POLÍTICA

Contra a parede: Fachin abre inquérito e a investigação contra Michel Temer começa

A investigação pode culminar com um pedido do STF para afastar Temer do cargo.

18/05/2017 15:11 -03 | Atualizado 18/05/2017 15:11 -03
Ueslei Marcelino / Reuters

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para investigar o presidente Michel Temer (PMDB) por obstrução à Justiça.

A investigação pode culminar com um pedido do STF para afastar Temer do cargo. Caso seja feito, o pedido, entretanto, é encaminhado à Câmara dos Deputados. Para que o presidente seja afastado é necessária a aprovação de 342 deputados, mesmo placar que aprova a admissibilidade um processo de impeachment.

Temer será investigado pela compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em outubro de 2016. De acordo áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, Temer deu aval para que ele continuasse a pagar R$ 500 mil por semana - durante 20 anos - para que Cunha ficasse calado.

Reportagem do jornal O Globo diz que "Temer ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: 'Tem que manter isso, viu?'".

Na quarta-feira (17), em nota, Temer afirmou que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha". Disse ainda que "não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

Temer confirmou o encontro que o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu. "Mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República", emenda a nota de defesa do presidente.

'Tem que manter isso, viu?'

Segundo o Estadão, Temer afirmou a aliados que a frase foi tirada de contexto. O peemedebista disse que a família de Cunha estava passando por problemas financeiros.

"'O presidente disse que ele (Joesley) veio falar de problemas e a certa altura mudou o tema e falou que Cunha estava passando por dificuldades'", afirmou um interlocutor ao Estadão.

O jornal continua: "Segundo essa fonte, Temer afirmou então: 'Ai eu disse, tudo bem, faça isso, o que eu iria dizer? Que não? Não cabia, não podia, não tinha nada para falar', justificou Temer aos aliados".

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