MULHERES

A história das 'girl bands' e do mundo do rock que tentou torná-las invisíveis

As mulheres não estão rejeitando o rock. É o rock que está rejeitando as mulheres.

12/06/2017 18:12 -03 | Atualizado 13/06/2017 10:42 -03
Priscila Frank

Era 1964 e a cantora Genyusha "Goldie" Zelkowitz tinha um problema. A banda só de mulheres formada por ela em 1962 e pela baterista Ginger Bianco, a Goldie and the Gingerbreads, tinha um importante contrato com uma gravadora e uma temporada em Las Vegas — mas a baixista, Nancy Peterman, acabava de informar a banda de que estava grávida. Ela tinha um relacionamento com o organista de uma banda com a qual elas vinham tocando; as coisas tomaram seu rumo natural. Nos anos 60, a pílula anticoncepcional para mulheres solteiras ainda era ilegal em alguns estados americanos. O caso Roe v. Wade ainda não havia sido vislumbrado pela Suprema Corte, e uma tentativa de conseguir procedimento ilícito não havia funcionado. A situação não era surpreendente, e a conclusão foi infeliz: Peterman teve de deixar a banda.

Zelkowitz, agora conhecida como Genya Ravan, praticamente tem um ataque de riso ao lembrar do incidente agora, 50 anos depois, durante uma conversa por telefone. "Ela ficava dizendo que estava 'tão sozinha'!", Ravan exclama. "Se eu soubesse, teria comprado um vibrador para ela." Um vibrador e uma carreira ou um parceiro sexual e a paternidade: uma escolha que os Beatles provavelmente nunca tiveram que fazer.

Para Ravan, que estava determinada a fazer sucesso no negócio da música, casar-se não era uma opção. Depois de formar a Goldie and the Gingerbreads, ela viu os benefícios da marca de manter uma formação só de mulheres para capitalizar o apelo exótico de uma banda de rock 'n' roll 100% feminina. Mas, ao longo dos anos, elas perderam integrantes e foi difícil preencher todas as partes com mulheres. "Muitas garotas foram ficando ao longo do caminho... queriam ter uma família, queriam ter filhos", disse Ravan. "Não há espaço para isso aqui."

A feminilidade costumava deixar as mulheres fora do palco de maneiras bastante óbvias e biológicas. Mas estamos em 2017. Há sete anos, Pink liderou uma performance entusiasmada no American Music Awards, quando estava grávida. Em fevereiro deste ano, Beyoncé realizou movimentos que desafiaram a gravidade durante uma apresentação no Grammy — grávida de gêmeos.

No entanto, os grupos do mundo da música ainda são surpreendentemente masculinos. Nossas maiores estrelas do pop atualmente podem ser mulheres, mas, quando se trata de rock pesado — indie, punk, metal e outros —, a banda-padrão ainda é um grupo de três a seis homens. Menos comum: um grupo de músicos homens com uma vocalista ou mesmo uma tecladista ou baixista. Menos comum ainda: uma banda formada principalmente ou inteiramente de instrumentistas mulheres.

A internet da música periodicamente oferece listas de bandas só de mulheres para serem conferidas, que apresentam um elenco de grupos indie incríveis: Hinds, Ex Hex, The Prettiots, Chastity Belt, Warpaint e muitos mais. Muito foi escrito sobre o grupo de pop-rock com vários hits das irmãs Haim, mas, mesmo em um cenário musical diversificado de EDM, hip hop e música híbrida, uma ampla variedade de bandas masculinas ainda floresce. Por que é relativamente difícil formar uma banda só de mulheres?

Alguém pode se sentir tentado de culpar as mulheres como grupo. Talvez estejamos biologicamente desinteressadas em tocar guitarra elétrica, assim como em álgebra avançada e videogames. Talvez simplesmente não haja garotas por aí com a qualidade e dedicação para alcançar o sucesso. Mas — assim como com a matemática e os videogames — um olhar mais atento sobre o panorama sugere que o problema não é que as mulheres estão rejeitando o rock. É o rock que está rejeitando as mulheres.

Mas, como o mundo da música está excluindo as mulheres? Escolher os que têm maior exposição é fácil e, em muitos aspectos, justo. As gravadoras, revistas e festivais de música não costumam dar às mulheres artistas uma plataforma igualitária. No ano passado, uma análise do HuffPost sobre gênero em atuações em dez grandes festivais nos últimos cinco anos mostrou que a maioria dos artistas era formada por homens. "Apresentações compostas [só] por homens representam a maioria dos grupos de festivais, variando de 66% de todos os artistas (Outside Lands e Governors Ball) a 93% (Electric Zoo)", concluiu Alanna Vagianos, editora do HuffPost Women. Um artigo do LA Times sobre os problemas específicos do evento de música e arte Coachella com as mulheres observou que, na época em que foi escrito, apenas uma apresentação com mulheres havia sido a atração principal do festival, de um total de 40 estrelas em sua história.

As publicações da indústria da música não são muito melhores. Em 2016, destacou o grupo de mídia KQED Arts, exatamente nenhuma mulher foi capa da Rolling Stone — nem Beyoncé nem Rihanna nem Alessia Cara nem Hayley Williams. As mulheres que conseguem alguma cobertura em grandes meios de comunicação veem suas qualidades musicais minimizadas em favor de seu "sex appeal", ou acabam relegada a edições especiais de mulheres ou em listas de cantoras.

O problema, no entanto, começa muito antes do ponto quando os organizadores de festivais como Coachella ou Bonnaroo estão buscando grupos, ou antes de as revistas selecionarem os modelos para suas capas. Isso não é desculpa para a presença insignificante de artistas femininas; basta dizer que existem outras pressões orientando os formadores de opinião em direção aos homens e guiando as mulheres a abandonar o estrelado do rock.

Bandas formadas apenas por mulheres são raras não por causa da falta de talento, dedicação ou interesse, mas porque as mulheres têm sido jogadas de escanteio em quase todas as etapas do caminho.

GAB Archive via Getty Images

Uma imagem promocional da Goldie and the Gingerbreads, que atuou entre 1962 e 1967, formada de três instrumentistas e uma vocalista. É considerada uma das primeiras bandas de rock formadas apenas por mulheres que assinou contrato com uma grande gravadora.

Formando a banda

Para garotos jovens, formar uma banda de fundo de quintal faz parte do processo de amadurecimento, assim como jogar beisebol ou parar de jogar no time de beisebol para passar mais tempo fumando maconha. Se você já esteve em contato com um grupo de garotos adolescentes, provavelmente conhece pelo menos um que já fez parte de uma banda inspirada no Phish ou um grupo de rock de garotos inspirado por Dave Matthews, ou uma banda inspirada pelo Weezer. Rapazes em bandas podem se beneficiar do vínculo masculino, expressão autocriativa e de cultivar uma boa imagem para atrair paqueras. Como Alex Pall, do The Chainsmokers, disse à Billboard em 2016, "mesmo antes do sucesso, a 'xoxota' sempre foi número um... Queria sair com meninas gostosas."

O outro lado, no entanto, é que esta experiência de gênero na adolescência raramente inclui um espaço para que as garotas sejam qualquer coisa além de fãs idólatras e, o pior, "xoxotas".

"Para mim era algo já estabelecido, os caras estavam sempre formando bandas e tocando guitarras em seus quartos", disse ao HuffPost Allison Wolfe, ex-vocalista da banda Bratmobile (pertencente ao movimento feminista riot grrrl) e, mais recentemente, Sex Stains. Ela cresceu em Olympia, que abriga o artístico e liberal Evergreen State College, no estado de Washington, em meio à florescente cena punk DIY (Do It Yourself, ou faça você mesmo) da década de 90. "Fui para muitos shows de punk e vi caras tocando. Olympia e Eugene eram muito bacanas, não eram super machistas como outros lugares, mas ainda me faziam sentir como se não pudesse realmente fazer parte daquilo."

Suzie Zeldin, da banda indie The Narrative, passou a adolescência indo a shows hardcore em todo o país, Long Island, Nova York, que estavam lotados tanto de homens quanto de mulheres — mas artistas mulheres eram quase inexistentes. "Era muito raro, na verdade, ver uma garota no palco", lembra.

E isso foi no final dos anos 80 até o começo dos anos 2000. Décadas atrás, quando o rock 'n' roll estava realmente decolando, a cena estava quase que inteiramente dominada por homens. "Você volta para os aos 60 e está falando sobre a idade das trevas para as mulheres na música, porque a luz que você está projetando não tem nada para refletir de volta", disse June Millington, cofundadora e guitarrista líder da Fanny, banda pioneira dos anos 70. "Você tinha de ter coragem de entrar naquela caverna que estava totalmente escura."

Sua colega de banda, a baterista Alice DeBuhr, foi contundente: "Não pensávamos em nós mesmas como o começo ou parte de uma tradição de mulheres musicistas. Porque não havia nenhuma."

Como em qualquer clube para garotos, algumas mulheres determinadas e talentosas sempre lutaram por seu próprio espaço. Mas as bandas não têm a ver apenas com determinação individual. Formar uma banda requer colaboração. Quando era uma jovem baixista na Austrália, a compositora Anwen Crawford, autora do artigo "The World Needs Female Rock Critics" (O Mundo Precisa de Críticas de Rock Mulheres), publicado pela revista New Yorker, queria aquela experiência clássica de banda na adolescência. O único problema? "Nunca pude encontrar outras garota para tocar comigo, naqueles anos cruciais quando você está formando bandas", disse. "Seu professor provavelmente será homem, seus colegas provavelmente serão homens. É muito isolador."

Apenas tocar com seus colegas homens também não era a solução: "Os garotos ao meu redor realmente não me levavam a sério ou pensavam que eu era uma novidade."

Por muitos anos e, até certo ponto, nos dias de hoje, as mulheres que realmente queriam tocar rock tinham menos probabilidade de encontrar uma próspera comunidade de mulheres para tocar junto. Estrelas mulheres como P.J. Harvey ou Suzie Quatro, observou Crawford, acabavam terminando como artistas solo ou como a única mulher em uma banda principalmente de homens. Depois que a Goldie and the Gingerbreads se separou em 1967, Ravan passou a fazer parte de uma banda predominantemente masculina e, depois, partiu para a carreira solo.

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Jean Millington (esq.) e Patti Quatro em apresentação da banda Fanny, em 1974.

A assustadora e onipresente suposição de que os meninos aprendem a tocar bateria e crescem para se tornar estrelas do rock, enquanto as meninas brincam de Barbie e crescem para se tornar tietes pode isolar e sufocar jovens que, de fato, querem ser musicistas ou podem simplesmente atrasar seu começo. Muitas musicistas talentosas só começam suas carreiras quando adultas, na idade quando os jovens estão explorando quem realmente são fora de seus grupos de afins rigidamente definidos. A essa altura, muitos de seus colegas estiveram circulado com seus instrumentos e bandas amadoras há uma década — mas essa diferença não é um obstáculo intransponível.

Augusta Koch, guitarrista e vocalista da banda pop-punk Cayetana, admite de cara que "não sabia" como tocar guitarra quando o grupo foi formado há cinco anos. Koch e suas colegas haviam todas terminado a faculdade e sonhavam em montar um banda quando se encontraram em uma festa em Filadélfia. Decidiram unir forças e aperfeiçoar suas habilidades juntas, por meio de anos de prática solo e em banda.

Mindy Abovitz, baterista e fundadora da Tom Tom Magazine, montou sua primeira banda na faculdade, não muito tempo depois de ter começado a aprender a tocar bateria. "Não fazia nenhum sentido estar em uma banda com um cara naquela época, porque todos meus amigos músicos haviam feito parte de bandas desde que tinham 12 anos", disse.

"Toquei música na banda da escola, clarinete e clarinete baixo, mas foi só muito depois que pensei que poderia fazer algo, como estar em uma banda", lembra Wolfe, da Bratmobile. "Mas acho que tive muita sorte de crescer em Olympia. Em meio a um cenário musical que se orgulhava do contra-culturalismo e antiprofissionalismo, "qualquer pessoa poderia fazer qualquer coisa e seria considerada um músico", disse.

Wolfe foi para Eugene com o objetivo de estudar na Universidade de Oregon, mas em muitos fins de semana retornaria para Olympia com sua amiga e futura colega de banda, Molly Neuman, para circular na cena musical. Conheceram Kathleen Hanna, então estudante no Evergreen. Wolfe começou a notar que mulheres ao seu redor começaram a formar suas próprias bandas — e não bandas fofinhas e sorridentes. Um dia, durante o verão antes do início das aulas, ela foi dar uma espiada na galeria de arte de Hanna, Reko Muse, e viu uma banda ensaiando. "Kathleen estava no palco", lembra Wolfe, "e estava gritando com todos os pulmões, suas veias saltando pelo pescoço e o rosto completamente vermelho... Era realmente agressivo e intenso". A banda de Hanna, Bikini Kill, acabou apoiando o recém-criado grupo de Wolfe e Neuman desde o início.

Wolfe e Neuman queriam estar envolvidas no mundo do rock — elas já estavam se apresentando como uma banda da região de Olympia —, mas só começaram a compor e tocar música quando um amigo pediu para que elas se apresentassem em um show que ele estava organizando. Apesar dos tropeços no começo da Bratmobile, o primeiro show da banda foi um grande sucesso.

"Não acho que teria acontecido fora do circuito de Olympia, porque não acho teríamos tido o incentivo", admitiu. "As pessoas teriam rido da gente no palco. Mas, em vez disso, tínhamos Bikini Kill lá, nos animando."

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A banda Bikini Kill era formada por três mulheres: Kathleen Hanna, Kathi Wilcox e Tobi Vail, e por um homem, Billy Karren.

Mantendo a banda unida

Conseguir formar uma banda só de mulheres é uma conquista mágica, mas é apenas o primeiro passo. As bandas de rock são notoriamente frágeis. Disputas por poder internas, ego trips e divergências artísticas destroem muitas delas. Para as mulheres, no entanto, o estresse de evitar o comportamento inadequado, a condescendência e o desdém enraizados em seu gênero muitas vezes acabam por agravar os conflitos comuns enfrentados por todas as bandas.

Tendo superado os anos de desencorajamento declarado ou implícito para escolher uma carreira musical, as musicistas enfrentam premissas exaustivas: de que elas não entendem sua própria arte ou ofício; que se, posteriormente, conseguiram dominar a forma de arte, são perpétuas amadoras; que estão no circuito apenas para atrair a atenção masculina. A baterista da banda Cayetana, Kelly Olsen, destacou que "mulheres que se relacionam com músicos... são vistas de uma maneira bem diferente dos homens que fazem a mesma coisa. E sei que temos sido julgadas sobre com quem saímos, tipo, você só está fazendo isso para se aproximar dessa banda. E, na verdade, não é isso! Tenho meu próprio eu e meu próprio poder em meu próprio espaço."

No entanto, o pressuposto de que as mulheres não pertencem ao palco, a menos que estejam acompanhadas e supervisionadas por homens, geralmente permanece. Lydia Night, líder adolescente da banda The Regrettes, pegou a febre do rock muito cedo — ela toca guitarra desde os 6 anos e não só frequentou anos de classes de música como também tocou em várias bandas. No entanto, observa, técnicos de som normalmente assumem que ela não pode manejar o próprio equipamento. É difícil ignorar o sexismo graças a um simples fato: a banda tem um integrante homem, o baterista Maxx Morando. "Conhecemos tanta gente de som incrível", disse, "mas conhecemos tanta gente de som que apenas faz suposições... 'ah, claro, o Maxx sabe como preparar sua bateria, mas ela não deve saber como configurar seu amplificador".

Embora muitas das mulheres com as quais eu conversei tenham dito que se sentem respeitadas e apreciadas por seus colegas homens na indústria, os espaços que os homens criaram para si mesmos não são sempre convidativos. As mulheres podem ser deixadas de fora de bandas e turnês por homens que querem manter a vibe de "chapas" ou que não querem que suas parceiras se preocupem com a possibilidade de traição. "Turnês de ônibus são definitivamente lugares onde as mulheres são excluídas", disse Abovitz, fazendo referência a um conselho dado recentemente a uma amiga musicista. "Elas não são contratadas. Simplesmente ficam de fora." Essa conhecida e outras mulheres de sua banda não foram convidadas para viajar no ônibus por essa razão; no final, tiveram de ir dirigindo separadamente durante toda a turnê.

Quando não são os homens envolvidos diretamente a indústria, é a imprensa. O jornalismo musical, um campo que foi moldado e ainda é amplamente dominado por homens brancos, historicamente tem sido hostil, na pior das hipóteses, e paternalista, na melhor das hipóteses, em relação às mulheres artistas. "O pressuposto [era] que os entrevistadores e outras pessoas poderiam nos tratar com condescendência, e essa era a norma", diz Millington. "Essa condescendência era muito letal, porque pode chegar até você de diferentes maneiras, mesmo as sutis maneiras feriam — pelo menos 50%, 60% ou mais do tempo, a condescendência tinha de estar lá, mesmo se [os críticos] dissessem que gostavam de nós."

Críticos e jornalistas podem cobrir uma banda de garotas com um tom de surpresa de que um grupo de mulheres possa tocar com competência ou se fixar no sex appeal das integrantes da banda e características de gênero.

Além disso, as artistas mulheres são colocadas umas contra as outras, criando a impressão de que, no enorme universo do rock, havia espaço para apenas uma estrela mulher. "Nunca tinha a ver com a música", lembra Raven sobre as primeiras críticas sobre ela. "Eles sempre tinham de me comparar com alguém." Geralmente, os tempos sendo o que eram, aquele alguém era Janis Joplin. Em 1969, o lendário crítico de rock Robert Christgau a descreveu como "a residente Janis Joplin deste grupo" em uma crítica sobre a Ten Wheel Drive, uma banda de jazz-rock da qual fez parte depois que a Goldie and the Gingerbreads se separaram. Joplin é citada outra vez em sua crítica sobre um de seus álbuns solo, "Urban Desire", além da acusação de que "ela canta de forma exagerada". (A obra de Christgau é uma tentativa de crítica chauvinista, que raramente é sutil; ele se esforça para graciosamente julgar que a "execução [da Fanny] é competente o suficiente".)

No início do rock 'n' roll, até mesmo o público que, presumivelmente, comparecia para curtir esses shows era comodamente sexista. Tanto Millington quanto DeBuhr lembram vividamente de um particular elogio de ouvintes masculinos que pareciam seguir de perto a banda Fanny ao longo de sua traajetória: "Nada mal por serem garotas!".

Independentemente de onde se apresentavam, "esse era o melhor elogio que conseguíamos receber no começo dos anos 70. Não é incrível?", disse Millington. "E quase sempre sorríamos e dizíamos: 'Obrigada'." Pior ainda, a banda Fanny muita vezes confrontava a premissa de que não podiam tocar suas próprias canções. "Não consigo lembrar quantas vezes as pessoas nos perguntaram: 'Quem eram os músicos homens tocando no álbum?'", lembra DeBuhr. Para um grupo de mulheres que ensaiava e se apresentava incansavelmente e que tinha orgulho de sua música, essa pergunta era particularmente irritante.

Na era punk, o público desdenhoso podia ser mais agressivo. Wolfe insistiu, de forma mais ou menos séria, de que sua miopia e audição ruim protegiam seu ego das ácidas críticas de multidões sexistas. "Muitas vezes fui salva pelo fato de que não podia ver ou ouvir o que estava acontecendo na plateia", disse. Depois do segundo show da Bratmobile, Kathleen Hanna foi ao encontro delas atrás do palco e perguntou se elas estavam bem. "Sem o conhecimento delas, alguns "assustadores metaleiros" na multidão estavam fazendo ameaças de morte aos berros contra a banda durante sua apresentação.

Mais difícil de ignorar: um incidente em um show durante a passagem de Wolfe pela banda Cold Cold Hearts, no final dos anos 90, quando um homem agarrou seu traseiro enquanto ela se apresentava. "Na verdade, comecei a rir, porque era simplesmente muito chocante", disse Wolfe.

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"Quando era mais jovem, havia muitas artistas mulheres como Spice Girls, Aaliyah e Destiny's Child", Alana Haim disse à revista Lip Mag, em 2014. "Mas nenhuma delas tocava instrumentos e eu sempre me espelhava em Stevie Nicks e Blondie – elas são excelentes musicistas. Então, apenas nos vejo como uma banda. Quando as pessoas nos chamam de banda de mulheres, considero isso como insulto — ser uma garota em uma banda não deve ser algo. Parece muito medieval."

Algumas mulheres envolvidas no mundo da música viram um ambiente relativamente igualitário, não ameaçador, pelo menos em espaços específicos. A historiadora sobre o movimento punk Gillian McCain, coautora da história oral Please Kill Me, rejeita a ideia que o circuito punk poderia ser sexualmente explorador no início. "As garotas estavam desfrutando de sua liberdade sexual tanto quanto os garotos", McCain escreveu em um e-mail. "Nenhuma das mulheres que entrevistamos se viam como vítimas."

Mas não há como negar que algumas mulheres na indústria da música têm sido vitimadas, e que a experiência pode afetar diretamente suas carreiras. A compositora e estrela do pop Kesha, o exemplo recente mais infame, entra em uma longa fila de mulheres que foram ofuscadas devido à exploração masculina. Devido ao seu antigo contrato e atual batalha legal contra seu ex-produtor, Dr. Luke, a quem ela acusa de assédio sexual e outros tipos de abuso, Kesha teria pelo menos 22 novas canções as quais ela não tem permissão de lançar.

Em 2015, a baixista original da The Runaways, Jackie Fuchs, acusou o produtor da banda, o falecido Kim Fowley, de estuprá-la assim que ela entrou no grupo, em 1975. Ela saiu em 1977. Em um artigo do HuffPost, Jason Cherkis documentou várias supostas vítimas da violência sexual de Fowley, primeiramente Fuchs e Kari Krome, uma compositora precoce que Fowley começou a preparar quando ela tinha apenas 13 anos. Quando Cherkis conversou com Krome, cerca de 40 anos depois, ela havia estado fora do mundo da música desde a adolescência, enchendo caixas de letras inéditas. "Ela não conseguia se livrar da ideia de que Fowley nunca havia acreditado em seu talento, de que ele apenas queria dormir com ela", escreveu. "Ela acabou abandonando seus sonhos de se tornar uma compositora de sucesso."

Embora seja impossível dizer quantas carreiras de mulheres foram tolhidas ou destruídas devido à predação sexual, mesmo as que permanecem e conseguem ser bem-sucedidas continuam a enfrentar críticas e abusos de gênero. Com poucas outras opções, musicistas frequentemente adotam atitudes decididamente indiferentes em relação aos seus assediadores e críticos. "É difícil fazer um show quando alguém grita 'você não consegue tocar guitarra' ou 'você é gostosa'; mas, ao mesmo tempo," disse Koch, "tentamos não deixar que isso nos destrua".

Durante o movimento riot grrrl dos anos 90, mulheres do circuito tentaram encontrar segurança sendo solidárias. Depois do incidente do homem que agarrou seu traseiro no show da Cold Cold Hearts, Wolfe lembrou que "o incrível é que não tive de fazer nada. Era um show do poder feminino; todas as mulheres o expulsaram em dois segundos". Ao exortar as "mulheres para a frente" de batalha e feminismo de liderança, o riot grrrl criou um espaço mais seguro para as mulheres no rock — pelo menos temporariamente. Em outros tempos, em outros casos, tocar com as dificuldades simplesmente levava ao esgotamento. "Eu deixei a Fanny em 73 porque estava simplesmente cansada", disse Millington.

Quando as mulheres não são mantidas do lado de fora dos gêneros do rock por meio do total desincentivo, exclusão ou assédio, a natureza maleável do gênero também pode ser usada contra elas. As artistas podem ser deletadas dos anuários do rock simplesmente por meio de percepções de gênero ― o que os homens tocam é rock, e o que as mulheres tocam é pop. O caso mais evidente é o das mulheres negras que, assim como os homens, muitas vezes são reflexivamente categorizadas como R&B simplesmente por causa da raça. Como escreveu Brittany Spanos, da Rolling Stone, em 2016, a apropriação branca do rock tem sido tão completa que "encaixa os artistas negros nas categorias R&B e soul independentemente de quão inclinados ao gênero eles sejam".

"Embora em grande parte esquecidos em nossos anuários branqueados da história", LaTonya Pennington escreveu no The Establishment, "as mulheres negras ajudaram a criar o gênero do rock, que tem suas raízes no blues, country, jazz, gospel e R&B". Assim como muitos pioneiros do rock foram homens negros — Chuck Berry, Fats Domino, Little Richard e Bo Diddley ―, muitas pioneiras, como a "Madrinha do Rock 'n' Roll" Sister Rosetta Tharpe, também eram negras. As mulheres brancas também foram muitas vezes cúmplices em minar artistas negras. A primeira gravação de "Piece of My Heart" foi interpretada por Erma Franklin ― conhecida como uma catora R&B ―, mas foi a cantora branca Janis Joplin ― conhecida como roqueira ― que levou a fama com sua interpretação.

A contribuição das mulheres negras tem sido rotineiramente varrida para debaixo do tapete da história do rock. Mas Pennington, Spanos e outros críticos têm visto artistas negras reivindicando seu lugar no gênero do rock nos últimos anos, desde inconfundíveis grupos de rock com o The Alabama Shakes (liderado pela vocalista e guitarrista Brittany Howard) à queridinha indie Santigold e, sim, Beyoncé.

No álbum "Lemonade", a ícone pop mergulhou no country e rock 'n' roll com grande efeito. "Beyoncé [...] proporcionou um dos momentos mais memoráveis do rock com '[Don't] Hurt Yourself'", argumentou Crawford. "Temos aqui uma canção de uma artista negra (Beyoncé), que não é 'vista' tipicamente como roqueira, que apropria a masculinidade do rock branco para enfatizar que as origens do rock (no blues) remetem às mulheres negras, cuja música foi, por sua vez, apropriada por homens brancos. Os visuais, todos importantes, funcionam fluidamente com a canção para reforçar esta mensagem, acrescentou. "O clip [...] que começa e termina com uma jovem negra atrás de um conjunto de bateria torna literalmente visível essa linhagem da musicalidade das mulheres negras, amplamente negligenciada e historicamente invisível."

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Brittany Howard em apresentação do Alabama Shakes em um festival de música de 2016.

Passando a tocha

Com todos os obstáculos e formas de desencorajamento que as mulheres do rock enfrentaram ao longo de décadas, o rock já não é o gênero mais legal ou mais novo. Ainda realmente importa quão inclusivo é para as mulheres? Crawford, embora considere que é importante para as mulheres terem oportunidades iguais em qualquer gênero, sugere que as mulheres devem buscar outras alternativas. A masculinização do cenário está tão arraigada, e o gênero em si parece tão arcaico que ela "não necessariamente recomendaria [uma jovem hoje] a pegar uma guitarra. Penso no rock como um romance realista — é divertido, as pessoas ainda praticam, mas, por quê? E, embora "outros gêneros tenham seus próprios problemas", destacou, há uma história de exclusão menos extensa e calcificada para ser desfeita. As mulheres têm feito enormes quantidades de músicas animadas e que rompem barreiras no segmento eletrônico, no pop e outros mais — o rock simplesmente não tem sido acolhedor.

Por outro lado, McCain minimizou a severidade dos obstáculos enfrentados pelas mulheres no rock punk — embora o circuito punk seja predominantemenre masculino. "Infelizmente, esse é o caso de várias tendências", escreveu McCain em um e-mail. "Acho que havia barreiras tanto para homes quanto para mulheres que faziam música punk! [...] De certa forma, as mulheres podem ter tido uma vantagem à medida que rceberam mais atenção da mídia." McCain citou as principais estrelas mulheres da época, como Patti Smith e Tina Weymouth, que ainda são populares hoje. Como Ravan percebeu na década de 1960, ser mulher em um mundo masculino poderia ser uma grande ferramenta de marketing.

Ainda assim, fincar uma reivindicação visível para o rock não é apenas uma ego trip para artistas marginalizados: abre o caminho para o estrelato para os que vêm depois. Além de tornar mais fácil para que o público e críticos conceituem, por exemplo, artistas negras como roqueiras, também ajuda futuras musicistas a evitar o escárnio o assédio e o senso de alienação que afligiu a muitos.

Mesmo hoje, as mulheres lidam com o mal-estar e abusos quando em turnê. Mas o público tem visto roqueiras suficientes para mitigar o nível de desprezo enfrentado por artistas individualmente. Onde antes bandas como Fanny e Goldie and the Gingerbreads muitas vezes sentiam que seu gênero era tão incomum que era simplesmente tratatado como um truque — a única razão pela qual as pessoas se dispunham a contratá-las em vez de bandas masculinas — mulheres que estão atualmente no começo de suas carreiras veem um cenário mais diverso. Night disse que as The Regrettes se apresentam ao lado de "muitas mulheres.... mulheres 'fodonas'".

Zeldin também fez turnês com várias bandas com uma ou mais mulheres. "Há várias bandas que têm pelo menos alguma presença feminina. É legal ver isso acontecendo mais e mais", disse.

Parte do ambiente mais acolhedor para mulheres e indivíduos de gênero não binário no rock tem a ver com a mudança das normas, como um melhor entendimento dos danos causados pela agressão sexual. Lembrando-se de sua época na Fanny, nos anos 70, DeBuhr descreve um ambiente que, além de permissivo para os impulsos masculinos, também carecia de uma linguagem para falar sobre isso de maneira crítica. Embora às vezes se sentisse profundamente desconfortável com a atmosfera sexualizada, disse: "Naquela época, não acho que chamávamos de assédio sexual... Era assustador, eu não gostava." Um comportamento assustador pode ainda ser bastate comum na indústria da música, mas as musicistas agora têm vocabulário para falar sobre isso. Vejamos publicista musical Heathcliff Berru, antes um jogador poderoso nesse campo. Ele caiu precipitadamente em desgraça depois que uma série de musicistas e profissionais da indústria — mais notadamente Amber Coffman, da banda Dirty Projectors — o acusaram de várias formas de má conduta sexual.

Mesmo a ideia de que as mulheres podem ser rebeldes e artistas bem como donas de casa, mães e tocar coisas precisou emergir nas últimas décadas. Além de as primeiras bandas só de mulheres serem apresentadas como truques de mágica, também eram apresentadas como grupos sexualizados. Fowley posicionou a The Runaways como um grupo de ninfetas sexy em vez de musicistas sérias — e esssa é uma marca temporária, na melhor das hipóteses.

Durante o colégio, na década de 1960, DeBuhr tocou em uma banda só de garotas chamada Women ("Éramos um truque de mágica", explicou. "Essa era a atração, eram só mulheres."). Quando estava em um clube em Iowa (EUA), a então adolescente DeBuhr viu uma baterista em um trio de jazz. A baterista era mais velha, "talvez em seus 40", lembra. "Eu disse: 'Vou parar quando tiver 30. Não serei uma senhora velha tocando bateria'." Ela de fato acabou pendurando as baquetas não muito tempo depois que a Fanny se separou. Agora, diz, se arrepende.

Para a jovem DeBuhr, aquela baterista solitária de meia-idade pode ter parecido estranha naquela época; a falta de mulheres como ícones visíveis do rock inevitavelmente perpetua a premissa de que as mulheres não pertencem ao palco, a menos que sejam go-go dancers ou vocalistas atraentes. Mesmo bandas sérias como Fanny e Gingerbreads enfrentaram pressão para subir no palco com pouca roupa — algo que resistiram de várias formas.

Scott Dudelson via Getty Images

Night (esq.) e Genessa Gariano, da banda The Regrettes, se apresentam em um show beneficiente da Planned Parenthood.

Talvez a evolução mais importante tenha sido a determinante e séria incursão das mulheres no gênero, um gênero que, no começo, parecia não ter lugar para elas. Embora Ravan e Millington citem algumas pioneiras como inspiração — Etta James, Lillian Briggs —, elas viram sua própria música como algo diferente. Estavam tocando rock 'n' roll em bandas, assim como os garotos.

Hoje, musicistas em ascensão têm um panteão de mulheres roqueiras para se inspirar e imitar. "Quando tinha cinco anos, meu pai me levou para o show da Donnas... e simplesmente me apaixonei", disse Night. "O momento da virada para mim — acho que tinha 10 anos — [foi quando] minha mãe me levou para ver um filme sobre a baterista Hole. Comecei a escutar muito Hole, Bikini Kill, Babes in Toyland."

Uma pressão em favor de bandas formadas somente por mulheres seria improvável nos dias de hoje, porque, em uma cenário mais inclusivo, as musicistas veem uma menor necessidade de se agrupar. Quando Night se apaixonou inicialmente pela banda The Donnas, tinha o desejo de formar uma banda só de mulheres; agora, diz, ela nem pensa em gênero ao montar uma banda. Zeldin, que sempre trabalhou com músicos, sentiu o mesmo. "Estaria totalmente de acordo em formar uma banda só de mulheres", disse. Mas não se sentiria motivada para fazê-lo "apenas porque seriam só mulheres".

O sucesso da "menina do rock" pode vir em ondas. Para grupos como Fanny e Bratmobile, um grupo só de mulheres fazia parte do objetivo; naquela época, dava a sensação de segurança na solidariedade e era uma forma de posicionamento político. "Se o objetivo principal era dar voz às mulheres, então sim, queríamos tocar com outras garotas", disse Wolfe. Depois que o movimento riot grrrl abertamente feminista, mas com falhas, perdeu força, o rock indie e punk parece que se encolheu ao redor dos homens novamente.

"Sinto que o riot grrrl terminou em meados dos anos 90 e, no final dos anos 90, havia muitas críticas", disse Wolfe. "De repente, havia muito menos bandas de mulheres no circuito punk e pensei: 'o que aconteceu?'". As críticas ao riot grrrl, que ela admite tinha seus próprios problemas, ainda parecia "sexismo. Ou simplesmente desrespeito ao feminismo".

Embora poderosas bandas de mulheres como a Sleater-Kinney tenham surgido durante o riot grrrl e sobrevivido, foram mais a exceção do que a regra. No começo dos anos 2000, críticos comentavam sobre o quase surpreendente sexismo da ascendente cena dos gêneros punk e emo. O artigo Nothing Feels Good: Punk Rock, Teenagers, and Emo (Nada Parece Estar Bem: Rock Punk, Adolescentes e Emo), de Andy Greenwald, destacou a escassez de mulheres em populares gravadoras emo bem como a visão abertamente ressentida e objetificada que os artistas de emo atribuíram às mulheres: "Agora, os compositores emo eram vítimas unilaterais de decepções amorosas, totalmente injustiçados e prontos para cantar sobre isso, sendo que as mulheres não tinham a menor chance de responder".

Em um ensaio sobre misoginia emo, "Where the Girls Aren't" (Onde as Garotas Não Estão), de seu livro The First Collection of Criticism by a Living Female Rock Critic, publicado em 2015, a jornalista e crítica de música Jessica Hopper lembra como foi crescer na era do riot grrrl. "Para mim, mesmo como uma adolescente autodidata que pensava que todas suas ideias valiam a pena ser expressadas e tinham um público", escreveu, "só pensei em montar uma banda quando vi uma mulher em uma". Ver fãs mulheres em shows emo onde só homens cantavam sobre mulheres sem coração que os havia machucado, pensou: "Não quero que essas garotas da primeira fila percam isso. Não quero que garotas saiam de clubes sem encorajamento e potencial".

Mas o relógio não podia simplesmente ser atrasado para a década de 1950, depois que a era riot grrrl terminou. Os álbuns do Bikini Kill ainda estavam lá. Conhecíamos os Bangles. Zeldin, que cresceu frequentando a cena emo e hardcore, viu as raras mulheres no palco naqueles shows como um desafio. "Acho que foi o que, provavelmente, parcialmente me levou a fazer isso, além de ter uma inclinação", disse. "Era mais como — não vejo garotas fazendo isso, então vamos fazer."

Abovitz, que lançou uma publicação inteira para cobrir bateiristas mulheres, caedita fervorosamente no poder da inspiração. "Existe este tipo de coisa que toda baterista mulher que conheço faz: saia e faça um show não apenas para você, mas para todas as outras bateristas femininas", disse. "Você simplesmente quer fazê-lo, assim as pessoas vão superar isso."

O circuito já parece menos homogêneo do que há dez anos, apesar do desastroso machismo dos anos 2000. As primeiras gerações de musicistas buscaram aumentar suas conquistas promovendo seus próprios legados e até mesmo educando novas gerações. Millington abriu o Instituto para Artes Musicais (IMA) com sua parceira, Ann F. Hackler, em 1986. O instituto organiza acampamentos de rock para meninas, entre outras iniciativas para apoiar as mulheres na música. Acampamento como o do IMA começaram a dar frutos — como a banda The Regrettes, de Night, formada por três garotas e um garoto que se encontraram na Los Angeles School of Rock.

Embora o rock tenha levantado muros contra as mulheres durante décadas, elas se recusaram a ficar de fora — e o quanto mais recusam, mais aberta a indústria da música se torna para as mulheres.

"Você tem de continuar a compor canções que falam sobre essas coisas ou continuar nas bandas ou qualquer coisa que você faça", disse Wolfe. "Estar lá, se colocar em um espaço que não é comum para as mulheres".

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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