POLÍTICA

4 táticas do governo para tornar a denúncia da PGR indolor ao presidente

A Procuradoria-Geral da República tem até terça-feira (27) para apresentar denúncia contra o presidente Michel Temer.

25/06/2017 19:35 -03 | Atualizado 26/06/2017 18:04 -03
Ueslei Marcelino / Reuters

Aliados do presidente Michel Temer intensificaram na última semana a busca por estratégias para reduzir ao máximo os danos que a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente podem causar.

A expectativa é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente até terça-feira (27) as ações contra o presidente. Ele é investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

Até o momento, apenas as investigações da Polícia Federal sobre corrupção passiva foram finalizadas. A acusação é decorrente da delação de executivos da JBS.

As denúncias serão entregues ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), mas é o Congresso que decide se o STF pode aceitar denúncia contra o presidente.

Líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSC-SE) garantiu ao HuffPost Brasil que a questão está pacificada na Câmara e que há votos suficientes para que a denúncia não ande adiante. No Senado, líder também garante os votos.

Nos bastidores, entretanto, o governo se esforçado para conseguir o mínimo de 172 votos contrários a denúncia. São necessários 342 votos a favor para levar o processo adiante.

O governo trabalha com pelo menos quatro linhas de atuação para o momento em que a denúncia chegar na Casa. As estratégias:

1. Acelerar o recesso

Uma vez protocolada na Câmara dos Deputados, a denúncia segue para a Comissão de Constituição e Justiça. Só após o prazo de 15 sessões, o processo segue ao plenário. Para o Palácio do Planalto, o ideal é que a ação tramite o mais rápido possível para encurtar o período de desgaste do peemedebista. Uma das estratégias é apostar no recesso branco. Os parlamentares entram em recesso, mas, oficialmente, a Casa não deve parar. Aliados ficarão encarregados de abrir a sessão para contar prazo.

2. Teste do tamanho da base

A sugestão de um dos aliados do governo é levar ao plenário a reforma da Previdência para testar o tamanho da base aliada. A interpretação é de que quem votar a favor estará ao lado do presidente para livrá-lo da denúncia. Ao saber o tamanho do governo no Congresso com exatidão, o presidente consegue negociar mais espaço com os dissidentes e tentar atrair os rebeldes.

3. Credibilidade do áudio em xeque

Embora a perícia da Polícia Federal não tenha detectado manipulação no áudio da conversa entre Temer e Joesley Batsita, da JBS, a defesa do presidente continuará a insistir que a gravação, que teve interrupções, não poderá ser usada como prova.

4. Esvaziar a sessão

Como os deputados, principalmente os que tentam reeleição, não querem ficar a imagem associada a de salvador do presidente, o governo também trabalha com o convencimento de esvaziar a sessão. Diferentemente da sessão de votação de projeto de lei, no qual é necessário apenas maioria simples dos presentes, no caso da denúncia são necessários que 342 parlamentares deem aval ao processo. Embora a base não tenha esse tamanho, a oposição também não tem. Se a sessão estiver vazia, a denúncia não passa.

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