POLÍTICA

Obstrução à Justiça motiva novo pedido de impeachment de Temer

Até integrantes da base apoiam afastamento de peemedebista.

18/05/2017 17:06 -03 | Atualizado 18/05/2017 17:06 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Presidente Michel Temer diz que não renuncia ao cargo.

A oposição se juntou para apresentar um novo pedido de impeachment do presidente Michel Temer, a ser protocolado na Câmara dos Deputados na tarde desta quinta-feira (18).

O documento pede o afastamento do peemedebista por obstrução à Justiça. Esse é o conteúdo do inquérito aberto hoje pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, o peemedebista deu aval pagamentos de R$ 500 mil por semana - durante 20 anos - para que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ficasse calado.

A oposição argumenta que Temer cometeu crime de responsabilidade, previsto na Lei 1.079/1950, conhecida como "lei do impeachment".

O pedido tem apoio das bancadas do PCdoB, PT, PDT, PSol e Rede. Deputados da base, como Júlio Delgado (PSB-MG), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e Givaldo Carimbão (PHS-AL) também participam da articulação.

"Há um flagrante publicizado de uma tentativa de obstrução à Justiça", afirmou o líder do PSOL na Câmara, deputado Glauber Braga (RJ). "Não existe uma outra solução para um programa político que não sejam novas eleições diretas", completou.

O grupo defende a aprovação de uma emenda à Constituição para que sejam convocadas eleições diretas. A emenda, de autoria do deputao Miro Teixeira (Rede-RJ) será tratado na próxima terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

Na noite de ontem, o líder da Rede, deputado Alessandro Molon (RJ) protocolou um pedido de impeachment contra Temer com o argumento de que houve crime de improbidade administrativa.

Cabe ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceitar ou arquivar os pedidos. Aliado de Temer, o democrata também é citado na Lava Jato.

O autor de outro pedido de impeachment de Temer, o advogado Mariel Marley Marra, também entregou nesta quinta um aditamento após as revelações da JBS. Também cabe a Maia aceitar ou não o documento.

A acusação original feita por Marra é pela edição de decretos suplementares, um dos fatores que levou à saída de Dilma Rousseff. Este é o pedido de impeachemnt com tramitação mais adiantada, uma vez que o STF obrigou a Câmara a instalar a comissão especial sobre o tema. Líderes partidários, contudo, ainda não indicaram membros para compor o colegiado.

Temer nega as acusações e afirmou, nesta quinta -feira, que não renuncia. "Não comprei o silêncio de ninguém", afirmou.

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