POLÍTICA

Dos 5 assessores especiais de Temer, 4 já deixaram o governo

Com a demissão de Sandro Mabel, só sobrou o advogado tributarista Gastão Toledo.

24/05/2017 12:51 -03 | Atualizado 24/05/2017 12:53 -03
Reprodução/Facebook
Sandro Mabel entregou a carta de demissão ao presidente Michel Temer na noite de terça-feira (23).

A enorme sala aberta no Palácio do Planalto para abrigar os cinco mosqueteiros do presidente Michel Temer está cada dia mais vazia. Com o pedido de demissão do ex-deputado Sandro Mabel, só sobrou o advogado tributarista Gastão Toledo.

Enrolados em investigações judiciais, os outros três auxiliares - Tadeu Filippelli, Rodrigo Rocha Loures e José Yunes - tiveram que deixar a sala projetada especialmente para abrigar os assessores especiais do presidente.

A exoneração de Mabel foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24). A carta com pedido de demissão foi entregue ao presidente na terça-feira (23). Ele argumenta motivos familiares e de negócios. Diz ainda que já havia informado ao presidente o interesse em deixar o governo no fim do ano passado.

Assim como os outros três assessores que já saíram, Mabel é alvo de um pedido de instauração de inquérito feito pelo Ministério Público Federal em Goiás, que apura pagamentos da Odebrecht para a campanha para deputado federal de Mabel em 2010. A suspeita é de que ele teria recebido R$ 100 mil por caixa dois.

Baixas

Alvo da Operação Paratenaico que investiga superfaturamento na reforma do Estádio Nacional Mané Garrincha, Filippelli foi preso na terça pela Polícia Federal. Após a prisão, ele foi demitido do cargo.

Em março, quando Osmar Serraglio deixou a Câmara para assumir o Ministério da Justiça, Rocha Loures, suplente do deputado, deixou o Planalto para assumir a cadeira no Congresso. Dois meses depois, teve o mandato suspenso com a divulgação da delação da JBS.

No material entregue à Procuradoria-Geral da República, há uma gravação na qual o presidente Michel Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures para resolver assuntos da J&F. Há ainda imagens que mostram Loures recebendo uma mala com R$ 500 mil.

José Yunes foi o primeiro mosqueteiro de Temer a deixar o Planalto. Ele pediu demissão em dezembro depois de ter sido citado na delação do ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. O delator diz que entregou no escritório de Yunes, em dinheiro vivo, parte da propina de R$ 10 milhões. O dinheiro teria sido pedido por Temer ao presidente da empreiteira.

Sobrevivente

O único sobrevivente, Gastão Toledo foi designado em fevereiro pelo presidente para cuidar da reforma trabalhista. Conselheiro para questões jurídicas, Toledo também tem auxiliado o presidente no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer em tramitação na Justiça Eleitoral.

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