POLÍTICA

Governo libera Exército para atuar em Brasília até 31 de maio

Deputados brigam dentro do plenário após manifestantes ficaram feridos em protesto contra Temer.

24/05/2017 17:34 -03 | Atualizado 24/05/2017 18:30 -03
Paulo Whitaker / Reuters
Governo Federal libera Exército para atuar em Brasília após manifestação contra presidente Michel Temer.

O clima de conflito na Esplanada dos Ministérios não se limitou ao lado de fora do Congresso nesta quarta-feira (24). No plenário da Câmara dos Deputados, parlamentares se empurram após discussão sobre atuação das Forças Armadas em protesto contra o presidente Michel Temer.

Em pronunciamento, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que "tropas federais já se encontram" no Palácio do Planalto, no Palácio do Itamaraty e que "logo mais estão chegando tropas para assegurar que os prédios dos ministérios sejam mantidos incólumes".

Um decreto publicado em edição extra do Diário Oficial autorizou o emprego do Exército entre 24 e 31 de maio em "área de atuação definida pelo Ministério da Defesa" para "Garantia da Lei da Ordem no Distrito Federal".

De acordo com Jungmann, a decisão do presidente da República foi tomada a pedido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O senhor presidente faz questão de ressaltar que é inaceitável a baderna, que é inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venh a turbar um processo como esse que se desenvolve de forma democrática e com respeito as instituições.Raul Jungmann

Maia negou que tenha solicitado o Exército e disse que pediu a atuação das Força Nacional. "Meu pedido ao governo foi da Força Nacional", afirmou no plenário após início de briga entre parlamentares.

No documento enviado à Presidência da República, o democrata pede "a imediata realização pela Força Nacional de Segurança Pública de atividades de coordenação de ações e operações integradas de segurança em grandes eventos, nas adjacências do Parlamento".

Apó a confusão, a sessão foi interrompida pela segunda vez na tarde de hoje. Mais cedo, a oposição subiu na Mesa do plenário e pediu a saída de Temer e a convocação de eleições diretas.

Protesto e confronto

Na Esplanada, as forças de segurança usaram spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha após início de tumulto. Senadores da oposição que participaram da manifestação relataram que a confusão foi provocada por um pequeno grupo mascarado.

O prédio do Ministério da Agricultura foi incendiado e os prédios dos ministérios do Trabalho, Fazenda e Integração Nacional foram depredados. Funcionários públicos foram dispensados e os prédios foram esvaziados.

A atuação da polícia levou à dispersão do ato. Cerca de 150 mil pessoas participaram da manifestação, de acordo com organizadores. Já a Secretaria de Segurança do Distrito Federal estimou em 35 mil pessoas às 15h50. Segundo a Secretaria, quatro pessoas foram detidas — três por porte de entorpecentes e armas brancas. Um manifestante foi ferido após a explosão de um rojão que manipulava, segundo a PM.

Protesto contra Temer em Brasília

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