MULHERES

Este garoto de 15 anos fez um rap sobre violência de gênero que todos deveriam ouvir

O rap 'Primeiros Passos' ganhou o concurso Vozes pela Igualdade de Gênero.

28/06/2017 19:06 -03 | Atualizado 28/06/2017 19:26 -03
Mastrangelo Reino/A2IMG
O rap 'Primeiros Passos' ganhou o concurso Vozes pela Igualdade de Gênero.

Na última segunda-feira (26), Nathan Silva, aluno da E.E. Deputado Silva Prado, da zona leste de São Paulo, foi premiado no concurso Vozes pela Igualdade de Gênero, promovido pela Secretaria da Educação e o Ministério Público de São Paulo.

O rap Primeiro Passos fala sobre a violência de gênero e como o machismo afeta a sociedade.

Como prêmio, a música composta pelo aluno do 2º ano do ensino médio foi gravada em um estúdio e contou com a participação da cantora Kell Smith.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Nathan contou que encontrou na música um forma de se expressar e falar sobre temas que afetam o seu cotidiano.

"Eu já tinha a ideia da música há um tempo, porque quando eu vou compor, eu sempre busco um tema que eu acho que precisa ser discutido, algo que eu possa passar uma mensagem para as pessoas. Eu procuro algum tema que as pessoas precisam parar para pensar nele de outra maneira. Mesmo que minhas músicas não gerem tanta repercussão, eu sempre tento colocar esses temas nas letras."

No Brasil, 3 em casa 5 mulheres já sofreram algum tipo de violência de gênero. No entanto, falar de machismo e de direitos da mulher ainda é tabu em muitos espaços.

Para Nathan, o rap ainda é dominado por homens, mesmo tendo inúmeras artistas, o que dificulta a abordagem de alguns temas.

"Eu tinha certeza de que ou a música ia ser muito bem aceita ou ela iria ser completamente ignorada. Porque a gente não vê esse tipo de tema no rap hoje em dia. Tem muita gente boa no rap, só que esse tema não é tratado. E não é só no rap. Em outros gêneros musicais, na televisão, em qualquer tipo de mídia."

Apesar de ainda ser um garoto de 15 anos, Nathan tem consciência de que atitudes machistas também são ruins para ele.

"Mesmo o machismo atingindo mais as mulheres, ele atinge os homens também. Porque eles sentem a necessidade de provar que são homens, que são machos, de formas violentas. E ao falar sobre esse assunto você é taxado de sensível, o que é bom, mas que numa sociedade machista as pessoas vão logo te chamar de 'viadinho' né?"

Para compor o rap, o jovem contou com a ajuda da professora de Língua Portuguesa, Cristiane Macário de Lima.

Na letra, ele destaca como a cultura do machismo e o patriarcado estão presentes e atitudes naturalizadas e estereótipos.

Lançado em outubro e aberto a alunos do Ensino Médio (regular e EJA) da capital paulista, o concurso tem como objetivo garantir e ampliar o debate sobre o papel da mulher na sociedade.

Além da competição musical, os estudantes participaram de encontros com promotoras do Ministério Público. Temas como como violência, Lei Maria da Penha, igualdade de gênero e diferenças salariais foram debatidos nos eventos.

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