POLÍTICA

O áudio que comprova a conversa entre Temer e Joesley, da JBS

'Tem que manter isso aí', diz o presidente sobre mesada para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

18/05/2017 19:27 -03 | Atualizado 18/05/2017 19:48 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Presidente Michel Temer

A defesa do presidente Michel Temer, feita nesta quinta-feira (18) em rede nacional, é com relação a conversa na qual ele dá aval ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, para continuar pagando pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A gravação, feita em março, é peça-chave da delação. Temer resistiu em fazer um pronunciamento até ter certeza de que o material realmente existia.

No áudio, anexado a delação premiada de Joesley, o empresário comenta com Temer que está pagando R$ 500 mil por semana ao ex-presidente da Câmara. Ao ouvir, Temer afirma: 'Tem que manter isso, viu?'

A mesada de Cunha, segundo o delator, foi acertada em R$ 500 mil semanais por 20 anos, totalizando R$ 480 milhões.

Segundo Temer, ele só soube que o empresário estava ajudando a família de Cunha naquele momento. Mais cedo, segundo o jornal Estado de S.Paulo, Temer disse a aliados que Cunha estava passando por dificuldades.

"'O presidente disse que ele (Joesley) veio falar de problemas e a certa altura mudou o tema e falou que Cunha estava passando por dificuldades'", afirmou um interlocutor ao Estadão.

O jornal continua: "Segundo essa fonte, Temer afirmou então: 'Ai eu disse, tudo bem, faça isso, o que eu iria dizer? Que não? Não cabia, não podia, não tinha nada para falar', justificou Temer aos aliados".

No pronunciamento, Temer disse que não teme nenhuma delação. "Não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente", acrescentou.

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