COMPORTAMENTO

7 mensagens escondidas na nova campanha de Avon

Elas vão de referências históricas, casos reais, situações machistas e racistas cotidianas até memes de internet.

20/06/2017 15:03 -03 | Atualizado Há 5 horas
Divulgação / Avon
Resumindo, a mensagem final é, na verdade, um convite: #EAiTapronta?

Tem coisa que a gente precisa ver várias vezes até entender. A nova campanha da Avon, #EaítaPronta, faz uso de ótimas referências e com muito humor e beleza questiona se é possível gerar um ambiente de união, parceria e aceitação das diferenças.

Para representar essa nova realidade, a campanha tem uma série de mensagens subliminares que reforçam a importância desse momento histórico e relembram situações cotidianas que muitas mulheres já viveram.

Fomos no close a close e destrinchamos as cenas abaixo:

1.Uma mulher sozinha na rua, sinal de perigo?

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Quantas vezes você, mulher, sentiu medo de andar sozinha na rua? E se percebesse um carro desconhecido acompanhando você? No filme, a cena representa um mundo em que as mulheres têm a liberdade de ir e vir sem medo e protegem umas as outras. Dessa forma, se uma mulher está sozinha na rua, outras oferecem carona. E situações rotineiras como andar de ônibus sozinha, voltar para casa de madrugada depois uma festa, pegar um taxi deixam de ser estado constante de alerta e atenção.

2.Pabllo Vittar e o táxi

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Uma das grandes questões da sociedade atual é que travestis e drag queens não são bem vistos. Recebem olhares tortos em situações comuns do dia a dia ou ainda ofensas e agressões físicas. A ideia, ao mostrar a Pabllo Vittar andando tranquilamente nas ruas da cidade, pegando um táxi, em uma estção de metrô, é trazer esse senso de naturalidade para algo que, de fato é natural: pessoas respeitando outras pessoas independentemente das suas escolhas ou orientação sexual e gênero nos espaços públicos. Mulheres, travestis e drag queens têm o direito de ocuparem qualquer lugar que quiserem sem receberam qualquer tipo de repressão. Ah, vale ressaltar que esta será a primeira vez na história da Avon no Brasil que um folheto terá uma drag como modelo. Esse é mais um passo – importantíssimo, por sinal – nessa direção!

3.Lugar do negro: A bandeja no restaurante

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Nesta cena, uma bandeja cai no chão durante a conversa de Carol e Samantha, do coletivo Estaremos lá, com Gloria e Iza. É uma referência à própria história do coletivo de mulheres negras, que teve integrantes confundidas com funcionárias de limpeza de um shopping de São Paulo em 2016, quando tentaram ajudar uma senhora que derrubou uma bandeja. O episódio é reflexo do racismo estrutural que persiste no Brasil. Há um "lugar de negro" no imaginário coletivo, que consiste em posições de subordinação e nunca de protagonismo na sociedade. Assim, mulheres negras poderiam ser confundidas com faxineiras em shopping, mas dificilmente seriam reconhecidas como médicas se estivessem uniformizadas de branco em um hospital. Para que a sociedade possa evoluir rumo à igualdade racial, é essencial remover os filtros que pré-determinam o papel social que as pessoas podem ou não exercer, com base em sua cor ou características de fenótipo.

4.Looks iguais, corpos diferentes

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Em um cenário imaginário, duas mulheres usarem a mesma roupa em uma festa pode ser motivo de insegurança – principalmente quando uma delas acredita que a outra está melhor ou mais bonita com o look. Mais do que isso, há uma outra regra que diz assim: existem roupas que algumas mulheres podem usar e outras não. É uma separação entre as magras e as gordas, como se um lado tivesse mais liberdade para se vestir do que outro. E é o contrário: toda mulher é livre para definir exatamente o tipo de roupa que quer usar e o que a faz sentir bem. O que define uma mulher não é a sua roupa, mas ela mesma O vídeo traz, dessa maneira, uma libertação desses padrões e coloca mulheres de corpos diferente usando looks iguais, exemplificando que não é a roupa que a define.

5."Liberté, egalité, lacré"

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É muito rápido, mas no momento em que Iza desce do ônibus, é possível ver a frase "Liberté, egalité, lacré", escrita no banco ônibus. Essa é uma referência ao famoso mote francês "liberdade, igualdade e fraternidade", o lema da Revolução Francesa, que representa a luta pela democracia, além de um grito contra a opressão e de resistência contra governos opressores. A última palavra, "lacré", é uma adaptação da marca e diz respeito à campanha de BB Cream da Avon Color Trend lançada no ano passado, com Liniker como um dos seus destaques. O reforço é válido: além de lacrar, é mais importante você viver a sua liberdade e ser quem quiser, longe de julgamentos.

6.A Revista Carão

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Questionar sobre os padrões de beleza também é o objetivo da campanha e da marca como um todo. Esse mote aparece no momento em que Issa e BiVolt estão paradas em um ponto de ônibus e recebem o convite de Pabllo para caminharem juntas. BiVolt segura uma revista chamada de Revista Carão, que remete à promo da marca (Segura o Carão) e traz uma mulher gorda na capa. A modelo é uma forma da Avon representar a diversidade e questionar o que é considerado bonito no mundo atual.

7."Não deixe o samba morrer"

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A trilha sonora do vídeo é um clássico da música brasileira: Não deixe o samba morrer, gravado em 1975 por Alcione. A música representa a esperança de uma nova realidade, e de não deixar esse sonho perecer apesar das dificuldades encontradas no caminho até ele. É preciso levar essa postura em frente - e ela será ainda mais forte se fizemos isso juntas.

Resumindo, a mensagem final é, na verdade, um convite: #EAiTapronta?

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