ENTRETENIMENTO

5 amazonas de 'Mulher Maravilha' falam sobre o poder intrínseco ao seu exército de mulheres

E de como a diretora Patty Jenkins é a 'Rainha Hipólita' da vida real.

26/06/2017 19:34 -03 | Atualizado 27/06/2017 14:22 -03

Para muitas espectadoras, Mulher Maravilha poderia e deveria ter sido ambientado inteiramente na ilha de Themyscira, paraíso das guerreiras amazonas e habitado unicamente por mulheres.

Na verdade, eu não teria hesitado em trocar Steve Trevor, o personagem de Chris Pine, por mais tempo passado com Artêmis, Antíope ou Hipólita em qualquer momento dos 141 minutos do filme.

Senti uma satisfação profunda ao ver mulheres de todas as cores, os tamanhos, as formas e idades exibindo tanto poder físico numa tela gigante.

Quando a trama saiu de Themyscira e foi para a Europa ocidental no tempo da Primeira Guerra Mundial, senti falta de ver as guerreiras e tive vontade de saber mais sobre elas.

Mas fui descobrir que as mulheres reais por baixo daquelas armaduras são tão corajosas e ousadas quanto suas personagens.

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Ann Wolfe, Artemis

VALERIE MACON via Getty Images

Ann Wolfe é considerada por muitos a melhor boxeadora mulher da história, conhecida especialmente por seus socos fortes e implacáveis. O nocaute que ela impôs a Vonda Ward em 2007 já foi visto mais de 1 milhão de vezes no YouTube.

Wolfe contou ao HuffPost um pouco sobre como, depois de sua carreira célebre no boxe, ela acabou fazendo parte de um blockbuster de sucesso.

Patty Jenkins, a diretora de "Mulher Maravilha", a procurou para o papel porque conhecia o passado profissional de Wolfe como pugilista. O marido de Jenkins, Sam Sheridan, ele próprio ex-boxeador profissional, acompanhava a carreira de Wolfe havia anos. Enquanto outras mulheres faziam testes para o papel de Artêmis, Jenkins sempre voltava a pensar em Ann Wolfe. Esta acabou ganhando o papel e foi levada de avião a Londres para conhecer todo o mundo antes do início das filmagens, na Itália.

"Eu nunca tinha estado em um set de filmagem", ela contou ao HuffPost. "Patty levantou da cadeira da diretora e me mandou sentar. Então Gal [Gadot] chegou perto, olhou para mim e disse: 'É ela mesma, essa é Artêmis'."

O resto, segundo Wolfe, foi pura magia. Ela disse ao HuffPost que trabalhar com tantas outras mulheres atléticas foi uma benção, especialmente depois de ter passado uma parte tão grande de sua vida de pugilista sendo treinada por homens e trabalhando com eles.

"A sensação que tínhamos era de sermos verdadeiras amazonas", ela comentou. "Nunca antes estive com tantas mulheres fortes, todas ao mesmo tempo. Era como um quebra-cabeça, e cada uma de nós era uma peça que se encaixava com as outras. A sensação era de sermos amazonas de verdade."

Madeleine Vall Beijner, Egeria

Getty Images

Como Ann Wolfe, Madeleine Vall Beijner chegou ao filme vinda do mundo das lutadoras profissionais. Durante mais de dez anos ela foi praticante de muay thai (boxe tailandês) que figurava no ranking mundial. Uma lesão acabou com seus planos de passar para o MMA, levando-a em vez disso a trabalhar com cinema, como dublê. O treino físico intenso pelo qual ela e as outras amazonas passaram no set era apenas mais ou menos o que era padrão para seu nível de lutadora.

"Estou acostumada a fazer dois ou três treinos por dia", ela contou ao HuffPost. "A diferença estava nas técnicas usadas e na coreografia, mas, como estou acostumada a aprender golpes novos constantemente, a luta profissional se traduziu facilmente em atuação como dublê. Sinto que todos meus anos passados levando porrada e nocauteando pessoas me deram uma base ótima da qual partir."

Courtesy of Madeleine Vall Beijner
Beijner during a boxing match in Tylösand, Sweden. 

Mas o que foi novidade para a lutadora sueca foi a interação intensa com outras mulheres.

"Foi só com 'Mulher Maravilha' que eu ingressei no mundo do 'girl power'. Sendo lutadora de muay thai e kickboxing, passei os últimos dez anos em um mundo de homens. Passar tempo com tantas mulheres foi uma novidade absoluta para mim."

"Fiquei um pouco nervosa inicialmente, mas assim que cheguei senti uma onda de poder e união."

Tanto Beijner quanto Wolfe falaram daquela ligação formada entre as mulheres no set e do ambiente que Patty Jenkins criou para reforçar esse sentimento.

"Acho que Patty Jenkins foi uma das grandes responsáveis por criar essa vibe", disse Beijner. "Foi algo que começou de cima e desceu. O filme diz respeito a muitas coisas, mas principalmente ao poder, sabedoria e coragem de mulheres. E Patty conseguiu arrancar isso de cada uma de nós e da equipe. Nós, amazonas, nos desafiávamos enquanto estávamos treinando, só para nos incentivarmos umas às outras e ficar mais fortes. Além disso, usávamos nosso espírito combativo para apoiar umas às outras. Havia dias em que estávamos tão cansadas que poderíamos ter adormecido em pé, mas não parávamos de treinar."

Doutzen Kroes, Venelia

Chris Jackson via Getty Images
Doutzen Kroes at the amfAR Gala in Cannes on May 25. 

Doutzen Kroes pode ser mais conhecida como supermodelo e Angel da Victoria's Secret, mas ela já treinou equitação. E demonstrou essa habilidade no papel da guerreira amazona Venelia.

Ela disse ao HuffPost que sua experiência como cavaleira tornou os treinos para o filme um pouco mais naturais, mas que mesmo assim foram incrivelmente intensivos.

"Sempre adorei andar a cavalo", ela disse. "Galopar em alta velocidade segurando uma arma foi difícil, mas também empoderador e super divertido."

Warner Bros
Kroes as Venelia in "Wonder Woman." "Having the chance to work on such an important film was such a great thrill," she said. 

Também ela não hesitou em elogiar Patty Jenkins por ter conduzido o processo e permitido às mulheres soltarem seu lado guerreiro mais combativo.

"Ela é como uma Rainha Hipólita da vida real", disse Kroes. "Patty criou um ambiente receptivo, caloroso, solidário."

Ela ficou grata pelo espírito lutador, mas também maternal, que vigorava entre as outras amazonas. "Muitas das outras amazonas também são mães. Nossas famílias puderam estar conosco durante as filmagens", ela contou. "Foi um momento super especial. Estávamos em um paraíso italiano maravilhoso, rodando um filme histórico, uma história icônica, e tendo a oportunidade de compartilhar o momento com tantas mulheres bacanas e seus filhos. A experiência de trabalhar em 'Mulher Maravilha' foi algo que nunca antes tive."

Brooke Ence, Penthesilea

WireImage

Como algumas das outras amazonas, Brooke Ence chamou a atenção da diretora por seu trabalho de atleta profissional. Ela é atleta competitiva de CrossFit e foi chamada pelos produtores de "Mulher Maravilha" para atuar no filme pouco antes dos Jogos CrossFit de 2015.

"Recebi uma ligação da Warner Bros. me convidando para fazer um teste", ela contou ao HuffPost. "Não fazia ideia para o que era."

Ence disse ao HuffPost que inicialmente ficou dividida, sem saber se aceitaria o papel, porque as filmagens entrariam em conflito com seu programa de treinos para os Jogos CrossFit 2016.

"Hesitei muito em aceitar o papel", ela disse. "Mas me pareceu uma oportunidade incrível, algo para o qual tanta gente faz testes e nunca consegue ser aceita. E ela literalmente caiu no meu colo. Eu não podia recusar."

Como Ence estava treinando para os Jogos CrossFit ao mesmo tempo em que aconteciam as filmagens, ela ficou muito à vontade entre as outras atletas. Na realidade, ela foi a última amazona levada ao set para treinar. Ela já tinha feito quase todos os treinos que seriam necessários e já estava em ótima forma de amazona. Mas isso não significava que não tivesse outras coisas a aprender.

"Todas as amazonas tinham uma força mental enorme", ela comentou. "Todas caminhavam com mais poder. Elas andavam com aquela vibe de amazona."

"Foi incrível tomar conhecimento de todos aqueles tipos diferentes de força. A força, para mim, é física e super, super mental. E ali, no set, eu não apenas pude ver e sentir força em um sentido físico, mas também muita força de atitude e determinação. Foi altamente empoderador estar na companhia de tantas mulheres diferentes, todas com um objetivo comum. Todas nos juntamos para formar um exército."

Samantha Jo, Euboea

Steve Granitz via Getty Images

Muitas pessoas já viram Samantha Jo em filmes sem saber que a viram. Ela atuou como dublê em grandes produções de Hollywood como "A Saga Crepúsculo – Amanhecer – Parte 2" e "300 – A Ascensão do Império".

Ela contou ao HuffPost que adorou estar no set com tantas mulheres fortes que estavam ali para fazer o papel de guerreiras, contrastando especialmente com o que ela viveu em "300", onde foi a única mulher no set, em meio a dezenas de homens.

"Foi realmente interessante comparar as experiências de trabalhar em 'Mulher Maravilha' e '300', em que trabalhei com 40 homens e era a única mulher."

"As mulheres têm uma energia diferente. Formou-se uma união, um vínculo forte entre nós. Acho que deve ter sido pelo sofrimento dos treinos."

Ela contou ao HuffPost que na primeira semana de filmagens, parte do treinamento das mulheres consistia em empilhar pesos sobre um trenó e empurrar o trenó de um lado para outro.

"Foi minha primeira semana, meus músculos ainda não estavam bem desenvolvidos e eu ainda não estava tão forte quanto as outras", ela lembrou.

Em dado momento, depois de uns 20 segundos ela sentiu tontura e percebeu que ia desmaiar.

"Todas as mulheres vieram correndo atrás de mim e começaram a berrar e me dar apoio aos gritos. Acho que eu não teria conseguido se elas não tivessem me dado aquele ânimo a mais. Quase comecei a chorar por sentir tanto amor. E isso foi apenas no terceiro dia!"

O que fica muito claro com o que ela e as outras amazonas disseram é que foi o fato de "Mulher Maravilha" ser comandado por Patty Jenkins que tornou a experiência tão especial, e o filme, também.

"A vibe toda do set vem do alto para baixo", disse Jo. "Foi super interessante encontrar aquela visão feminina." Jo disse ainda que a própria história ficou muito melhor por ter sido contada e dirigida por uma mulher.

"Sim, houve muita ação e muitos momentos bacanas. Mas, no fundo, é uma história de amor, compaixão e união. Foi traduzida tão bem na voz de uma mulher. Todas nós percebemos que faríamos parte de algo realmente especial."

*Este link foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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