do PMDB, como o ex-presidente José Sarney e o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (AL) a subprocuradora propôs que apenas 10% dos procuradores lotados em determinada unidade poderão ser cedidos para investigações como a Lava-Jato.

Como coordenadora da 2ª Câmara do MPF, denunciou 38 pessoas investigadas na Operação Caixa de Pandora. O caso conhecido como mensalão do DEM resultou na primeira prisão de um governador: José Roberto Arruda, que comandou o Distrito Federal.

O nome de Dodge ainda precisa ser aprovado pelo Senado, após sabatina.

A lista foi entregue nesta terça-feira. A rapidez de Temer em nomear a substituta de Janot, cujo mandato acaba em setembro, mostra a intenção do presidente de esvaziar a atuação do atual procurador-geral da República.

Na segunda-feira, Janot denunciou Temer por corrupção passiva, no âmbito da Lava Jato. Ele prepara uma segunda denúncia contra o presidente, por obstrução à Justiça. Os processos precisam do aval da Câmara antes de serem julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

O peemedebista rompeu ainda com a tradição seguida pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff de indicar o nome no topo da lista da ANPR.

Nicolao Dino é visto como o mais próximo de Janot e opositor a Temer. Como vice-procurador-geral eleitoral, pediu a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE.

O procurador coordenou a campanha das 10 medidas de combate à corrupção e é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), inimigo político da família Sarney e citado na delação da Odebrecht.

Desde a proclamação da República, em 1891, o Brasil teve 40 procuradores-gerais, incluindo Janot, mas todos foram homens. Além de Dodge, outras duas mulheres concorriam à lista da ANPR.

A Constituição de 1988 estabeleceu que a nomeação seria feita pelo presidente da República e submetida a aprovação, por maioria absoluta, do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução.

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