MUNDO

Como um terremoto transformou uma pequena cidade da Nova Zelândia na capital mundial do Art Déco

Napier foi devastada por um terremoto em 1931 e reconstruída com arquitetura fiel ao movimento europeu que chegou ao ápice nos anos 30.

20/06/2017 11:15 -03 | Atualizado 20/06/2017 11:15 -03
Reprodução/Getty Images/Montagem
À esquerda, foto tirada logo após o terremoto que devastou Napier, em 1931. Hoje (à dir.), a cidade é reconhecida por sua arquitetura única.

A pequena cidade de Napier, localizada na ilha norte da Nova Zelândia, na Baía de Hawke, é reconhecida hoje como a capital do Art Déco, movimento artístico que influenciou a moda, a pintura, o cinema, a arquitetura e artes decorativas entre as décadas de 1910 e 1939.

John Elk via Getty Images

O que muitos não sabem é que Napier só se tornou símbolo do movimento por causa de um grande terremoto que devastou a cidade em 3 de fevereiro de 1931. O tremor matou mais de 256 pessoas e é considerado, até hoje, o pior desastre natural da Nova Zelândia.

O terremoto de magnitude 7.8 na escala Richter teve início a 15 quilômetros da costa de Napier e durou dois minutos e meio. Nas duas semanas seguintes, aconteceram mais 525 tremores secundários.

Antes:

Corbis via Getty Images

Depois:

Reprodução

O cenário foi de pura destruição. As poucas construções que resistiram ao terremoto foram destruídas pelo incêndio que se seguiu dos tremores.

Reprodução

Reprodução

O governo então começou a reconstruir a cidade e decidiu dar a ela um toque especial – que hoje é único no mundo. Entre 1931 e 1933, a cidade ganhou centenas de edifícios fiéis à arquitetura Art Déco, movimento que estava em seu apogeu na época.

Tal arquitetura é marcada pelo rigor geométrico e predominância de linhas verticais, assim como esculturas com formas de animais e uso de tons pastéis.

O Art Déco também é marcado pelo escalonamento, pela transposição da ideia do "zigue-zague" e aproximação de formas aerodinâmicas.

Luiza Belloni

Lideradas pelo arquiteto J. A. Louis Hay, as construções foram minuciosamente recriadas ao melhor estilo Art Déco, mas também resistentes: com o receio de novos terremotos, as estruturas foram reforçadas e os edifícios ficaram mais baixos. A Nova Zelândia é propensa a terremotos graças às fissuras de placas tectônicas que correm ao longo das ilhas sul e norte.

Getty Images

Enquanto a cidade era um canteiro de obras, os residentes viviam em tendas montadas pelo governo em parques e praças da cidade - o que causou um grande incômodo entre os moradores, que queriam apenas continuar com suas vidas e não imaginavam que o resultado das reconstruções seria a maior concentração da arquitetura de Art Déco no planeta.

Getty Images

Décadas se passaram, mas a cidade continua como o do movimento europeu. No centro de Napier, prédios, hotéis, restaurantes e bancos preservaram as características do Art Déco.

Getty Images

Lojas da cidade, que fizeram modificações para dar espaço às vitrines, continuam carregando características do projeto original – basta olhar atentamente.

Luiza Belloni

Até mesmo o McDonald's da região está localizado em um edifício com arquitetura Art Déco.

Reprodução

Em 1985, foi formada a Art Deco Trust, organização que tem como objetivo preservar e promover o patrimônio arquitetônico de Napier e região.

Desde então, a organização oferece roteiros turísticos pela cidade e faz diversos festivais, sendo o mais famoso deles o Tremains Art Deco Festival.

O festival acontece todo mês de fevereiro e reúne milhares de turistas que viajam até a pequena cidade para aproveitar as dezenas de eventos e atrações que celebram a herança Art Déco, com a exibição de carros das décadas de 20 e 30, passeios de trem a vapor, piqueniques em praças ao melhor estilo da época e extravagantes jantares e bailes.

Education Images via Getty Images

Amos Chapple

*A jornalista viajou para a Nova Zelândia a convite da Education New Zealand e da Air New Zealand.

LEIA MAIS:

- Como é viver em um dos melhores países do mundo

- Aqui está a receita de bolo para conseguir uma bolsa de estudos na Nova Zelândia

ONU: Os 20 países mais felizes do mundo