POLÍTICA

Diretas Já: Protesto enche Brasília pela saída de Temer e novas eleições

Movimentos sociais entregam 220 mil assinaturas na Câmara por novas eleições diretas.

24/05/2017 15:31 -03 | Atualizado 24/05/2017 15:43 -03
Paulo Whitaker / Reuters
Manifestantes se reúnem em Brasília para pedir saída do presidente Michel Temer.

Enquanto aliados do presidente Michel Temer tentam articular a saída do peemedebista com eleições indiretas, manifestantes foram às ruas nesta quarta-feira (24) pedir que a população escolha o novo presidente do País.

De acordo com a Frente Brasil Popular, que reúne organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) foram 150 mil pessoas reunidas em Brasília. Já a Secretaria de Segurança Pública do Distroto Federal informou que o ato reunia 25 mil pessoas no entorno do estádio Mané Garrincha até as 11h30.

A Força Sindical também participou da manifestação. A entidade é presidida pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), aliado de Temer, mas contrário às reformas trabalhista e da Previdência.

A concentração começou por volta de 11h da manhã e os manifestantes desceram pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, onde a segurança foi reforçada. Cerca de 1,5 mil profissionais da Polícia Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros trabalham no protesto.

Conflito e repressão

Quando os grupos chegaram ao bloqueio ao redor do Congresso, alguns manifestantes com máscaras anti gás e camisas da Força Sindical forçaram as grades e a polícia usou spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

A ex-candidata ao Palácio do Planalto pelo PSOL, Luciana Genro, também denunciou a atuação da PM.

No plenário da Câmara, deputados da oposição como José Guimarães (PT-CE) relataram que parlamentares foram agredidos no protesto. "Fui socorrido por um menino", afirmou. Ele defendeu que não tinha como continuar os trabalhos no plenário diante desse cenário.

Os manifestantes colocaram fogo no Ministério da Agricultura e depredaram os ministérios do Trabalho, da Agricultura, da Fazenda e de Minas e Energia. Neste último, de acordo com o G1, a frase "diretas já" foi pichada na fachada.

Lula marques/ AGPT

220 mil assinaturas

No início da tarde, representantes da UNE e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), 220 mil assinaturas com pedidos de Diretas Já. Integrantes de centrais sindicais também se reuniram com o democrata.

Nesta segunda, o jornal The Guardian publicou um editoral em que defende novas eleições diretas no Brasil, diante da crise política. "Os políticos brasileiros colocaram o País nessa confusão. Eles deveriam deixar os 143 milhões de eleitores decidirem como sair disso", diz o texto.

O caminho das diretas

A oposição tanto na Câmara quanto no Senado tenta aprovar uma emenda à Constituição para permitir eleições diretas no caso de vacância da Presidência da República.

Nesta quarta-feira, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) leu o parecer a favor da PEC 67/2016, de autoria do senador Reguffe (sem partido-DF) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O texto prevê a realização de eleição direta para presidente e vice-presidente da República em caso de vacância dos cargos nos três primeiros anos do mandato. O presidente do colegiado, senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que o relatório pode ser votado na próxima semana.

Se for aprovado no colegiado, o texto precisa ainda do aval de dois terços dos senadores, em dois turnos, para segui para a Câmara.

Na Câmara, a oposição tenta votar a PEC 227/2016, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que permite o pleito direto até seis meses antes do fim do mandato presidencial.

Nesta terça-feira (23), governistas adiaram a votação da proposta na CCJ da Câmara. O presidente do colegiado, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), afirmou que marcará uma sessão extraordinária específica para discutir o tema, mas ainda não confirmou a data. A expectativa é que seja na próxima quarta-feira (31).

Se o texto for aprovado, precisa ainda do apoio de dois terços dos deputados antes de seguir para o Senado.

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