POLÍTICA

Liberação de emendas, cargos e ‘bondades’: Quanto custa manter o governo Temer

Com a mira nos votos dos deputados da bancada ruralista, o governo anunciou o plano Safra ao custo de R$ 190 bilhões.

13/06/2017 19:56 -03 | Atualizado 13/06/2017 19:56 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
"Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado", disse Temer, em gravação feita por Joesley Batista.

Politicamente fragilizado e com um rombo de R$ 139 bilhões no orçamento deste ano, o governo abriu os cofres, intensificou a negociação por cargos e propostas de interesses dos parlamentares. A estratégia, adotada para aprovação das reformas trabalhista e da Previdência, tem como objetivo unificar a base e barrar uma possível denúncia contra o presidente Michel Temer no Congresso Nacional.

A expectativa é que na próxima semana a Procuradoria-Geral da República apresente denúncia contra o presidente. Com base na delação dos donos da JBS, Wesley e Joesley Batista, Temer é investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

Se apresentada ao STF, o presidente poderá ter que deixar o cargo. Para isso, o pedido de afastamento precisa receber o aval do Congresso. São necessários pelo menos 172 votos para enterrar o processo. O governo, que já teve 411 deputados aliados, contabiliza uma base de 200 deputados. O número considerado baixo e insuficiente para aprovar reforma da Previdência (são necessários pelo menos 308 votos).

Para conquistar a fidelidade dos parlamentares, o governo está liberando emendas parlamentares. Até o dia 30 de maio, o governo tinha liberado R$ 168,2 milhões para emendas individuais impositivas e R$ 84,6 milhões para as de bancada. Eleitoralmente, as emendas são uma boa moeda de troca para os parlamentares porque dão visibilidade por viabilizar obras e benfeitorias no reduto eleitoral do político.

Em abril, para garantir apoio na votação das reformas, o governo já tinha antecipado R$ 1,8 bilhão em emendas que estavam previstas para o fim do ano.

Além das emendas, o governo monitora a fidelidade dos aliados e os cargos que ocupam. O próprio presidente já afirmou que quem não faz do governo não deve se manter no governo. A retaliação com corte de cargos de quem se distancia do governo já foi adotada e os postos vagos colocados à disposição para negociação de novos apoios.

Outras medidas que entraram no pacote de bondades do Planalto foram o Plano Safra - que atente a bancada ruralista, ao custo de R$ 190 bilhões, um refinanciamento das dívidas tributárias mais generoso pelas medidas provisórias 783, 778 e 780, além de concessões de rádio.

Estão em negociação a medida provisória do Funrural, a construção de uma nova autarquia olímpica e a renegociação de dívidas da Sudene.

O estado de vulnerabilidade do governo tem o tornado mais suscetível à pressão dos parlamentares. O custo do governo tem ultrapassado o bolso da União, parlamentares tem pressionado o governo para emplacar mudanças na segurança pública, por exemplo. Um dos líderes da bancada da bala espera que o governo edite um decreto com flexibilizações no desarmamento.

O presidente tem consciência da dependência que tem do Congresso. Em gravação entregue por Joesley à PGR, Temer dispara: "Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado".

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