POLÍTICA

A ira do ministro Napoleão Nunes Maia com a história do homem misterioso e o envelope

“Eu sou inocente de tudo isso”, desabafou o ministro.

09/06/2017 16:25 -03 | Atualizado 09/06/2017 16:29 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
O ministro Napolão Nunes Maia ficou irritado porque um site de notícia apresentou o rapaz como “homem misterioso” que levaria “envelope” ao magistrado. 

Primeiro a votar no julgamento da ação que pode cassar a chapa Dilma-Temer, o ministro do TSE (tribunal Superior Eleitoral) Napoleão Nunes Maia Filho abriu sua fala com um desabafo: "eu sou inocente de tudo isso".

A gota d'água para reação exaltada foi uma manchete sobre um fato inusitado que ocorreu enquanto o relator lia o voto nesta sexta-feira (9). O filho do ministro, que não estava vestindo paletó e gravata, tentou invadir o plenário com um envelope em mãos. Policiais barraram o rapaz que estava de jeans e camisa pólo.

O ministro ficou irritado porque um site de notícia apresentou o rapaz como "homem misterioso" que levaria "envelope" ao magistrado.

"'Homem misterioso' e 'envelope', dentro da nossa linguagem, tem um significado muito significante. (...) Eu passei hoje momentos de grande revolta e de desejo de que esta pessoa sofra em si ou na sua família o que me fez passar", desabafou.

Segundo ele, o rapaz foi entregar umas fotos da filha que tem três anos e mora em Fortaleza. "Ele não vinha trajado a rigor e, portanto, não pode entrar acertadamente no recinto das sessões", explicou o ministro.

Indignado e revoltado, o ministro aproveitou para reclamar dos vazamentos de delações. Ele negou que tenha relação com o J&F, controladora da JBS, e a OAS.

Agora vem essas pessoas, chamo de pessoas porque não quero usar o nome que me vem a mente, vem essas pessoas desfazer uma reputação de quase 30 anos.

Julgamento

O magistrado já indicou que votará contra a tese defendida pelo relator. O ministro Herman Benjamin, autor do parecer em apreciação, pediu a condenação da chapa que elegeu Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. Ele entendeu que PT e o PMDB acumularam recursos de propina ao longo do tempo e que tais recursos ilícitos beneficiaram campanha daquele ano.

Chamou de "propina-gordura" e "propina poupança" esse tipo de estoque de dinheiro sujo. Na avaliação de Benjamin, para fins eleitorais é desnecessária a distinção entre caixa dois com ou sem propina porque mesmo o caixa dois puro já justificaria o pedido feito pelo PSDB.

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