MULHERES

Este vídeo vai te mostrar por que é revolucionário desromantizar a maternidade

"Eu amo o meu filho. Não sei o que eu faria sem ele. Mas eu odeio ser mãe."

29/05/2017 18:47 -03 | Atualizado 30/05/2017 17:33 -03
Reprodução
A HelMother fez um vídeo sobre maternidade desromantizada.

"Eu amo o meu filho. Não sei o que eu faria sem ele. Mas eu odeio ser mãe."

A frase é de Helen Ramos, criadora do canal Hel Mother, que há um ano se dedica a compartilhar conteúdos sobre maternidade no Youtube. Na internet, ela é muitas vezes conhecida por ser a mãe que "fala as verdades".

Em seu último vídeo, a youtuber traz outra questão: "Estão romantizando a desromantização da maternidade."

Mas o que isso significa?

Helen decidiu ser mãe após descobrir que estava grávida de um antigo relacionamento. Mas assim como muitas mulheres, ela desconhecia a maternidade.

"Mãe solteira, eu percebi que não estava cumprindo o papel pré determinado porque eu não estava casada com o pai do meu filho. Mas quem impôs isso para mim? Eu fiquei grávida e solteira, e foi ai que eu conheci o machismo", compartilha.

Em pouco mais de 20 minutos, a mãe do pequeno Caetano conta como foi o seu processo de maternidade. Ela disse que enfrentou uma depressão pós-parto e que era impedida de falar sobre isso, já que muitas vezes a doença está atrelada à ideia da "mãe ingrata" que não ama seus filhos.

Pelo contrário. Helen explica que ela ama mais que tudo o Caê, mas que odeia ser mãe devido ao "sistema patriarcal e a sociedade que exclui as mães de tudo."

"Quando eu decidi ser mãe, eu não sabia que violência obstétrica existia [...]; quando você vira mãe você pode nunca mais voltar para o mercado de trabalho[...]; eu não sabia que eu tinha muita ~sorte~ porque o pai do meu filho paga pensão [...]; ao ser mãe solteira eu não sabia que teria uma patrulha ao meu redor querendo me casar."

Foi ao enfrentar todas essas questões, e se deparar com a maternidade real, não aquela idealizada em filmes na televisão, que Helen decidiu conhecer o feminismo e livrar-se de preconceitos.

"Eu entendi que o filho não é da mãe, mas da sociedade. Todos tem responsabilidades sobre a criança [...] A partir do momento que homens criarem os filhos também eles vão perceber que é possível acontecer certas mudanças."

E chama atenção para a real importância de "desromantizar a maternidade":

"Amamentação vai continuar sendo difícil. As noites mal dormidas vão continuar sendo difíceis. Mas você pode sim falar sobre isso. Você pode pedir ajuda. Você pode e Você deve compartilhar as obrigações do seu filho. Desromantizar a maternidade é importante para que as mulheres realmente entendam o que é a maternidade e possam escolher se querem ser mães ou não."

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