POLÍTICA

FHC: 'O País tem pressa para restabelecer moralidade dos homens públicos'

Ex-presidente, ícone do PSDB, sugere renúncia dos implicados na Operação Lava Jato.

18/05/2017 14:21 -03 | Atualizado 19/05/2017 10:31 -03
Paulo Whitaker / Reuters
FHC defende que a Constituição seja respeitada.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ícone do PSDB, um dos partidos mais atingidos pela delação-bomba da JBS, defendeu nesta quinta-feira (18) que os implicados esclareçam as novas acusações.

Sublinhando o respeito à Constituição, ele exigiu a quebra de sigilo das gravações para se conhecer a integralidade do conteúdo da denúncia de Joesley Batista, que acusou o presidente Michel Temer de incentivar pagamento de mesada pelo silêncio do ex-presidente da Câmara.

O presidente do PSDB, Aécio Neves, também foi alvo de gravações de Batista. Ele foi flagrado pedindo R$ 2 milhões ao dono da JBS para pagar despesas com sua defesa da Operação Lava Jato.

Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar que são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia.Fernando Henrique Cardoso, em post no Facebook.

Para FHC, o Brasil quer virar a página da corrupção.

"O País tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações", explica FHC. "Pressa para ver na prática medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos", conclui.

Após a delação, o PSDB decidiu tirar Aécio do comando do partido e sair do governo Temer.

Acusações graves

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Michel Temer incentivou pagamento da JBS pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Na semana passada, os donos da JBS, Joesley Batista e o irmão Wesley, levaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) gravações de conversa com Temer.

Em um dos diálogos incriminadores, Batista diz que paga uma mesada para Cunha e Lúcio Funaro, operador dele em esquema de corrupção, para permanecerem calados. Temer foi gravado consentindo: "Tem que manter isso, viu?".

Em outra conversa gravada, Temer indica a Joesley procurar o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-RJ) para resolver problemas da JBS. De acordo com Lauro Jardim, a Polícia Federal filmou Rocha Loures recebendo propina de R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da JBS.

Essa delação precisa ser homologada pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, para ser considerada uma prova legal.

Outro lado

Em nota, o Palácio do Planalto negou que Temer tenha pedido pagamento de silêncio de Cunha. Disse também que nunca tentou frear delações.

Leia a íntegra:

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."

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