POLÍTICA

A crise não termina no TSE. O que mais está em jogo no futuro de Temer

Os prognósticos indicam que o presidente ainda tem muita dor de cabeça pela frente.

08/06/2017 23:02 -03 | Atualizado 09/06/2017 10:29 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Michel Temer é investigado no STF por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

Mesmo se sair ileso da ação que poderá cassar o seu mandato no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ainda faltará muito para o presidente Michel Temer (PMDB) poder respirar aliviado. O futuro próximo do peemedebista é nebuloso.

Entre os adversários, a maior expectativa é em relação a denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar ao STF (Supremo Tribunal Federal), com base na delação da JBS, no âmbito da Operação Lava Jato.

Após a prisão do ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures no último sábado (3), a PGR tem 15 dias para apresentar a denúncia ao Supremo. Loures é investigado na mesma ação que o presidente está arrolado, por suspeita de ter recebido uma mala com R$ 500 mil em nome do peemedebista.

Com isso, a denúncia deve envolver o presidente. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), essa é a principal aposta da oposição. "Ele (Temer) vai ser denunciado como integrante e líder da organização criminosa", aposta o opositor. "O clímax da crise vai ser a denúncia do Janot", completa.

O presidente já é investigado na Suprema Corte por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.

Se o senador acertar os planos de Janot, a denúncia vai pedir o afastamento imediato do presidente e o documento será submetido à apreciação da Câmara dos Deputados.

O Planalto já trabalha com essa hipótese. Nesse caso, o presidente tem mais uma dor de cabeça: o PSDB. Embora tenha uma base aliada robusta, com cerca de 200 deputados e já esteja trabalhando para manter a fidelidade deles e barrar um pedido de afastamento, os esforços do governo podem não ser suficientes se os aliados começarem a deixar a base.

Por enquanto, deputados de partidos do chamado "centrão", como PP, PR, PSD e PRB, são tidos como os aliados mais fieis. A favor do presidente estão as inúmeras citações dos deputados nas denúncias da Lava Jato e o clima de embate entre Legislativo e Judiciário.

São necessários 172 votos para enterrar o pedido de afastamento e o PSDB tem a terceira maior bancada da Casa, com 46 deputados em exercício. Na segunda-feira (11), a cúpula do partido reúne para decidir se deixa o governo, no qual ocupa quatro ministérios. O desembarque seria uma tentativa de se desvincular da imagem de crise que o Planalto atravessa.

Um fator determinante para solidificar o rompimento é a existência de uma nova denúncia. No horizonte, há mais uma pedra no caminho de Temer, a delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro - figura central na conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista. No áudio anexado à ação que investiga o peemedebista no TSE, o empresário diz que paga uma mesada para o doleiro e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ficarem calados. Neste momento, o presidente solta a frase "tem que manter isso aí".

Nos arranjos para fechar a colaboração premiada, Funaro teria prometido informações que ampliam as acusações dos irmãos batista. A intenção dele em fazer a delação se fortaleceu após a prisão de sua irmã, Roberta Funaro. Ela foi filmada pela Polícia Federal carregado uma mala com R$ 400 mil entregue pelo executivo da JBS Ricardo Saud.

Constrangimentos

Outros fatores além do julgamento no TSE também fragilizaram a imagem do presidente na última semana. Na terça-feira (6), o ex-ministro do Turismo e correligionário de Temer Henrique Eduardo Alves foi preso. No dia anterior, a Polícia Federal enviou 82 perguntas para o presidente responder sobre questões sobre o inquérito que engloba a delação da JBS, como a frase "tem que manter isso aí" e sua relação com Rocha Loures.

Temer teve ainda o constrangimento de ter que se desmentir sobre a viagem que fez para a Bahia em 2011 no jatinho de Joesley. Primeiro, o Planalto afirmou que o presidente não tinha feito a viagem, que havia usado pelas avião da FAB naquele período, depois reconheceu o voo, mas disse que o peemedebista não sabia de quem era a aeronave.

Mesmo com a crise sem perspectiva de terminar, o presidente mantém o discurso de que não vai renunciar e governará até 2018.

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