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'Nós erramos', diz psicóloga educacional de colégio que fez festa 'Se nada der certo'

Psicóloga educacional do colégio IENH, Patrícia Neumann, afirma que houve um 'erro de interpretação' e que alunos estão sofrendo perseguição nas redes.

05/06/2017 17:25 -03 | Atualizado 05/06/2017 17:38 -03
Reprodução/Bombors
"Houve um erro de interpretação", disse a psicóloga educacional do colégio IENH.

Nem os alunos, nem os professores do colégio IENH, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, imaginaram a repercussão nas redes sociais gerada a divulgação de fotos da festa com o tema "Se nada der certo", na qual estudantes do último ano se fantasiaram de carreiras "alternativas" caso não passassem no vestibular, como ser faxineiro, cozinheiro e ambulante (veja fotos no fim da matéria).

"Houve um erro de interpretação", disse a psicóloga educacional do colégio IENH, Patrícia Neumann. "Este era um dia para se libertar da pressão do vestibular e relaxar", conta.

A festa temática no intervalo aconteceu no último dia 17, mas foi reproduzida nas redes sociais só nesta segunda-feira (5) e gerou uma avalanche de críticas.

Brasileiros se irritaram com a escolha das profissões e argumentaram que a festa foi discriminatória e ofensiva com pessoas que sustentam famílias seguindo tais carreiras. O colégio foi alvo de reclamações, inclusive em sua página no Facebook.

Neumann explica que a festa faz parte do projeto D, no qual os próprios alunos do 3º ano escolhem um tema para se fantasiarem no intervalo das aulas. "Eles já pensaram em temas diversos, como voltar à infância, cinema, entre outros. Este foi o tema de não aprovados do vestibular, mas houve um erro de interpretação", defendeu.

Ela acrescenta que tanto os alunos, quanto a escola, não tiveram a intenção de ofender tais profissionais. "Como as fotos foram divulgadas pareceu como ofensa a essas carreiras."

Todo mundo erra, eles erraram, nós erramos. Vamos repensar sobre esses temas.

Perseguição nas redes sociais

Os alunos que participaram da festa agora sofrem perseguição nas redes sociais e estão com medo de represálias.

Segundo a psicóloga do colégio, os perfis dos estudantes nas redes sociais foram invadidos por mensagens de ódio e ameaças. "Os chamaram de 'riquinhos', 'burgueses', tudo que vai contra o que a instituição acredita. Eles estão com receio de dizer que estudam na nossa escola", disse.

Neumann conta que, no mesmo projeto, os alunos já fizeram festas beneficentes e que isso não foi levado em consideração pelas pessoas que os atacaram. "Infelizmente, nas redes, todo mundo escreve o que quer, sem entender completamente o contexto."

A repercussão e as críticas também foram tema de discussões nas salas de aula. "Toda esta situação serviu para um aprendizado para a instituição. Eles [alunos] foram muito maduros em relação a isso tudo e reconheceram o erro."

Agora, a escola está se esforçando para proteger os estudantes que, na avaliação da psicóloga, ficaram expostos a uma situação que saiu do controle. "A maneira como tudo aconteceu não foi adequada. Eles têm todo o apoio dos professores e funcionários. Todo mundo daqui sabe qual é a realidade. Queremos que eles se sintam amparados", disse.

Estudantes se vestem de faxineiro, ambulante e cozinheiro em festa 'Se nada der certo'

A resposta da direção

Pela manhã, o colégio se posicionou com uma nota publicada na página do Facebook, na qual justificou que não foi a intenção de discriminar tais profissões e se desculpou pelo "mal entendido".

"A IENH, bem como os seus estudantes, através da referida atividade, em momento algum teve a intenção de discriminar determinadas profissões, até porque muitas delas fazem parte do próprio quadro administrativo e são essenciais para o bom funcionamento da Instituição", afirmou a nota, acrescentando que tal atividade faz parte de um projeto comum nas escolas da região e grande Porto Alegre, que tem como objetivo promover momentos de integração e descontração entre os formandos do Ensino Médio.

O objetivo principal dessa atividade foi trabalhar o cenário de NÃO APROVAÇÃO NO VESTIBULAR, de forma alguma foi fazer referência ao 'não dar certo na vida'.

Leia a nota enviada à imprensa na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Instituição Evangélica de Novo Hamburgo – IENH vem a público, por meio desta nota, esclarecer a sua posição em virtude da atividade "Se nada der certo", realizada no dia 17 de maio de 2017, pelos alunos da 3ª série do Ensino Médio e publicada no site Bombô (bombors.com.br).

A IENH é uma instituição de ensino com 185 anos de tradição em Novo Hamburgo e no decorrer da sua história sempre prezou pela formação pautada em valores. Com professores e funcionários comprometidos com a educação, já formou inúmeros profissionais que atuam nas mais diversas áreas do mercado de trabalho.

A IENH, bem como os seus estudantes, através da referida atividade, em momento algum teve a intenção de discriminar determinadas profissões, até porque muitas delas fazem parte do próprio quadro administrativo e são essenciais para o bom funcionamento da Instituição.

A atividade "Se nada der certo" faz parte do projeto Dia D, prática comum nas escolas da região e grande Porto Alegre, que tem como objetivo promover momentos de integração e descontração entre os formandos do Ensino Médio, tendo em vista o encerramento da etapa que culmina com a busca da aprovação no vestibular e ingresso no ensino superior.

O objetivo principal dessa atividade foi trabalhar o cenário de NÃO APROVAÇÃO NO VESTIBULAR, de forma alguma foi fazer referência ao "não dar certo na vida".

Atividades como essa auxiliam na sensibilização dos alunos quanto a conscientização da importância de pensar alternativas no caso de não sucesso no vestibular e também a lidar melhor com essa fase.

Dessa forma, a IENH pede desculpas pelo mal entendido com a concepção e realização da atividade que não teve o objetivo de discriminação enfatizado nas redes sociais. Também destacamos que todas as colocações e situações oriundas certamente serão temas de discussão e aprendizado em sala de aula.

Equipe Diretiva e Pedagógica da IENH

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