POLÍTICA

STF suspende mandato de Aécio Neves e manda prender Andrea Neves, irmã do tucano

Pedido de prisão de prisão contra o tucano foi negado e será encaminhado ao plenário da Corte, caso a PGR entre com recurso.

18/05/2017 08:49 -03 | Atualizado 18/05/2017 12:25 -03
Ueslei Marcelino / Reuters

Aécio Neves não é mais senador. Ele foi afastado do cargo nesta quinta-feira (18) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), depois de aparecer em áudio no qual pede R$ 2 milhões aos donos da JBS.

A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República que também pediu a prisão do senador. O pedido foi negado e será encaminhado ao plenário da Corte, caso a PGR entre com recurso.

O Supremo decidiu ainda expedir um mandado de prisão preventiva contra a irmã dele, Andrea Neves, e o procurador da República Ângelo Goulart Vilela.

Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial do presidente Michel Temer, também foi afastado do cargo de deputado federal. O senador Zezé Perrella (PMDB-MG), o braço direito do ex-deputado Eduardo Cunha Altair Alves e o coronel João Baptista Lima Filho também são alvos da operação

A ação ocorre logo após a divulgação da informação de que, no dia 24 de março, Aécio, que é presidente do PSDB, pediu ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, R$ 2 milhões para pagar sua despesa com a defesa na Operação Lava Jato.

Joesley: Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.

Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho...

Aécio se refere ao primo Frederico Medeiros. O diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, foi designado para entregar o dinheiro em quatro remessas.

Um dos encontros foi filmado pela Polícia Federal. Investigações mostram que o dinheiro foi parar em na conta de um secretário parlamentar do senador Zeze Perrella, aliado do tucano.

Na quarta-feira (17), Aécio negou envolvimento no caso e disse estar "absolutamente tranquilo".

A gravação mostra ainda o presidente Michel Temer dando aval ao empresário para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: 'Tem que manter isso, viu?'", diz trecho da reportagem do jornal O Globo.

Temer também negou. Disse que " jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

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