ENTRETENIMENTO

Este é Douglas Ridoff, o homem que usa a linguagem dos sinais para fazer slams de poesia nos Estados Unidos

Conheça o anfitrião do ASL Slam, um grupo de performances que só cresce em Nova York.

12/06/2017 14:45 -03 | Atualizado 16/06/2017 17:59 -03

Douglas Ridloff começou a compor poesia na Língua de Sinais Americana (ASL, na sigla em inglês) quando era adolescente, depois que um conhecido poeta de ASL, chamado Peter Cook, visitou sua escola. Dez anos depois, Ridloff ainda havia feito poucas coisas no campo da poesia slam (espécie de competição de poesias que teve início nos anos 80 nos Estados Unidos) além de algumas atividades casuais. Mas então um amigo o convidou para um encontro informal com colegas da faculdade, onde a ASL era usada para responder a desafios e deixas.

"No começo, não estava interessado", disse Ridloff em uma entrevista ao HuffPost. "Naquela época, apenas fazia poesia ASL e contava histórias por diversão em festas e reuniões ao ar livre. O anfitrião, que também era meu amigo, me arrastou para o ASL Slam nas primeiras vezes, e eu ficava sentado no bar conversando com outras pessoas e assistindo a algumas performances e experimentos no palco."

Ao longo do tempo, Ridloff começou a se apresentar como substituto nas performances. Pouco a pouco, começou a prestar mais atenção na abordagem do anfitrião em relação ao ofício e passou a incorporar isso em suas próprias apresentações.

"'Boom'", disse Ridloff. "Me senti em casa."

Isso foi em 2005, quando o agora mensal encontro chamado ASL Slam foi fundado. O show foi coorganizado pelos poetas de ASL Bob Arnold e Jason Norman no Bowery Poetry Club, na cidade de Nova York, onde ainda é realizado. A diferença é que, agora, Ridloff é o anfitrião.

Ridloff diz que o ASL Slam é composto principalmente por artistas da comunidade de pessoas com deficiência auditiva, incluindo surdos nativos como ele. Isso marca uma mudança significativa dos primeiros anos do programa, quando os estudantes de ASL e outros que usam sinais, mas não são surdos, formavam a maioria dos participantes.

Os participantes também tendem a ser pessoas que se comunicam por sinais, porque Ridloff prefere que seu trabalho não seja traduzido ao inglês.

"A beleza está perdida", disse. "Pense na música. Se uma canção tiver sua letra removida, mas a melodia for mantida, o sentimento ainda está lá, mas algo se perdeu. Ou se a melodia é removida, mas a letra se mantém, às vezes a canção já não faz mais sentido."

O show saiu em turnê por Michigan e Austin, nos Estados Unidos, e também pela França. No começo do ano, o ASL Slam visitou Cuba para trabalhar de perto com membros da comunidade de deficientes auditivos que estão interessados em expressão criativa.

"Foi incrível ver quão rápido aprenderam e criaram algo novo para o público", disse Ridloff. "Eles estão cerca de 50 anos atrasados na alfabetização da língua de sinais. Assim como os carros."

Enquanto isso, Ridloff agora se apresenta regularmente em Nova York, em um meio que, segundo ele, tem benefícios e nuances que a poesia da palavra falada não tem.

"Os poetas ASL podem criar um poema ou história completa usando uma forma da mão para representar uma infinidade de conceitos", disse. Na ASL, explicou Ridloff, uma única forma da mão pode significar uma palavra diferente, dependendo de onde o movimento é colocado. A forma da mão para "galo", por exemplo, é a mesma que a forma para "carro".

"Talvez você possa comparar rimas ou aliterações com esse conceito, mas é algo simplesmente não experimentado no inglês falado", disse Ridloff.

Pessoas que se comunicam por sinais — incluindo poetas de ASL, como Ridloff — também usam expressões faciais e outros "marcadores não manuais" para comunicar o equivalente de volume ou inflexão. Uma inclinação da cabeça, aceno ou sacudida proporcionarão o contexto tonal para as palavras que são sinalizadas, marcando a diferença entre uma afirmação declarativa ou uma pergunta. Sobrancelhas levantadas indicam perguntas; movimentos dos lábios indicam superlativos.

Isto, diz Ridloff, contribui para a natureza "esférica" ou não linear da poesia ASL. "O inglês falado também pode ser não linear, mas o que não pode fazer é exemplificar três, quatro coisas ao mesmo tempo", disse Ridloff.

Por isso, para ele, o que começou como um passatempo evoluiu para sua própria forma única de arte.

*Este post foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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