POLÍTICA

Marina Silva: 'O presidente não está mais em condições de governar o Brasil'

A ex-senadora quer a aprovação de Proposta de Emenda à Constituição para antecipar eleições diretas.

18/05/2017 09:54 -03 | Atualizado 18/05/2017 10:40 -03

Logo após a divulgação das conversas comprometedoras entre Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, e do presidente Michel Temer, a ex-senadora Marina Silva (Rede) se posicionou mais uma vez por novas eleições presidenciais.

"A crise política está se agravando de forma dramática", sentencia. "O presidente não está mais em condições de governar o Brasil."

"A fraude eleitoral de 2014 já sinalizava: nem Dilma nem Temer teriam condições e legitimidade de conduzir o País", destacou a ex-ministra, que ficou em terceiro lugar nas eleições de 2014, atrás de Dilma Rousseff, que sofreu impeachment por crime de responsabilidade, e de Aécio Neves, que nesta quinta-feira (18) teve o mandato de senador suspenso, também por conta de gravações de Batista.

Para Marina, "mais uma vez, sabotaram os fundamentos da República e da democracia".

Ela defende a antecipação de novas eleições a partir da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que antecipa a realização de eleições diretas, apresentada pelo deputado Miro Teixeira (Rede/RJ).

Acusações graves

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Michel Temer incentivou pagamento da JBS pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Na semana passada, os donos da JBS, Joesley Batista e o irmão Wesley, levaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) gravações de conversa com Temer.

Em um dos diálogos incriminadores, Batista diz que paga uma mesada para Cunha e Lúcio Funaro, operador dele em esquema de corrupção, para permanecerem calados. Temer foi gravado consentindo: "Tem que manter isso, viu?".

Em outra conversa gravada, Temer indica a Joesley procurar o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-RJ) para resolver problemas da JBS. De acordo com Lauro Jardim, a Polícia Federal filmou Rocha Loures recebendo propina de R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da JBS.

Essa delação precisa ser homologada pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, para ser considerada uma prova legal.

Outro lado

Em nota, o Palácio do Planalto negou que Temer tenha pedido pagamento de silêncio de Cunha. Disse também que nunca tentou frear delações.

Leia a íntegra:

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."

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