POLÍTICA

Temer diz que irá tirar Exército das ruas de Brasília após a ‘restabelecimento da ordem’

Policiais usaram armas com munição letal e manifestante foi ferido.

24/05/2017 21:38 -03 | Atualizado 24/05/2017 22:24 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Manifestação contra presidente Michel Temer acaba em confronto com feridos em Brasília.

O presidente da República, Michel Temer, afirmou, por meio de nota, que irá retirar as Forças Armadas das ruas de Brasília após o "restabelecimento da ordem". Ele disse ainda que "não hesitará em exercer a autoridade que o cargo lhe confere sempre que for necessário".

Um decreto publicado em edição extra do Diário Oficial nesta quarta-feira autorizou o emprego do Exército entre 24 e 31 de maio em "área de atuação definida pelo Ministério da Defesa" para "Garantia da Lei da Ordem no Distrito Federal".

A medida foi tomada após manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, acabar em confronto entre manifestantes e policiais. O ato reuniu 35 mil pessoas, segundo a PM, e 150 mil, de acordo com organizadores. Manifestantes pediam a saída de Temer e a convocação de novas eleições.

Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que as manifestações "produziram atos de violência e vandalismo que, lamentavelmente, colocaram em risco a vida e a incolumidade de servidores que trabalham na Esplanada dos Ministérios".

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) afirmou, também em nota, que não foi informado sobre a decisão do governo federal e que considerou a medida "extrema".

Para surpresa do Governo de Brasília, a Presidência da República decidiu na tarde de hoje recorrer ao uso das Forças Armadas, medida extrema adotada sem conhecimento prévio e nem anuência do Governo de Brasília.

De acordo com Rollemberg, a Polícia Militar do Distrito Federal agiu de acordo com o Protocolo Tático Integrado assinado pelos governos federal e distrital, no mês passado, "em que a segurança dos prédios públicos federais ficou sob a responsabilidade da União".

O governador destacou que "em todas as 151 manifestações realizadas nos últimos dois anos, as forças de segurança federal e distrital agiram de maneira integrada e colaborativa". Disse ainda que a PM agiu com "eficácia e eficiência, demonstrando estar plenamente apta ao regular desempenho de sua missão constitucional". "Eventuais excessos serão rigorosamente apurados", completou.

Policiais usaram armas

Além de spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, policiais militares do Distrito Federal usaram armas com munição letal durante manifestação contra o governo de Michel Temer e pela convocação de eleições diretas nesta quarta.

A Secretaria de Segurança Pública confirmou que um homem foi baleado e passava por cirurgia no Hospital de Base de Brasília.

Outro manifestante teve a mão ferida no protesto. De acordo com o G1, o homem tentava atirar um rojão na direção dos policiais militares, mas foi surpreendido com a explosão do objeto antes do lançamento.

Um vídeo divulgado pelo jornal O Globo mostra dois policiais atirando com armas de fogo na direção dos manifestantes, próximo ao Ministério da Agricultura.

De acordo com boletim divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, por volta das 19h30, 49 pessoas ficaram feridas. Sete pessoas foram detidas, suspeitas de dano ao patrimônio público, desacato e porte ilegal de arma.

O prédios do Ministério da Agricultura e o que abriga o Ministério da Cultura e o Ministério do Meio Ambiente foram incendiados e o prédio do Ministério do Planejamento também foi atingido pelas chamas.

Os edifícios dos ministérios do Trabalho, Fazenda, Turismo, Minas e Energia e Integração Nacional foram depredados. Funcionários públicos foram dispensados e os prédios foram esvaziados. Monumentos como a Catedral Metropolitana e o Museu da República, que também ficam na Esplanada, foram alvos de pichações.

PM irá investigar

O Comando da Polícia Militar do Distrito Federal informou, na noite desta quarta-feira (24), que vai "analisar e apurar" a conduta de policiais da corporação.

"Temos que analisar todas as circunstâncias, como o policial se sentiu [no momento]. Foi uma situação não recomendada, mas já estamos apurando", afirmou o comandante-geral da PM, coronel Marco Antônio Nunes. De acordo com ele, nenhum policial é instruído para uso de arma de fogo em manifestação.

"Outras imagens captadas em um ângulo diferente mostram que disparos foram efetuados contra esses policiais. Informamos ainda que diversos policiais civis e agentes penitenciários participaram armados da manifestação", afirmou a PM, em nota.

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