ENTRETENIMENTO

Como a Disney transformou o mundo virtual de Pandora, do filme 'Avatar', em realidade

'Pandora - O mundo de Avatar', no Animal Kingdom, é a maior expansão já feita em um parque da Disney desde 1998.

25/06/2017 14:04 -03 | Atualizado 26/06/2017 11:12 -03
Getty Images/Steven Diaz
Maior extensão do Animal Kingdom foi inspirada no filme de James Cameron e inaugurada em 27 de maio.

Imagine experimentar um mundo completamente diferente. Um mundo em que o verde, o marrom e o azul dominam durante o dia mas, assim que a noite chega, os luminosos tons de roxo, rosa e laranja se revelam e trazem a luz; entrar em contato com criaturas exóticas, voar em um Banshee, sentir a respiração, adrenalina e andar em uma floresta que parece se conectar com você a cada passo.

Sensações e experiências como as descritas acima foram vividas por Jake Sully (Sam Worthington), o ex-fuzileiro naval que se conecta com seu próprio Avatar para desbravar o mundo de Pandora após ordens militares e descobertas da botânica Grace Augustine (Sigourney Weaver), no filme Avatar (2009), de James Cameron, vencedor de três Oscars e a maior bilheteria da história do cinema.

Enredos à parte, este mundo que até então só existia virtualmente, agora, ganhou um pedaço concreto na Terra. Pandora - O Mundo de Avatar, é a mais nova atração do Walt Disney World Resort, na Florida. Inaugurada em 27 de maio, Pandora é inspirada no filme de James Cameron e pode ser tocada, sentida e conhecida como uma experiência palpável -- bem diferente do filme, que foi feito em realidade virtual.

"Jamais pensei que viveria o dia em que a Pandora que imaginei se tornaria fisicamente real. É como entrar em um sonho", afirmou o diretor James Cameron em evento de inauguração da área em que ele, Jon Landau, Wes Studi, Joel David Moore, Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver e Stephen Lang que fizeram parte do elenco do filme, estavam presentes (imagem abaixo).

"Queremos tudo o mais realista possível", explica o executivo de criação da Walt Disney Imagineering, Joe Rohde. "No filme, Pandora é cenário para os personagens cuja história acompanhamos. Aqui, os visitantes são os personagens principais envolvidos em uma experiência extremamente vívida e autêntica".

Divulgação/Disney/Matt Stroshane
Jon Landau, Wes Studi, Joel David Moore, Sam Worthington, Stephen Lang, James Cameron, Zoe Saldana, CCH Pounder, Bob Iger, Sigourney Weaver e Laz Alonso.

Para tornar essa experiência "extremamente vívida e autêntica", em 2012, a Walt Disney Imagineering, braço de design e desenvolvimento do grupo, e a Lightstorm Entertainment, empresa de produção de James Cameron, uniram forças para construir na Disney um pedacinho de uma das luas do planeta imaginário localizado a 4,4 anos luz distante da Terra.

O projeto que parecia ser impossível de se tornar realidade demorou cerca de 5 anos para ficar pronto e ser aberto ao público. A área tem cerca de 48 mil m2 e é a maior expansão da história do Animal Kingdom, parque da Disney que, desde 1998, concentrava sua temática apenas nos continentes asiático e africano.

E parece que "impossível" não é uma palavra que contempla a cultura Disney. Centenas de designers, artistas, escultores, engenheiros, técnicos robóticos e uma série de outros profissionais foram envolvidos no processo para que Pandora se tornasse realidade.

"Nós fizemos um grande esforço para ter a certeza de que, para qualquer lado que você olhe, veja Pandora. Para que as pessoas se sintam em um planeta diferente da Terra e acredite nisso", afirma Zsolt Homay, designer húngaro e vice-presidente de criação da Walt Disney Imagineering ao HuffPost Brasil.

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A equipe de paisagistas da Disney teve um trabalho específico ao replantar árvores na área e também ao mesclar plantas fictícias com plantas verdadeiras.

"O que nós fazemos aqui é especial. Nem todas as pessoas são capazes de fazer o que nós fazemos [Walt Disney]. Você está imerso em Pandora, então você não vê nada mais do que Pandora. Aqui tudo é feito para que você se esqueça do mundo externo. Nós usamos muitas ferramentas para fazer isso acontecer. Desde os sons, a iluminação, as cachoeiras, as plantas", completa Homay.

A equipe viajou para florestas tropicais, áreas tribais -- desde Europa até China -- e trabalhou com artesãos que também contribuíram para as obras de Discovery Island, quando o Disney's Animal Kingdom foi inaugurado, em 1998. Mas foi o Parque Nacional de Zhangjiajie, no sudeste chinês, e o o Parque Nacional Plitvice, na Croácia, que inspiram a transformar o mundo de Avatar em realidade.

"A primeira equipe chega com o design e com a ideia e a gente precisa tirar aquilo do chão, sempre pensando: 'como é que eu vou tornar aquilo realidade?'", afirma Karina Cigagna, arquiteta brasileira, de São Paulo, que trabalha com o time de Imagineering da Walt Disney World há dez anos.

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A experiência de visitar Pandora à noite é completamente diferente (e muito mais legal) do que durante o dia.

"Um departamento inteiro de arquitetura e engenharia se uniu a James Cameron para tornar isso aqui em uma realidade. Ele se reunia cerca de três vezes por semana com o time. Isso aconteceu durante todos esses anos", conta.

Os envolvidos na concepção de Pandora não divulgam o quanto custou o investimento. Porém, em setembro de 2011, quando o acordo entre Disney e Cameron foi firmado, o jornal norte-americano Los Angeles Times publicou que executivos estimavam o orçamento em cerca de 500 milhões de dólares (cerca de 1,6 bilhões de reais, mais que o dobro gasto na produção do filme, em 2009)

Gustavo Caballero via Getty Images
As montanhas flutuantes no parque da Disney, que imita as mesmas montanhas do filme de 2009 de James Cameron.

Segundo Homay e Cigagna o maior desafio foi construir as montanhas flutuantes que, não à toa, são uma das características mais fortes do cenário do filme de Cameron. Então, como tornar realidade e montar uma estrutura para algo que, no mundo virtual de Pandora, na verdade, não está preso a nada?

"Tudo por baixo dessas montanhas flutuantes, desse itens temáticos, das atrações, etc. tem um prédio, uma estrutura que nada mais é do que uma estrutura comum, como uma casa, por exemplo. A parte mais difícil é não parecer que tem essa estrutura", conta Cigagna. "A gente tem a mágica da Disney mas precisa de uma ajudinha da engenharia também", brinca.

Talvez a participação de James Cameron e de sua equipe de produtores na concepção do projeto e também da execução explique a semelhança de Pandora - O Mundo de Avatar ao cenário do filme de 2009.

Porém, existem algumas peculiaridades: por ser uma inspiração, nem sempre você terá uma referência ao filme. "Pandora é uma narrativa", afirma Homay. Por isso, elementos dos próximos filmes da franquia ou imagens que até nunca estarão nas telonas circulam por lá -- e só por lá (cuidado com spoilers!).

Uma experiência Na'vi

Divulgação/Disney
É possível navegar em um rio que corre pela "floresta bioluminescente" de Pandora. A xamã parece tão real que você chega a duvidar que ela é realmente uma boneca.

Pandora busca trazer não só uma experiência, mas quer destacar os valores da natureza, da conservação do meio ambiente e da transformação por meio da aventura com "o objetivo de tocar as pessoas e fazer com que se conscientizem em relação a questões de suas comunidades", diz o comunicado oficial.

E é bem por aí. A aventura começa ao atravessar uma ponte no Animal Kingdom para o Vale de Mo'ara, cujo nome no idioma Na'vi, povo que habita Pandora, significa "um lugar para se reunir".

Lá, você é recepcionado por exploradores da Terra à serviço da Alpha Centauri Expeditions (ACE), empresa fictícia que ajudou a restaurar a boa relação entre os humanos e os Na'vis, que estão descobrindo Pandora e te convidam a sentir a explorar a fauna e a flora do planeta.

E uma dica: a experiência em Pandora à noite é completamente diferente. Um efeito tecnológico produz luminescência no solo que provoca um efeito quase que mágico: os expectadores se transformam em protagonistas. Roupas, dentes, unhas e acessórios brilham de acordo com o local que você pisa.

Mas, seguindo sua tradição de transformar o impossível em realidade, a Disney, além do mundo palpável de Pandora, construiu duas atrações que permitem uma imersão completa na cultura e no universo dos Na'vi.

A primeira é o Na'vi River Journey, em que você navega em um rio que corre bem no meio da chamada "floresta bioluminescente" de Pandora -- em que é possível reparar nos detalhes e ver as plantas, os insetos e criaturas bem de perto. A expedição termina com um encontro com a xamã Na'vi, que, na história, tem uma profunda conexão com a força viva do mundo de Pandora.

A segunda atração e talvez a mais interativa e cheia de adrenalina do parque é a Avatar Flight of Passage. A atração é um simulador multissensorial -- que foi testado durante três anos -- e transporta o expectador para uma aventura 4D sem igual.

Desde andar pela fila até o momento de montar o próprio Avatar, você é imerso em um universo alienígena que se concretiza ao vestir óculos 3D, montar em um aparelho (que mais parece uma motocicleta), e se preparar para voar em um Banshee (animal alado e sagrado em Pandora).

Durante quatro minutos, é possível sentir a real sensação de um voo por Pandora, sentir cheiros e texturas diferentes e, pasme, até a respiração do animal em que se está montado. Tudo isso guiados por Neytiri, a personagem de Zoe Saldana no filme de James Cameron.

Antes de iniciar o voo, ela brada "Sivako!", que na linguagem Na'vi significa "encare o desafio".

E é um desafio que dá vontade de encarar mais de uma vez. E vale!

E se bater a fome durante a visita a Pandora, você pode fazer uma parada no Satu'li Canteen, restaurante localizado logo na saída do simulador e que é inspirado na tribo Na'vi da decoração ao menu. Ingredientes frescos, coloridos e criativos, vão desde grãos, legumes e proteínas saudáveis.

Este também é o primeiro restaurante Disney a oferecer o sistema "Mobile Order" (pedido online), uma nova opção para fazer seus pedidos e efetuar o pagamento usando o aplicativo My Disney Experience.

Logo ao lado do restaurante, está o bar Pongu Pongu, que tem um cardápio com bebidas refrescantes além de cervejas indígenas.

Pongu Pongu significa "festa festa" na língua Na'vi e o quiosque, como conta a narrativa do parque, foi construído por um ser humano que fez amizade com a tribo Na'vi e pensou num lugar para se reunir e socializar.

Veja mais imagens de Pandora - O Mundo de Avatar:

Conheça Pandora - O Mundo de Avatar, no Animal Kingdom

*A jornalista viajou para conhecer Pandora - O Mundo de Avatar à convite do Walt Disney World.

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