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Drauzio Varella rebate prefeitura de SP sobre internação compulsória: 'Meu nome foi usado indevidamente'

Médico criticou ação da prefeitura de São Paulo na Cracolândia e esclareceu sua opinião sobre internação compulsória.

27/05/2017 12:31 -03 | Atualizado 27/05/2017 12:33 -03
Reprodução/Divulgação

O médico Drauzio Varella publicou um vídeo na noite da última sexta-feira (26) no qual esclarece sua opinião sobre internação compulsória e critica a ação da prefeitura de São Paulo na cracolândia. O vídeo rebate uma ação à Justiça feita pelo prefeito de São Paulo, João Doria, para internar dependentes de drogas à força.

O pedido teria como justificativa a opinião de três especialistas em duas reportagens sobre a internação compulsória. Drauzio Varella foi um dos médicos citados pelo prefeito e não gostou da "saia justa" que lhe causou.

Segundo o médico, a prefeitura não só não o consultou sobre o tema, como atribuiu uma opinião de forma errônea.

"Ao contrário do que estão afirmando, dr. Drauzio nunca foi consultado, nem nunca defendeu a internação compulsória indiscriminada como política de saúde pública", escreveu a página do Facebook do médico em uma publicação que traz sua verdadeira opinião sobre a questão.

"Meu nome foi usado indevidamente nesta confusão da prefeitura na Cracolândia", começou Varella. "Minha opinião é, e sempre foi o seguinte: sou a favor da internação compulsória daqueles usuários que estão em um estado de saúde tão precário, ou apresentam transtornos psiquiátricos tão graves, que ficam expostos a um grande risco de morte. Esses, e só esses, devem ser internados compulsoriamente", e continuou:

Quem tem que definir quais são os critérios são os médicos. É como a gente define os critérios de qual paciente precisa ser levado para a UTI.

O combate à Cracolândia

A prefeitura de São Paulo realizou uma operação policial no domingo passado para dispersar usuários de drogas na Cracolândia, centro de São Paulo. A operação prendeu traficantes, mas acabou criando uma nova cracolândia a 400 metros da extinta.

Ela também resultou na saída de Patrícia Bezerra da Secretaria de Direitos Humanos, que entregou o cargo ao prefeito depois de a operação ser chamada de "desastrosa" por movimentos de esquerda.

Na terça-feira, Doria deu um novo passo neste embate e pediu autorização à Justiça para internar os dependentes de drogas à força. Hoje, só o Ministério Público e a Justiça podem autorizar a internação compulsória, após avaliação médica.

A ação civil citou, além de Varella, o psiquiatra Arthur Guerra e o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. Os três rechaçaram a citação indevida de seus nomes e disseram que não foram procurados pela prefeitura em nenhum momento.

"Eu não disse que acho que se resolve a cracolândia com internação compulsória", disse Varella à Folha de S. Paulo.

"Se eu tivesse viajando. Mas todo mundo consegue falar comigo, então pergunta minha opinião. Não precisa pegar lá de 2013", disse Guerra, também à reportagem. E concluiu:

Eu não entendo, francamente, por que a prefeitura ou o governo têm que pedir autorização se esse é um procedimento médico. Pede autorização para o Ministério Público, isso já funciona assim e nunca teve problema dessa forma.

Na noite de ontem (26), o juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública, Emílio Migliano Neto, atendeu o pedido de tutela antecipado e a prefeitura está autorizada a abordar usuários de drogas nas ruas e levá-los compulsoriamente para uma avaliação médica.

Com a decisão, os usuários de drogas poderão ser levados para um médico, mesmo sem seu consentimento. Se o médico avaliar que é necessária a internação compulsória, é preciso uma autorização judicial, procedimento que é adotado hoje.

Esta abordagem valerá por 30 dias e poderá ser aplicada na região da Cracolândia. Por nota enviada à Agência Brasil, a prefeitura disse que a decisão vai permitir "a abordagem individualizada dos dependentes químicos". "A prefeitura reitera que este é um instrumento a ser utilizado em última instância e com total respeito aos direitos humanos", disse a administração municipal.

O Ministério Público e a Defensoria Pública vão recorrer da decisão. Não há previsão de quando a abordagem será utilizada.

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