MULHERES

O que Pabllo Vittar pode nos ensinar sobre beleza para todos

A drag queen busca um mundo em que a beleza não tem padrões - e todo mundo pode se sentir lindo.

19/06/2017 21:00 -03 | Atualizado 26/06/2017 17:42 -03
Divulgação
Representatividade e beleza podem parecer assuntos distintos, mas são totalmente correlacionados.

"Pra quem, não me conhece: Prazer, eu sou Pablo Vittar e você não vai me esquecer."

Em um de seus vlogs, é assim que a drag queen Pabllo Vittar se apresenta durante um show em Brasília. De fato, é impossível conhecer a cantora e esquecê-la: ela é do tipo que marca presença. Senão pela atitude incrível, então pelos seus looks marcantes e maquiagens impecáveis.

A carreira de Pabllo foi catapultada em 2015, depois que ela fez uma versão brasileira da música Lean On, do Major Lazer, (chamada 'Open Bar') e desde então se tornou um marco na música pop brasileira. Mais do que isso, porém, a cantora promete ajudar na construção de um novo mundo, como uma pessoa que não quer se identificar pelo gênero e, muito menos, pela sua orientação sexual. O nome masculino para uma persona feminina é um dos seus imperativos.

Quando mais nova, Pabllo chegou a ganhar alguns concursos de beleza. Mas a primeira drag queen a aparecer em um folheto da Avon explica que representatividade é fundamental para que as pessoas entendam que são bonitas à sua própria maneira.

"Os meus ícones sempre foram os ícones femininos. As mulheres que estavam nas revistas... E hoje, ver uma mulher como a [cantora] Iza na capa da Avon, a gente em um encarte, uma drag... Eu fico muito feliz porque nós estamos chegando em espaços que nem eu mesma acreditava que pudesse chegar", disse Pabllo ao HuffPost Brasil.

A maior felicidade que uma pessoa pode ter é a autoaceitação

Representatividade e beleza podem parecer assuntos distintos, mas são totalmente correlacionados. O padrão de beleza tal como o conhecemos define que mulheres brancas, loiras, altas e magras são bonitas - e todas as outras caem no espectro de 'feias'. Mas quanto mais mulheres de corpos, raças, tamanhos e estilos são vistas na mídia, mais as pessoas entendem que o que é bonito não pode ser definido em padrão. Isso aumenta a autoestima de maneira generalizada; afinal, cada pessoa se verá representada.

Para a cantora, é por isso que representatividade é essencial; é uma ferramenta necessária para que as pessoas parem de se esconder e sintam que são donas dos lugares em que estão tanto quanto as outras - é o fim da inadequação. A aceitação vem logo em seguida. É se aceitando que elas percebem que não podem medir a si mesmas de acordo com os termos de outra pessoa, mas apenas de si mesmas.

"A minha mãe sempre me abraçou. Eu nunca precisei me assumir para ela, ela sempre soube o que eu era e abraçou o ser que eu sou... A maior felicidade que uma pessoa pode ter é a autoaceitação. A pessoa se aceitar, saber quem ela é no mundo, saber que ela pode sim ser quem ela quiser, como ela quiser, vestir a roupa que ela quiser usar...", completa Pabllo.

A gente só quer amar e ser amado e amar quem a gente quiser

A relação de beleza com amor próprio é intrínseca: é praticamente impossível uma mulher acreditar que é bonita se ela não gosta de si mesma - a imagem no espelho será sempre distorcida e em falta. Porém, o que Pabllo nos ensina não é apenas sobre aceitação de si mesmo, mas sim que a beleza não é algo exclusivo de algumas pessoas, mas um direito de todos. Isso porque o que todo mundo quer é muito parecido também.

"A gente só quer amar e ser amado, e amar quem a gente quiser, e ser respeitado nos nossos lares, nossos meios. Eu acho que isso é um direito nosso", disse. Portanto, não interessa se um homem ama usar maquiagem com glitter ou se uma mulher é fã do look tradicional masculino - nos dois exemplos, vemos apenas pessoas que seguem em busca desse mesmo amor que Pabllo defende.

Apesar de já ter comentado em outras entrevistas que não se vê como um exemplo (mas sim como alguém que as pessoas olhem e digam 'ela me representa'), a cantora brasileira está se tornando uma referência de beleza. Sempre muito bem produzida, defendendo um espaço para todos e trazendo mais visibilidade para a comunidade LGBTQ+, além de criar músicas que se transformaram em verdadeiros hinos da noite, ela tem mostrado que o que é bonito só depende de uma coisa: amor próprio.

E com amor próprio funciona assim: quem tem sabe que é lindo. Quem não tem, sabe que precisa ter para se olhar com mais carinho na próxima vez que encontrar com o espelho.

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