COMPORTAMENTO

7% dos americanos acreditam que o achocolatado é produzido por 'vacas marrons'

A pesquisa foi feita Centro Americano de Inovação em Laticínio em abril deste ano.

16/06/2017 15:59 -03 | Atualizado 16/06/2017 16:32 -03
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7% dos americanos acreditam que o achocolatado é produzido por 'vacas marrons'.

O leite é uma presença constante na maioria das dietas. E por ser tão constante, a gente simplesmente parece esquecer suas origens. Ou pelo menos algumas pessoas esquecem.

Uma pesquisa feita pelo Centro Americano de Inovação em Laticínios revelou que 7% dos americanos acreditam que o leite com achocolatado é produzido por vacas marrons. E 48% deles não têm certeza como é feita a bebida.

O questionário foi aplicado em grupos de adultos (18 anos ou mais), durante o mês de abril deste ano, totalizando mais de 1000 entrevistados.

De acordo com o The Washington Post, o resultado da pesquisa online demonstra que 16,4 milhões de americanos estão, no mínimo, pouco informados sobre a origem dos alimentos que consomem.

O que equivaleria ao estado americano inteiro da Pensilvânia sem saber que o achocolatado é leite, chocolate em pó e muito açúcar.

E por quê? Simplesmente por acreditarem que todos os alimentos estão disponíveis em supermercados.

Pesquisadores em agricultura, nutrição e educação criticam que muitos americanos são basicamente analfabetos quando se trata da origem de alimentos. Eles não sabem onde a comida é cultivada, como chega à loja - ou mesmo, no caso do leite com chocolate, o que compõe cada alimento.

Um documento do Ministério de Agricultura dos Estados Unidos, publicado nos anos 90, por exemplo, diz que 1 em cada 5 adultos do país não sabia que o hambúrguer era feito com carne.

Em entrevista ao Washington Post, Cecily Upton, fundadora do FoodCorps, ONG que traz educação agrícola e nutricional para escolas primárias, argumenta que tais resultados da pesquisa chamam atenção para a falta de educação.

"No final do dia, é uma questão de exposição. Neste momento, estamos condicionados a pensar que, se você precisar de comida, você vai à loja. Nada em nosso quadro educacional ensina crianças de onde vem o alimento antes desse ponto."

No livro Kitchen Literacy (Alfabetização da Cozinha, em tradução literal), Ann Vileisis escreve que a urbanização e o desenvolvimento das indústrias trouxe também outros valores, como a uniformidade, higienização e a lealdade às marcas.

As pessoas se afastaram dos processos produtivos e passaram a priorizar uma pretensa qualidade ao verdadeiro conhecimento do que estão consumindo.

"A indiferença sobre as origens e a produção de alimentos tornou-se uma norma da cultura urbana, lançando as bases para uma sensibilidade alimentar moderna que se espalharia por toda a América nas décadas que se seguiram", escreveu Vileisis, sobre o século 20.

"Dentro de um período relativamente curto, a distância média da fazenda para a cozinha havia crescido de uma curta caminhada pelo jardim de casa, para uma viagem turbulenta de pelo menos 1.500 milhas percorrida por trens e caminhões", complementa.

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Fast food

Não é só nos Estados Unidos que a falta de informação afeta as escolhas alimentares. Nos últimos 10 anos, o número de obesos brasileiros aumentou em 60%, por exemplo.

Os dados são resultados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Foram realizadas entrevistas de fevereiro a dezembro de 2016 com 53.210 pessoas maiores de 18 anos de todas as capitais brasileiras.

Em entrevista à BBC Brasil, o diretor do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Cláudio Mottin chama atenção para o consumo de fast foods e comidas prontas.

"Talvez um dos fatores mais preponderantes seja a mudança dos hábitos alimentares que se observa desde os anos 1970. Com pouco tempo para comer, as pessoas deixaram de fazer as refeições em casa e passaram a optar por comidas mais rápidas e mais calóricas."

Retorno às origens

Nos últimos anos, contudo, alguns hábitos estão sendo transformados. Há uma maior preocupação com os ingredientes de cada alimento e tem se levado cada vez mais sério o clichê "Você é o que você come".

No Estudo Global realizado pela Nielsen, intitulado "O que há em nossa comida e mente"?, 66% dos brasileiros disseram estar dispostos a pagar mais por alimentos e bebidas que não contêm ingredientes indesejáveis.

Outra pesquisa, realizada pela Proteste Associação de Consumidores, revelou que os brasileiros estão trocando os alimentos de origem animal por outros de origem vegetal.

Entre os 760 participantes da pesquisa, 48% afirmaram que comeram menos proteína animal durante o último ano. Desse grupo, 89% a substituíram por proteína vegetal, como a soja. Além disso, 24% dos participantes afirmaram que pelo menos uma vez por semana não comem carne.

Questionados sobre as suas preocupações quanto à segurança alimentar, os entrevistados destacaram entre os aspectos que mais os preocupam: o excesso de agrotóxicos na agricultura e de hormônios nas carnes.

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