POLÍTICA

Defesa de Temer agora quer investigação no Supremo para 'provar inocência' do presidente

Perícia contratada pela defesa do presidente Michel Temer encontra 'pontos de obscuridade' e advogado diz que gravação é 'imprestável'

22/05/2017 17:13 -03 | Atualizado 22/05/2017 17:13 -03
EVARISTO SA via Getty Images

A defesa do presidente Michel Temer agora quer que a investigação contra o presidente siga adiante para provar a "inocência" de Temer.

O pedido formal para desistência da suspensão do inquérito foi feito ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda-feira (22).

Segundo o advogado Gustavo Guedes, perícia contratada pela defesa encontrou 70 "pontos de obscuridade" no áudio da conversa entre Joesley Batista, da JBS, e o presidente. Na avaliação dele, a gravação é "imprestável".

Guedes conversou com a imprensa em Brasília, logo após ser recebido pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF.

Suspensão do inquérito

O pedido de suspensão do inquérito estava previsto para ser apreciado pelo plenário da Corte na quarta-feira (24), no entanto, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, decidiu condicionar a data à perícia.

Segundo ela, foi decisão de Fachin incluir o tema na pauta só depois de "concluída e juntada aos autos a perícia".

Com base em informações da Folha de S.Paulo de que o áudio teria cortes, o presidente pediu a suspensão do inquérito ao STF e afirmou que a gravação foi manipulada e adulterada com "objetivos nitidamente subterrâneos".

A possível edição no áudio, entretanto, é contestada. Em nota, a J&F, controladora da JBS, garante que o áudio entregue à Procuradoria-Geral da República não tem nenhuma edição. "É natural que, nesse momento, em função da densidade das delações, surjam tentativas de desqualificá-las."

Há ainda o relato da rádio CBN de que o rádio do carro de Joesley estava sintonizado na emissora quando ele chegou e saiu da residência oficial. Pela programação que ele ouvia, a gravação não foi editada, pois o intervalo entre o tempo que ele entra e sai do carro dá cerca de 36 minutos, o mesmo tempo de intervalo do programa que ele ouvia.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, a delação da JBS se sustenta em outros documentos, além da gravação, e implica o presidente Michel Temer em pelo menos três crimes: corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Juristas ouvidos pela Folha de S.Paulo, apontam ainda os crimes de corrupção ativa e prevaricação.

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