POLÍTICA

House of Cards? ‘O que vivemos hoje está mais para The Walking Dead', diz procurador da Lava Jato

“Essa história de horror tem que acabar", diz o procurador Carlos Fernando Dos Santos Lima.

20/05/2017 13:45 -03 | Atualizado 20/05/2017 13:47 -03

Até House of Cards já desistiu de competir com a realidade brasileira, já apelidada de versão tupiniquim da série da Netflix.

O tuíte foi publicado no dia em que foi noticiada a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, que comprometem o presidente Michel Temer e já custou a suspensão do mandato de senador de Aécio Neves (PSDB-MG).

Com esse novo capítulo, a política brasileira foi alçada a competidora de outra série: The Walking Dead. Uma verdade história de horror. A definição é de uma autoridade envolvida no passo a passo do roteiro brasileiro, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato.

No Facebook, o procurador desabafou:

Não há como comparar a crise brasileira com a série House of Cards. O que vivemos hoje está mais para The Walking Dead, onde hordas de mortos-vivos, apodrecidos de alma e corpo, passam entre nós, contaminando tudo que poderia ser bom com o vírus da imoralidade e da corrupção.

Falando como cidadão, ele pediu o fim deste enredo: "Essa história de horror tem que acabar. Não é possível admitir mais que esse cadáver do sistema político-partidário continue a apodrecer tudo o que toca".

Para Carlos Fernando dos Santos Lima, não dá para negar que as gravações são "estarrecedoras". Segundo ele, não dá para usar as motivações econômicas como argumento para manter o presidente no comando do País.

Devemos lutar contra TODOS eles. (...) Se não fizermos isso, corremos todos nós o risco de que sejamos um país de zumbis morais.

Os crimes de Temer

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, a delação da JBS implica o presidente Michel Temer em pelo menos três crimes: corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Juristas ouvidos pela Folha de S.Paulo, apontam ainda os crimes de corrupção ativa e prevaricação.

Joesley diz que o presidente deu aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A assessoria de Temer diz que ele "jamais" solicitou pagamentos indevidos. Diz ainda que ele não autorizou qualquer movimento para evitar que Cunha colaborasse com a Justiça.

Nas gravações da delação, divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal na sexta-feira (19), Joesley conta sua relação com o peemedebista e relata uma série de crimes, como doações ilegais a partidos políticos em troca de vantagens indevidas. A JBS fez repasses a 1.829 candidatos de 28 partidos.

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