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O crowdfunding para remover a tatuagem “eu sou ladrão e vacilão”

Adolescente de 17 anos teve rosto tatuado negou ter cometido furto.

11/06/2017 12:30 -03 | Atualizado 11/06/2017 12:30 -03
Reprodução / Facebook
Adolescente de 17 anos tem a testa tatuada com a frase “eu sou ladrão e vacilão”.

Responsáveis pelo coletivo Afroguerrilha, de São Bernardo do Campo (SP) criaram uma campanha de crowdfunding para ajudar a pagar o procedimento de adolescente que teve o rosto tatuado com a frase "eu sou ladrão e vacilão".

O jovem de 17 anos foi encontrado por amigos neste sábado, na cidade onde mora. Ele estava desaparecido desde 31 de maio e a família o reconheceu no vídeo gravado e divulgado em redes sociais pelos dois agressores.

Em depoimento à polícia, no 3º Distrito Policial da cidade, o adolescente negou ter cometido qualquer furto. Ele foi levado ao posto médico para ser medicado e voltou para a casa da avó.

Ao G1, o advogado da família, Leonardo Rodrigues, afirmou que a família analisa quais medidas jurídicas serão tomadas. "Primeiro vamos cuidar dele, ele foi medicado, está assustado com o que passou. Muitas pessoas compartilharam a imagem dele fazendo julgamento sem conhecer os fatos. Ele não fez nada do que foi dito e espalhado na internet."

A meta de R$ 15 mil da campanha já foi atingida, de acordo com o site de arrecadação.

O dinheiro irá para pagar a remoção da tatuagem, ajudar nos custos do processo judicial contra o torturador, custear parte dos cuidados psicológicos e no tratamento contra a dependência química do garoto, de acordo com o coletivo.

Isso é um caso de tortura e humilhação muito grave, que vai causar transtornos sociais a ele por muito tempo.Texto da campanha de crowdfunding

O texto assinado pelo Coletivo Afroguerrilha afirma que a família do adolescente vive em situação de pobreza e que ele "passa por transtornos psicológicos causados pela dependência química e, por isso, precisa de sua ajuda".

A família informou à polícia que o jovem era usuário de drogas e sofre de problemas mentais. Antes do desaparecimento, ele chegou a passar por acompanhamento de conselheiros tutelares em atendimento no Centro de Apoio Psicossocial (Caps) de São Bernardo do Campo.

Tortura

A tatuagem foi filmada com o celular de Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, vizinho do tatuador Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos. No vídeo, que viralizou nas redes sociais, um dos homens diz "vai doer, vai doer". Em outro momento eles perguntam ao menino o que ele quer tatuar e forçam a resposta: "ladrão."

Além de ter a testa marcada com uma tatuagem, o adolescente revelou que teve o cabelo cortado e os pés e as mãos amarrados.

Identificados como responsáveis pela tortura, Ronildo Moreira de Araújo e Maycon Wesley Carvalho dos Reis foram detidos. A a juíza Inês Del Cid, da Vara Criminal de São Bernardo do Campo, decretou a prisão preventiva deles neste sábado.

A polícia localizou o tatuador após a família do adolescente levar o vídeo até o 3º DP de São Bernardo do Campo para tentar localizar o jovem. O homem acusado de tortura foi encontrado em um local onde funciona uma pensão.

Na delegacia, Ronildo e Maycon disseram para a delegada Carolina Nascimento Aguiar que o adolescente teria tentado furtar uma bicicleta na região e por esse motivo "resolveram tatuar o mesmo como forma de punição".

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