POLÍTICA

Fachin nega pedido de prisão de Aécio. Caso só vai ao Plenário se houver recurso

O ministro também homologou a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. 

18/05/2017 12:33 -03 | Atualizado 18/05/2017 12:33 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Aécio foi afastado do cargo de senador depois de aparecer em áudio no qual pede R$ 2 milhões aos donos da JBS.

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, no Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de prisão de Aécio Neves (PSDB). O caso só vai a plenário caso a Procuradoria-Geral da República entre com recurso.

Fachin determinou que Aécio não tenha contato com outros investigados e o proibiu de deixar o país.

O ministro também homologou a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS.

Entenda o caso

Aécio foi afastado do cargo de senador na manhã desta quinta-feira (18) pela Corte, depois de aparecer em áudio no qual pede R$ 2 milhões aos donos da JBS.

Em diálogo gravado por Joesley, ele negocia a entrega da propina:

Joesley: Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.

Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho...

Aécio se refere ao primo Frederico Medeiros. O diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, foi designado para entregar o dinheiro em quatro remessas.

Um dos encontros foi filmado pela Polícia Federal. Investigações mostram que o dinheiro foi parar em na conta de um secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (MG), aliado do tucano.

Na quarta-feira (17), Aécio negou envolvimento no caso e disse estar "absolutamente tranquilo".

A gravação mostra ainda o presidente Michel Temer dando aval ao empresário para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: 'Tem que manter isso, viu?'", diz trecho da reportagem do jornal O Globo.

Temer também negou. Disse que " jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

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