ENTRETENIMENTO

5 motivos pelos quais valeu esperar tanto por um filme da Mulher Maravilha

Longa também é o primeiro baseado em HQs de super-heróis a ser dirigido por uma mulher.

01/06/2017 18:16 -03 | Atualizado 07/06/2017 13:35 -03
Divulgação
Quebrando tudo: Gal Gadot está impecável como Mulher Maravilha.

A Mulher Maravilha é uma das principais personagens da DC Comics e, sem dúvida, uma das mais importantes entre as centenas super-heróis que surgiram nos gibis no século 20. Ao surgir na década de 1940, a Princesa Amazona defendia a igualdade de gênero e se lançava em aventuras e batalhas nas quais apenas seus colegas homens participavam.

Embora seja um ícone da cultura pop há décadas e Hollywood nunca tenha apostado tanto em adaptações de quadrinhos de super-heróis quanto nos últimos tempos, apenas neste ano a Mulher Maravilha ganha um filme apenas para si. O receio dos grandes estúdios com longas-metragens de super-heroínas tende a ser atribuído a Elektra (2005) e Mulher-Gato (2004), ambos fracassos de bilheteria e crítica.

Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017), protagonizado por Gal Gadot, chega aos cinemas nesta quinta-feira (1º) e promete mudar esse cenário. Trata-se também do primeiro filme de super-herói dirigido por uma mulher: Patty Jenkins, conhecida por ter comandado o drama Monster – Desejo Assassino (2003).

Já era hora. Afinal, se Batman e Superman já protagonizaram 11 e dez filmes, respectivamente, nada mais justo que a Princesa Amazona também tenha sua vez.

O HuffPost Brasil já assistiu ao longa e pode afirmar que valeu, e muito, a espera. Entenda por que.

1. A atriz

A israelense Gal Gadot esbanja carisma como Mulher Maravilha. Lembra da participação dela em Batman v Superman (2016)? Imagine toda aquela performance cheia de energia durar por mais de duas horas. Isso é Mulher Maravilha. Gadot, que já participou da franquia Velozes e Furiosos, não deixa brechas. Seja nas (ótimas) cenas de ação, nos diálogos com a mãe Rainha Hipólita (Connie Nielsen) em Themyscira, no relacionamento com o Capitão Steve Trevor (Chris Pine) e seus comparsas, ou ao conhecer o mundo cinzento e em guerra fora da ilha onde ela sempre viveu, a performance da atriz é um dos pontos altos do filme.

2. A diretora

Clay Enos
A cineasta Patty Jenkins no set de 'Mulher-Maravilha'.

Patty Jenkins tem uma carreira no mínimo curiosa. Formada em pintura e cinema, ela despontou em 2003 com o drama independente Monster – Desejo Assassino, baseado na história de Aileen Wuornos (1956-2002), uma prostituta que se tornou uma das serial killers mais famosas dos Estados Unidos.

O filme, que à época custou modestos US$ 8 milhões, foi protagonizado por Charlize Theron e rendeu a ela o Oscar de melhor atriz, além de catapulta-la para o sucesso. Jenkins recebeu incontáveis elogios pelo roteiro e pela direção, mas curiosamente, o único longa-metragem que ela dirigiu depois de Monster foi Mulher Maravilha.

Em entrevista à Hollywood Reporter, ela explicou que, embora tenha recebido várias propostas, escolheu declina-las, pois muitos projetos lhe pareciam ser problemáticos.

"Eu pensei, 'se eu aceitar isso, será um grande desserviço às mulheres'", disse. "'Se eles [estúdios] fizerem com um homem, será apenas outro erro que o estúdio cometeu. Mas comigo, seria como se eu tivesse falhado e mandaria uma péssima mensagem. Então tenho tomado cuidado com o que aceito por essa razão."

Nos 14 anos anos que separam o filme sobre a serial killer e o da super-heroína, Jenkins dirigiu episódios de vários seriados, como o piloto de The Killing – pelo qual ela foi indicada ao Emmy –, Arrested Development e Entourage. Ela chegou a aceitar e, depois, abandonar o posto de direção do segundo filme de Thor, o Deus do Trovão da Marvel. A produtora e a diretora não entraram em um acordo a respeito de como o filme deveria ser.

"Eu só quero fazer ótimos filmes", afirmou na mesma entrevista. "E isso pode vir de qualquer direção. Pode ser um filme de dez milhões ou duzentos." (Mulher Maravilha tem um orçamento de US$ 149 milhões – aproximadamente R$ 484 mi.)

3. A história

Após ser treinada intensamente para se tornar a amazona mais letal de Themyscira, Diana decide deixar a ilha paradisíaca em que vive com outras guerreiras para ir à Terra com o Capitão Steve Trevor, um espião da I Guerra Mundial cujo avião em queda vai parar no mar de Themyscira.

A contragosto da mãe, Diana parte para Londres com Trevor; o objetivo dela é, em tese, simples: encontrar Ares, o Deus da Guerra, e matá-lo. Pois apenas ele pode ser o responsável pelo conflito que tem dizimado milhões de pessoas mundo afora. Ela acredita que é dever dela impedi-lo de continuar no poder, e desconfia da presença de Ares nesse cenário após saber de gases venenosos que têm sido criados pelas forças armadas da Alemanha para serem usados em ataques.

No entanto, Diana encontra os mais diversos percalços pelo caminho, desde a burocracia dos homens para dar um fim à guerra até a descrença deles na própria raça humana. Enquanto ela se deslumbra e – principalmente – se decepciona com os humanos, Diana aprende diversas lições que se revelam cruciais para ela se tornar a Mulher Maravilha.

O enredo de Mulher Maravilha contém temas atuais, considerando o que tem ocorrido nos dias de hoje: é importante lutar pelo que você acredita; é importante haver igualdade de gênero; compaixão é essencial para a vida em sociedade; e é importante valorizar a vida.

No elenco, também estão Robin Wright, David Thewlis, Danny Huston, Elena Anaya, Lucy Davis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner e Eugene Brave Rock. O roteiro é de Allan Heinberg (Grey's Anatomy).

4. É um filme divertidíssimo

Prepare-se para encontrar tudo na medida certa: humor, ação, romance e aventura. Você com certeza vai se empolgar em vários momentos.

Além disso, aqui, a DC finalmente afina seu potencial e, após frustrar tantos fãs e espectadores (e faturar uns bons bilhões de dólares, é claro) com Esquadrão Suicida (2016), Batman v Superman e O Homem de Aço (2013), ela entrega ao público um bom filme.

5. E super girl power

Como falar sobre igualdade de gênero é incontornável quando o assunto é a Princesa Amazona, o filme de Jenkins toca no assunto, mesmo que não diretamente. Mulher Maravilha não é um panfleto sobre o feminismo. Está mais para o retrato de uma personagem que estranha vários costumes humanos e escolhe não se resignar a eles – mas mais por eles não terem relação com quem ela é enquanto indivíduo, independente de gênero. Isso fica claro na cena em que Diana entra em um salão de políticos em Londres. Ela é a única mulher ali; ao ser vista, eles ficam boquiabertos. No entanto, para ela, uma mulher não ter espaço de fala ali não faz o menor sentido. Então ela simplesmente diz o que pensa. Bingo.

Mulher Maravilha tem duração de 141 minutos, classificação indicativa de 12 anos e distribuição pela Warner Bros. Pictures Brasil.

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