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Meu filho foi vítima de racismo no Shopping Higienópolis, acusa jornalista

Após abordar criança de 7 anos, segurança disse que tinha ordem de "de não deixar 'pedintes crianças' molestar a quem quer que fosse no Shopping".

07/06/2017 12:48 -03 | Atualizado 07/06/2017 12:54 -03
Reprodução/Facebook
"Meu filho é negro; e estava com um abrigo do colégio Sion. Como eu lhe questionasse para o fato de ela ver pele e não o uniforme, quem se chocou, então, assustada, foi a moça travestida de segurança."

O jornalista Enio Squeff acusou o shopping Pátio Higienópolis, que fica na região central da capital paulista, de racismo contra seu filho de sete anos. De acordo com seu relato publicado nas redes sociais, uma segurança abordou seu filho acreditando que a criança estava pedindo esmola.

Segundo o jornalista, o episódio aconteceu na sexta-feira passada (2), enquanto ele e seu filho estavam tomando um chá dentro do estabelecimento. "Fui surpreendido por uma segurança mulher que me perguntou se a criança, à minha frente, estava me incomodando", escreveu em um post publicado ontem (6) e logo viralizou no Facebook.

Ele continua dizendo que questionou a segurança sobre a abordagem e ela afirmou que tinha ordem de "de não deixar 'pedintes crianças' molestar a quem quer que fosse no Shopping". O jornalista explicou que o menino era seu filho e que perguntou se ela o considerava um pedinte por ser negro.

"Meu filho é negro; e estava com um abrigo do colégio Sion. Como eu lhe questionasse para o fato de ela ver pele e não o uniforme, quem se chocou, então, assustada, foi a moça travestida de segurança", afirmou, acrescentando que, logo em seguida, a segurança se desculpou inúmeras vezes e que não tinha a intenção de ofendê-lo. "Para corroborar a extensão de seu pedido de perdão, afirmou-me que ela também era negra -,e sua pele não a desmentia; mas que recebia ordens", continuou.

Outro lado

Procurado pelo HuffPost Brasil, o shopping Pátio Higienópolis não se posicionou até o fechamento desta matéria.

Não é a primeira vez que o shopping se envolve em episódios de racismo. Em 2012, o estabelecimento foi palco de um protesto antirracista organizado pelo Comitê contra o Genocídio da Juventude Negra. Participaram cerca de 300 pessoas.

O protesto gerou ainda mais discussão após uma arquiteta ouvida pela Folha de S. Paulo afirmar na época: "Achei ridículo [o protesto]. Afinal de contas, esse negócio de racismo onde é que está? Você viu a quantidade de seguranças negros, de empregados?", se referindo às críticas sobre a uma pequena quantidade de negros no shopping.

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