POLÍTICA

'Não renunciarei e não comprei silêncio de ninguém', diz Temer

De acordo com delação da JBS, peemedebista incentivou o pagamento de R$ 500 mil para que Eduardo Cunha ficasse calado.

18/05/2017 16:28 -03 | Atualizado 18/05/2017 16:29 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Presidente Michel temer é acusado de obstrução à Justiça.

Acusado de obstruir a Justiça, o presidente Michel Temer afirmou, em pronunciamento na tarde desta quinta-feira (18), que não irá renunciar ao cargo e que não comprou "o silêncio de ninguém".

"Não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos", afirmou. O peemedebista informou que aguarda detalhes do inquérito e negou irregularidades.

Em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder. Sempre honrei meu nome.

Nesta quinta, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para investigá-lo por obstrução à Justiça.

De acordo com áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, o peemedebista deu aval pagamentos de R$ 500 mil por semana - durante 20 anos - para que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ficasse calado.

No caso de renúncia de Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PMDB-RJ), também investigado na Lava Jato, assume o comando do País provisoriamente. Ele teria de convocar o Congresso para que seja feita um eleição indireta em que será definido quem ocupa o Palácio do Planalto até o fim de 2018.

Pela manhã, em reunião com parlamentares, Temer se disse seguro para continuar no cargo e afirmou que era vítima de uma "conspiração", agora que o Brasil iniciava a recuperação econômica.

No pronunciamento desta tarde ele voltou a destacar avanços econômicos e defendeu que seu "compromisso é com o Brasil".

A pressão pela renúncia cresceu desde a noite de ontem tanto pela atuação da oposição quanto da base. O PSDB anunciou nesta quinta que os quatro ministros deixariam os cargos caso as investigações avançassem. A bancada do PPS na Câmara pediu a renúncia e integrantes do PSB, dois partidos aliados de Temer, participam da articulação pelo impeachment do peemedebista.

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