POLÍTICA

O ministro que não deixa o cargo apesar de o partido ter abandonado Temer

Aos 33 anos, Fernando Bezerra Filho pode ser expulso do PSB se não sair do Ministério de Minas e Energia.

22/05/2017 20:03 -03 | Atualizado 23/05/2017 09:17 -03
Bloomberg via Getty Images
Ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, corre o risco de ser expulso do PSB se não deixar governo de Michel Temer.

Deputado federal mais jovem do Brasil ao ser eleito aos 22 anos em 2006, o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, se encontra em uma situação controversa: o PSB, partido a que é filiado, rompeu com o governo de Michel Temer, mas ele insiste em manter o cargo.

Filho do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), o deputado federal licenciado decide até quarta-feira (24) se deixa o posto. Ele enviou mensagem a seus correligionários nesta segunda-feira (22), informando que quer consultar as bancada da Câmara e do Senado antes de tomar sua decisão.

No sábado, a legenda anunciou o desembarque do governo, após Temer se tornar protagonista de uma crise política. O presidente é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa no âmbito da delação premiada da JBS na Operação Lava Jato.

Desde o ano passado, a sigla tem discutido o desembarque diante da agenda progressista do peemedebista, com foco nas reformas previdenciária e trabalhista.

Mesmo no início do governo Temer, a Executiva Nacional do PSB não chancelou institucionalmente a indicação de Bezerra Filho. A escolha de Temer foi feita de olho no apoio da legenda no Congresso, onde o deputado licenciado tem influência.

Apesar da crise política, Bezerra Filho mantém uma postura governista. Ele e o pai se reuniram com Temer no fim de semana, em demonstração de apoio no momento em que o peemedebista se vê isolado.

Em entrevista à Folha de São Paulo publicada nesta segunda, o presidente minimizou a debandada do PSB e afirmou que o partido já havia deixado o governo por ser contrário à reforma da Previdência.

O PPS também anunciou a saída da base e o titular da Cultura, Roberto Freire, deixou o posto. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, contudo, manteve o cargo alegando questões estratégicas de segurança do País.

Expulsão

O PSB fechou questão em abril contra as mudanças na aposentadoria e contra a reforma trabalhista. Isso significa que integrantes do partido que votarem a favor das propostas podem sofrer punições, como a expulsão.

Bezerra Filho é alvo de um processo disciplinar no Conselho de Ética do PSB justamente por ter votado a favor das alterações na CLT. Em abril, ele voltou ao posto de deputado federal para apoiar Temer.

Nesta segunda-feira, o diretório nacional do PSB afirmou, em nota, que a permanência do ministro no governo agrava sua situação na legenda.

A sanção que eventualmente se venha a aplicar terá por fundamento não apenas a infringência de disposições partidárias, mas a insensibilidade política para com as urgências dos segmentos populares, que um partido socialista deve necessariamente representar.

Pai do ministro, Fernando Bezerra Coelho foi titular da pasta de Integração Nacional de 2011 a 2013, no governo de Dilma Rousseff (PT). No impeachment, contudo, votou a favor do afastamento da petista.

O senador passou também pela Câmara e foi três vezes prefeito de Petrolina, maior cidade do sertão pernambucano.

Em 3 de outubro de 2016, foi denunciado na Operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de receber propina de cerca de R$ 41 milhões. A defesa do parlamentar afirma que todas as contas da campanha foram aprovadas pela Justiça eleitoral.

A família Coelho faz parte de uma das oligarquias políticas mais longevas do Nordeste e dá nome de parques até o aeroporto em Petrolina.

Filho foi três vezes deputado federal, sendo o parlamentar mais votado do sertão pernambucano em 2010 e 2014.

No Congresso, foi líder da bancada e apresentou projetos favoráveis ao agronegócio e à indústria automobilística. O ministro é formado em administração de empresas pela Faap, em São Paulo.

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