POLÍTICA

Corrupção e obstrução da Justiça: Aécio Neves é denunciado pela PGR

STF ainda não decidiu sobre pedido de prisão do senador afastado.

02/06/2017 18:27 -03 | Atualizado 02/06/2017 19:06 -03
AFP/Getty Images
Senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) é denunciado por corrupção passiva e obstrução da Justiça.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta sexta-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o senador afastado Aécio Neves (PSDB) por corrupção passiva e obstrução da Justiça, no âmbito da Operação Lava Jato.

O tucano está afastado das funções parlamentares desde 18 de maio, por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, com base na deleção da JBS. De acordo com as investigações, Aécio recebeu R$ 2 milhões em propina.

O primo do senador, Frederico Pacheco, airmã, Andrea Neves, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) também foram denunciados, mas apenas por corrupção passiva. Os três foram presos em maio acusados de envolvimento no esquema.

A Polícia Federal filmou, com autorização do STF, Ricardo Saud, diretor da JBS, entregando R$ 500 mil ao primo de Aécio, que posteriormente repassou o dinheiro ao ex-auxiliar de Perrela.

O relator do caso no Supremo, ministro Marco Aurélio Mello, que vai notificar os acusados a apresentarem defesa. Depois, a Primeira Turma do STF decidirá se Aécio vira réu pela acusação.

Nesta semana, o magistrado afirmou que caberá à Primeira Turma decidir sobre o pedido de prisão do senador. Para Janot, a prisão é imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal, "diante do fatos gravíssimos imputados aos congressistas e do flagrante por crime inafiançável".

Na ação cautelar, o PGR argumenta que o senador é uma pessoa "poderosa e influente", cuja liberdade pode levar ao "uso espúrio do poder político".

Aécio é alvo de oito inquéritos no Supremo. Além da investigação com base na delação da JBS, outros cinco processos foram abertos a partir das delações da Odebrecht.Outros dois inquéritos foram instaurados a partir das delações do senador cassado Delcídio do Amaral.

Nesta sexta, a defesa do senador afastado afirmou que foi surpreendida com a denúncia. "Diversas diligências de fundamental importância não foram realizadas, como a oitiva do Senador e a perícia nas gravações. Assim, a Defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta do Senador Aécio Neves e de seus familiares", diz a nota.

Desde que foi afastado, Aécio Neves tem dito que irá provar o "absurdo dessas acusações" e que foi "vítima de armação". "Não fiz dinheiro na vida pública. Esse cidadão armou uma encenação e ofereceu outro caminho", afirma o tucano.

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