POLÍTICA

6 frases que marcam a fase rebelde de Renan Calheiros

Com risco de perder a liderança do PMDB, senador pede ajuda até para Sarney.

29/05/2017 17:37 -03 | Atualizado 29/05/2017 19:11 -03
Paulo Whitaker / Reuters
PMDB do Senado pressiona Renan Calheiros (AL) a deixar liderança do partido na Casa.

Na política desde a década de 1970, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) se esforça para não perder a liderança do partido. A bancada se reúne na tarde desta terça-feira (30) para discutir o assunto, mas a decisão pode ser adiada devido à atuação de Renan.

Nos últimos dias, o peemedebista pediu ajuda de colegas e convocou até o ex-presidente José Sarney para interceder em seu favor junto ao presidente Michel Temer.

Os ataques do senador ao governo e às reformas trabalhista e previdenciária têm causado desconforto dentro do partido, que pressiona por uma troca na liderança.

Na última terça-feira (23), Renan chegou a defender a saída do presidente ao falar em uma "solução negociada" sobre sua sucessão, em referência a eleições indiretas.

Temer é investigado por corrupção passiva, participação em organização criminosa e obstrução à Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Lava Jato.

No dia seguinte, o senador criticou, em plenário, a decisão do presidente em acionar o Exército em resposta a uma protesto a favor da saída de Temer e da convocação de novas eleições diretas.

Beira a insensatez fazer isso num momento em que o País pega fogo. Beira a irresponsabilidade! (...) Se esse Governo não se sustenta – é verdade, ou não é –, não serão as Forças Armadas que vão sustentar esse Governo.

Renan criticou ainda a nomeação do deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), aliado do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para o Ministério da Justiça, em fevereiro.

É inadmissível que um governo chantageado publicamente, que não tem noção do que pode e do que não pode fazer, continue a ser pautado por um presidiário, inclusive na nomeação de um ministro da justiça. Isso não pode acontecer.

No mesmo dia, o nome do senador foi alvo de duras críticas em reunião da bancada no Palácio do Planalto. Dos 22 integrantes da bancada, apenas Renan e três aliados seus não compareceram.

À noite, em um movimento liderado pelo líder do governo na Casa e presidente do partido, Romero Jucá (RR), a bancada se reuniu a fim de decidir a troca na liderança, mas o parlamentar conseguiu adiar a definição. "Não sei se a insatisfação (da bancada) é comigo ou com o governo", desconversou Renan ao sair da reunião.

Em 2 de abril, o senador afirmou que "o governo continua errático" e "quem não ouve, erra sozinho", em referência à sanção presidencial à Lei da Terceirização e à discussão da reforma da Previdência.

O parlamentar tem se reunido com centrais sindicais contrárias à proposta.

Em jantar na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), no início de abril, Renan disse à mais da metade da bancada que o "presidente Michel Temer, com essa política econômica de arrocho, de juro alto, de aumento de imposto, de recessão, de desemprego, se não mudar, está passando a percepção que não tem para onde ir".

Em entrevista à TV Ponta Verde, de Maceió, exibida em 5 de abril, o peemedebista chegou a comparar o governo Temer à seleção de Dunga. "Do jeito que está, está parecendo com a seleção do Dunga --e não precisamos mais do Dunga, precisamos do Tite para nos levar a um porto seguro."

Dias depois, em 25 de abril, Renan criticou a reforma trabalhista, ao afirmar que o projeto "revoga direitos, reduz salário, coloca o acordado acima do legislado, na recessão, no desemprego e aumenta a pejotização, reduzindo a receita". O discurso é o contrário do que é dito pelo governo.

De olho em 2018

À frente da presidência do Senado, cargo que deixou em fevereiro, Renan, contudo, tinha outra postura. Ajudou a conduzir votações de interesse do Planalto, como a emenda à Constituição que estabeleceu um teto de gastos, votada em segundo turno em 13 de dezembro.

Nos bastidores, a avaliação da mudança de comportamento do senador é fruto de uma preocupação em aumentar sua popularidade a fim de garantir a reeleição em 2018. Renan é alvo de 13 inquéritos no STF e, se não tiver cargo eletivo, pode perder o foro privilegiado.

O senador pretende ainda assegurar a reeleição do filho, Renan Filho (PMDB), eleito governador de Alagoas em 2014. Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado em março, 72,4% dos alagoanos desaprovam o governo de Michel Temer.

Em um gesto de apoio ao Planalto, nesta segunda-feira (29), o senador baixou o tom em pronunciamento no plenário. "Agradeço ao presidente da República por sua ida a Alagoas num momento em que os alagoanos se desesperavam com a enchente. Acredito que a significativa visita terá um desdobramento satisfatório para corrigir injustiças contra o povo alagoano", afirmou.

Renan também elogiou a nomeação de Torquato Jardim para o Ministério da Justiça.

No fim de semana, Temer liberou recursos para o estado. O presidente, contudo, cobra uma postura mais governista para o parlamentar se manter na liderança.

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