ENTRETENIMENTO

Anitta, Valesca Popozuda e mais: Romário quer o bonde todo no Senado

Senador vai chamar funkeiros para discutir proposta que criminaliza o funk no Brasil.

22/06/2017 18:21 -03 | Atualizado 22/06/2017 18:21 -03
Montagem / Divulgação / Agência Senado / Getty Images
Senador Romário vai convidar funkeiros para audiência pública no Senado sobre criminalização do funk.

O senador Romário (PSB-RJ) vai convidar alguns dos principais nomes do funk no Brasil para participar de uma audiência no Senado Federal em que será discutida a criminalização do ritmo musical.

Na lista estão Anitta, Valesca Popozuda, Tati Quebra Barraco, Mc Marcinho, Mc Koringa, Bochecha, além de Cidinho e Doca, compositores do Rap da Felicidade, e de MC Bob Rum compositor do Rap do Silva.

A proposta que criminaliza o funk está sendo analisada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

Relator do texto, Romário deixou claro que é contra a medida. "Eu, como um carioca nato e um eterno funkeiro, sou totalmente contra essa proposta. Além de ser inconstitucional, por atentar contra a liberdade de expressão, o funk tira pessoas do desemprego, gera renda e movimenta a economia", afirmou.

No Twitter, Anitta já havia se manifestado contra a proposta. "O funk gera trabalho, gera renda para tanta gente", escreveu. Sobre as críticas ao conteúdos das letras, a cantora disse que se os compositores de funk tivessem acesso à educação de melhor qualidade, a realidade seria diferente. "Se o conteúdo das letras ou das festas não agradam é porque cresceram vendo e vivendo aquilo que cantam", afirmou.

Romário também quer convidar para audiências o doutor em Antropologia Social Hermano Vianna, autor do livro O mundo funk carioca, a antropóloga Mylene Mizrahi, autora do livro A estética funk carioca, e a produtora de eventos Carol Sampaio.

O livro de Hermano Viana, que também é produtor de programas como o Esquenta!, é uma versão modificada da dissertação de mestrado que apresentou, em 1987, no programa de Pós-Graduação em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A festa serve para tudo. A idéia de que os diferentes grupos sociais, ao festejar, estão construindo e/ou vivenciando suas utopias é bastante difundida.O mundo funk carioca

A estética funk carioca, é uma versão revista da tese de doutorado de Mylene Mizrahi em que ela acompanha o cotidiano de MC Catra tanto nos show quanto com a família. A pesquisadora aborda as influências do ritmo musical no comportamento, dança e roupas da sociedade carioca.

A criminalização do ritmo foi proposta pela sugestão 17/2017, de autoria do empresário Marcelo Alonso, de São Paulo. Ele chama o funk de "crime de saúde pública" e "falsa cultura". Na visão do autor do texto, o gênero musical incentiva crimes como pedofilia.

De acordo com Alonso, os bailes "são somente recrutamento organizado nas redes sociais por e para atender criminosos, estupradores e pedófilos" para colocar menores de idade no crime. Ele cita a venda e o consumo de álcool e de drogas, além de "orgia e exploração sexual, estupro e sexo grupal entre crianças e adolescentes, pornografia, pedofilia", diz o texto.

A ideia foi publicada em 24 de janeiro e recebeu 20.296 assinaturas de apoio até 16 de maio. Até esta quinta (22), a enquete no site do Senado mostra 14.756 votos a favor da criminalização e 6.808 contra.

Qualquer cidadão pode sugerir propostas legislativas. Se uma ideia recebe apoio de 20 mil pessoas, a Comissão de Legislação Participativa começa a analisar a proposta.

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