ENTRETENIMENTO

'O Nome Dela é Gal', o retrato rico e afetuoso de uma das maiores cantoras do Brasil

Série documental da HBO dirigida por Dandara Ferreira é dividida em 4 episódios.

12/06/2017 12:53 -03 | Atualizado 16/06/2017 14:17 -03

Do minimalismo da Bossa Nova à explosão em Divino Maravilhoso. Da cantora influenciada por João Gilberto à "voz feminina do tropicalismo". Da pequena e tímida Gracinha à exuberante Gal Costa.

As muitas transformações na vida e na carreira de uma das maiores cantoras do Brasil são retratadas na série documental da HBO O Nome Dela é Gal, dirigida por Dandara Ferreira.

Para contar a história de ascensão da estrela que teve início de carreira humilde em Salvador e hoje é referência que ultrapassa gerações, Dandara combina entrevistas com Gal e depoimentos de nomes como Caetano, Gil, Bethânia, Tom Zé, além de amigos de infância da cantora, familiares e críticos de música.

"A minha ideia era documentar essa personagem feminina que merecia um registro, merecia ter uma documentação histórica", contou Dandara em encontro com jornalistas promovido pela HBO, na última sexta-feira (9).

Fã da cantora baiana desde pequena, a documentarista percebia há tempos a falta de material audiovisual sobre ela no Brasil. "A narrativa sobre o tropicalismo sempre foi masculina", aponta. Depois de muitas negativas da cantora, ela finalmente recebeu um sim. Foi em 2015, quando Gal Costa completou 70 anos de idade e 50 de carreira.

Conhecida pela personalidade discreta, Gal abraçou o projeto com entusiasmo, fazendo uma inédita retrospectiva de sua trajetória. Na série, ela chega a tocar em assuntos pouco abordados em entrevistas como, por exemplo, seu pai - figura ausente em sua formação.

"Existe uma relação de distanciamento, ela nunca teve uma proximidade com ele. Ela só foi ter uma relação de convívio com os irmãos muito tarde", conta Dandara.

De acordo com a diretora, o público será surpreendido ao longo dos episódios por outras questões nunca antes citadas pela cantora. Mas essa abertura inédita da baiana com sua própria biografia, no entanto, foi pautada por negociações. "Gal é uma pessoa reservada, que não gosta que invadam o espaço dela", conta Dandara, que não pode fazer nenhuma das gravações na casa dela, na Bahia.

"Mas o combinado era focar mais na carreira do que na vida pessoal", diz.

Entre recordações e histórias recontadas do tempo de juventude de Gal, chama a atenção as palavras de Maria Bethânia, que emocionada diz num trecho do primeiro episódio: "Não conheço outra [voz] com aquele timbre, nem com aquela pureza sonora. Acho a voz dela uma coisa rara".

Em outro trecho, a irmã de Caetano crava: "Gal era voz feminina do tropicalismo".

Divulgação/Flávia Montenegro

Com carreiras iniciadas no mesmo período e local, as cantoras realizaram diversos trabalhos juntas. No entanto, nos últimos anos, a relação foi abalada pela distância.

No final do primeiro episódio da série, Bethânia recorda a última vez que falou com Gal, por telefone, em 2012, na morte de sua mãe Dona Canô, e lamenta: "Sinto falta".

Para além das vozes que retratam Gal e das imagens raras da artista definida pela diretora como "subversiva e em constante transformação", a série documental lança mão também de um material exclusivo: textos de memórias escritos pela própria cantora.

"Durante a pesquisa, eu me deparei com esses textos que ela tinha escrito no começo dos anos 2000, quando ela tinha a intenção de escrever um livro. Fiquei muito surpresa, porque a gente não está acostumado a ler nada da Gal. Ela não se manisfesta tanto. Ela gostou da ideia de inseri-los no documentário e eles entraram em forma de poesia."

Os 4 episódios de O Nome Dela é Gal traçam o perfil da cantora em ordem cronológica. O primeiro foi exibido neste domingo (11). Os próximos vão ao ar também aos domingos, sempre às 22h, no canal HBO.

"No primeiro episódio é retratado o começo da carreira dela, a formação do grupo de amigos, quando Maria da Graça se transforma em Gal. Nessa época, ela ainda é uma menina tímida influenciada por João Gilberto", conta Dandara.

"No segundo, Dos Festivais às Dunas de Gal, temos o período de ditadura e o tropicalismo. Aí ocorre uma ruptura na carreira dela, com Divino Maravilhoso. Gal mostra um canto mais expressivo e se torna referência do desbunde", explica.

Já no terceiro episódio, intitulado Da Contracultura ao Pop, é retratado a fase pop de muito sucesso da estrela baiana. O quarto e último episódio da série, Do Futuro ao Presente, apresenta a relação de Gal com o filho adotivo Gabriel, de 11 anos, com outros familiares e sua carreira hoje.

O derradeiro episódio promete surpreender o público também no formato, diferente dos demais. "Ele acompanha o dia a dia a turnê do disco mais recente dela, Estratosférica", revela Dandara.

E quando se fala em público, ele não está restrito ao Brasil. O Nome Dela é Gal será exibido também em outros 24 países.

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