NOTÍCIAS

Drauzio Varella desmente convite para Comitê de combate às drogas: 'Não recebi e não aceitaria'

Médico disse que poderia contribuir com ideias, mas não tem a "menor condição" de participar do Comitê. 

31/05/2017 11:03 -03 | Atualizado 31/05/2017 11:28 -03
Reprodução/Divulgação
O Comitê estaria encarregado de acompanhar e auditar as ações do governo estadual e da prefeitura de São Paulo na Cracolândia e dependência química.

O médico Drauzio Varella desmentiu, mais uma vez, participação nas ações governamentais ao combate às drogas na Cracolândia, centro da capital.

Na manhã de ontem (30), o secretário de Estado de Saúde de São Paulo, David Uip, publicou em sua página no Facebook que Drauzio, Wagner Gattaz, e Anthony Wong fariam parte de um novo Comitê Superior de Saúde contra a dependência química.

O Comitê estaria encarregado de acompanhar e auditar as ações do governo estadual e da prefeitura de São Paulo na Cracolândia e dependência química, que seriam os programas Recomeço (estadual) e o Redenção (da prefeitura).

O post foi compartilhado no perfil da Secretaria do Estado nas redes.

A iniciativa foi repercutida pela imprensa e pegou muita gente de surpresa. Isso porque Drauzio Varella foi um dos críticos às ações da prefeitura de São Paulo na Cracolândia nos últimos dias e rebateu uma ação civil da gestão Doria à Justiça que utilizou como argumento uma entrevista publicada em 2013 de Drauzio Varella sobre internação compulsória.

Na noite de ontem, o médico publicou no Twitter um vídeo explicando que, ao contrário do que foi anunciado, ele não recebeu nenhum convite do secretário de Saúde para ser membro do novo Comitê e, mesmo se tivesse, não teria aceitado.

No vídeo, o médico afirma que se encontrou com o Uip na última segunda-feira (29) para conversar sobre os últimos acontecimentos na Cracolândia. "Na ocasião, ele me perguntou se eu estaria disposto a dar algumas ideias para encaminhar o problema de combate às drogas na Cracolândia. E que esta solicitação ele tinha feito também para o doutor Wagner Gattaz e Anthony Wong, que são especialistas na área", iniciou, explicando que concordou porque não se negaria a dar ideias que "possam contribuir, que possam ser úteis".

Ele prossegue dizendo que foi surpreendido ao ler na imprensa que faria parte de um Comitê e negou ter recebido convite formal:

Se eu tivesse recebido, eu não aceitaria, por uma razão muito simples: eu não tenho preparo técnico nessa área e não tenho tempo material para me dedicar a um trabalho com essas características.

O médico acrescenta que está disposto a contribuir com ideias, mas que não tem a "menor condição" de participar do Comitê.

Drauzio X ações na Cracolândia

Na sexta-feira passada, Varella divulgou um vídeo com o qual rebate a prefeitura de São Paulo sobre a internação compulsória.

O prefeito João Doria entrou com uma ação na Justiça para para internar à força usuários de drogas da Cracolândia. Como parte da justificativa, a prefeitura utilizou trechos de uma entrevista de Drauzio ao jornal Folha de S. Paulo sobre o tema, quatro anos atrás.

Em um vídeo publicado no Facebook, o médico diz que seu nome foi usado indevidamente e que não concordava com as ações da prefeitura. Ele ainda afirma que em nenhum momento foi procurado para debater sobre o assunto.

"Minha opinião é, e sempre foi o seguinte: sou a favor da internação compulsória daqueles usuários que estão em um estado de saúde tão precário, ou apresentam transtornos psiquiátricos tão graves, que ficam expostos a um grande risco de morte. Esses, e só esses, devem ser internados compulsoriamente."

A prefeitura de São Paulo realizou uma operação policial no último dia 21 para dispersar usuários de drogas na Cracolândia, centro de São Paulo. Além da operação, Doria pediu à Justiça autorização para internação compulsória. O pedido chegou a ser concedido no último sábado, mas foi derrubado no dia seguinte, após o Ministério Público e a Defensoria Pública intercederem.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Drauzio criticou as ações da prefeitura e afirmou que a Cracolândia não deveria ser a causa dos programas de combate às drogas.

Todo mundo tem que se convencer de que não é possível acabar com a cracolândia. A cracolândia não é a causa de nada, é consequência de uma ordem social que deixa à margem da sociedade uma massa de meninos e meninas nas periferias.

LEIA MAIS:

- Drauzio Varella rebate prefeitura de SP sobre internação compulsória: 'Meu nome foi usado indevidamente'

- Um dia depois de aval, Justiça impede gestão Doria de remover à força dependentes químicos da Cracolândia

Aulas de balé na Cracolândia em SP