MULHERES

A experiência de Pitty e a desromantização da maternidade: 'Não é fácil, é foda'

A cantora retorna aos palcos após um período dedicado a pequena Madalena: "Parece primeiro dia de aula."

05/06/2017 15:00 -03 | Atualizado 12/06/2017 12:17 -03
Reprodução
Pitty fala sobre dificuldade do período pós-parto.

Em agosto de 2016, nascia Madalena, a 1ª filha de Pitty Leone com o baterista Daniel Weksler.

Desde então, a cantora se distanciou dos palcos e se dedicou totalmente à amamentação e ao acompanhamento do crescimento da filha, atualmente com 9 meses.

Ela chegou a ser cobrada por sua ausência das redes sociais.

Mas a baiana justificou o seu "silêncio" com uma palavra: puerpério.

Popular por suas opiniões em defesa da igualdade de gênero, quando se trata de maternidade Pitty também não escondeu o jogo: "Ninguém fala sobre o quão o pós-parto é difícil".

Em entrevista à coluna de Monica Bergamo, publicada no último domingo (4), no jornal Folha de S. Paulo, Pitty falou sobre a importância de ter trocado experiências com outras mulheres para compreender o que se transformaria a partir do nascimento da filha.

"A maternidade é tão idealizada, tão associada a um negócio divino, sagrado, como se a mulher virasse meio santa quando está grávida, que eu acho que as pessoas esquecem que tem uma pessoa real ali passando por isso. O puerpério é uma coisa sobre a qual ninguém fala. Não é fácil, é foda. Você está sem dormir, seu corpo está diferente, num tsunami hormonal. Ao mesmo tempo você está fascinada e apaixonada por aquela pessoa ali com você."

Sobre a amamentação, a cantora disse que se tornou "irreconhecível":

"O dia que o leite desce é o mais louco. Eu não me reconhecia, olhava no espelho e não sabia quem era aquela pessoa. É uma abnegação enorme. E passei por isso com estrutura, sendo bem cuidada, com meu marido ao lado. Imagina as pessoas que não têm estrutura? A gente precisa pensar em dar um suporte melhor para essas mulheres."

Ela ainda defendeu o direito de escolha de outras mulheres que optaram por não serem mães. Para ela, há uma enorme cobrança seja qual for a escolha que a mulher faça.

"A vida não se resume a isso [maternidade], tem gente que não quer. Faço questão de falar isso porque sei como é estar no lugar de ser cobrada. Não acho justo botar essa carga em cima das mulheres. Nós mulheres somos sempre cobradas. Seja por uma coisa ou por outra. Ah, não teve filho! Ah, teve filho muito tarde. Ah, só vai ter um? Filho único não é bom... Cara! Dá um tempo! Deixa a gente viver!"

De acordo com a artista, ela sempre se reconheceu como feminista, mas não utilizava o termo devido aos estereótipos que estão em torno da palavra.

"Foi uma descoberta quando entendi que o que eu era tinha esse nome. Não acho justo que as mulheres ganhem menos, que sejam penalizadas apenas por serem mulheres. Vejo pessoas falando cada absurdo: 'não sou feminista, sou humanista'. Tem muito preconceito em torno da palavra. É importante a gente explicar que feminista nada mais é do que a pessoa que luta por direitos iguais, por equidade de gênero [...] Não é muito louco que querer igualdade e justiça seja se posicionar? Isso não deveria ser o básico? Por que é polêmico falar sobre direitos iguais?"

1, 2, 3, REC (me visitando no estúdio pela primeira vez 😊)

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Pitty, cujo último álbum foi lançado no ano passado, ainda não está planejando turnês, mas tem aceitado participar de alguns shows.

A cantora vai estar em um dos palcos do festival João Rock, em Ribeirão Preto, que acontece em 10 de junho.

Nos ensaios, ela falou sobre a ansiedade na volta aos palcos: "Parece primeiro dia de aula."

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