POLÍTICA

Temer: 'Não me desviarei de entregar ao meu sucessor, em 2019, um país em condições bem melhores do que recebi'

Em um artigo para na Folha de S. Paulo, presidente falou sobre reformas, criticou protestos e chamou donos da JBS de 'criminosos'.

28/05/2017 12:14 -03 | Atualizado 28/05/2017 12:15 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
"Como tenho dito, o Brasil não parou e não vai parar, a despeito da crise política pela qual, reconheço, estamos passando", escreveu o presidente.

No centro dos últimos escândalos políticos, o presidente Michel Temer publicou um artigo no jornal Folha de S. Paulo neste domingo (28) sobre a importância de retomar a agenda de desenvolvimento do País.

Temer começa o texto citando o Fórum de Investimentos Brasil 2017, que começa na próxima terça, e reafirma o valor das reformas propostas por seu governo - que, segundo ele, o Brasil não se sustentaria sem elas.

"Como tenho dito, o Brasil não parou e não vai parar, a despeito da crise política pela qual, reconheço, estamos passando", escreveu o presidente, se referindo ao caos político que se instaurou no Brasil nas últimas semanas após os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, divulgarem conversas gravadas às escuras com o presidente, entre outros políticos, em um acordo de delação que ficou conhecida como "delação-bomba". Ela ainda está sob investigação do Supremo Tribunal Federal.

Temer cita os protestos em Brasília e os chama de "tumulto orquestrado contra Brasília". "Mesmo na semana passada, quando a Esplanada dos Ministérios foi atacada pelos que desprezam a democracia e buscam impor sua vontade pela violência, nossos aliados no Congresso conseguiram aprovar sete medidas provisórias e deram continuidade à votação da modernização das leis trabalhistas", disse. E acrescentou: "Isso é manter a governabilidade."

Diante do caminho que ainda falta para as reformas Trabalhista e da Previdência saírem do papel, o presidente reafirma que não renunciará.

Vamos perseverar nesta travessia. Não me desviarei de entregar ao meu sucessor, em 2019, um país em condições bem melhores do que recebi. Sem as reformas, o Brasil não se sustentará. Todos, inclusive a oposição, sabem disso.

O presidente segue com uma avaliação sobre este delicado momento de crise política. Segundo ele, é preciso considerar a Constituição o "único guia", pois é "ela quem determina o exercício harmônico e independente dos Três Poderes."

Democrata que sou, vejo a liberdade de expressão ser extrapolada por interpretações voluntaristas, sem amparo na rigorosa apuração dos fatos.

Sobre a delação dos donos da JBS, Temer limita-se a dizer que são falsas as acusações que foram alardeadas por uma "gravação clandestina, imprestável". "Aos criminosos que tudo tramaram foi dada passaporte livre para viver com luxo em qualquer parte do mundo."

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