MULHERES

O desabafo de Manuela D'ávila e ódio ao próprio corpo que acompanha muitas mulheres

A deputada do PCdoB fez um desabafo no seu Facebook sobre sua relação com a balança e o espelho.

21/06/2017 14:52 -03 | Atualizado 21/06/2017 15:16 -03
Reprodução/Facebook
Manuela D'ávila fez um desabafo no seu Facebook sobre sua relação com a balança e o espelho.

Você está satisfeita com o seu corpo? Esta é uma pergunta que parece simples, mas que é uma constante batalha para muitas mulheres e pode causar até doenças.

A deputada Manuela D'ávila publicou um desabafo em seu Facebook sobre sofrer com transtorno de imagem, ou distorção de imagem corporal, e muitos usuários, principalmente as mulheres, se identificaram com a história.

No texto, compartilhado na última segunda-feira (19), a deputada do PCdoB contou que, apesar de hoje ter um corpo considerado magro para os padrões de beleza, ela foi obesa até os 17 anos.

E desde então, mesmo tendo emagrecido 40 quilos, vive um processo com o olhar sob si mesma e também para aceitar o próprio corpo.

Ela escreve:

"[...] O meu problema é que eu sempre me acho gorda. Mesmo quando estou um palito eu me vejo mais gorda do que estou. [...] Fora da razão eu odeio meu corpo 24 horas por dia. Basta minha cabeça não estar trabalhando que eu fico pensando em tudo o que eu poderia fazer se estivesse mais magra".

Na adolescência, Manuela compartilhou que chegou a pesar 100 quilos e o sobrepeso fez com que ela desenvolvesse algumas "armaduras".

"A obesidade fez de mim essa pessoa que "debocha de si mesma", para que os outros não precisem debochar. A obesidade fez de mim a divertida, a líder de turma, a corajosa. Eu precisava mostrar que meu corpo não importava. E ele, de fato, importava pouco. Eu era tão segura de mim que as pessoas não ligavam muito para o fato de eu pesar cem quilos."

Porém, ela também viveu na pele o preconceito de simplesmente não estar dentro dos padrões considerados saudáveis e bonitos para uma mulher jovem.

"Mulheres femininas não usam camiseta larga e calça preta. Eu sabia e um dia decidi emagrecer. E emagreci, afinal sou uma das pessoas mais determinadas que eu conheço."

Ela diz que não voltou a engordar, mas que sua relação com a comida e com o espelho ainda não são saudáveis.

"Racionalmente eu decidi comer o que sinto vontade. Eu amamento Laura, não durmo a noite, faço mestrado, sou deputada, faço roteiros pelo estado inteiro. Acho razoável que eu não faça grandes sacrifícios alimentares. Mas eu disse racionalmente."

Feminista e defensora da liberdade das mulheres, a deputada também escreveu sobre as contradições desse sentimento.

"E ainda mais difícil para uma mulher feminista como eu reconhecer o quão envolvidas podemos ser nessa trama de horror aos nossos corpos promovida pela indústria da moda, do entretenimento, da saúde."

E foi ao tomar consciência dessa relação destrutiva com sua própria imagem que a política resolveu tratar a situação com um acompanhamento terapêutico. Para ela, cuidar do seu corpo passa por cuidar também de sua saúde mental.

"Decidi 'embrace' (abraçar, aceitar) meu transtorno de imagem para que minha filha não sofra como eu sofro. Decidi falar sobre isso pois conheço mulheres lindas que odeiam seu corpos."

No post, Manuela também conta que assistiu a um documentário que a fez repensar muito sobre sua relação com o corpo.

O título do filme é Embrace e foi divulgado no ano passado. Ele conta histórias de mulheres e como elas lidam com seus corpos.

"Desajustado", "imperfeito", "feio", "nojento" foram algumas das palavras utilizadas por elas para descrevê-los.

No Facebook, o depoimento de Manuela D'ávila recebeu mensagens poderosas de identificação com a situação que ela vive.

O transtorno de imagem

A imagem corporal está diretamente ligada a como uma pessoa enxerga a si mesma. De acordo com o Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares e da Ansiedade, a distorção da imagem corporal é uma visão irrealista de como alguém vê seu corpo.

A anorexia e a bulimia são relacionadas ao transtorno de imagem, mas não é apenas quem lida com as doenças que desenvolve o transtorno de imagem. Para o GATDA, a necessidade da magreza e do "corpo perfeito" impede que se tenha uma consciência de si mesmo, o que leva a uma batalha interna que causa muita angústia e sofrimento.

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