POLÍTICA

Após delação da JBS, Aécio vai deixar comando do PSDB e partido estuda deixa governo Temer

Desembarque é considerado crucial para enfraquecimento do peemedebista.

18/05/2017 13:32 -03 | Atualizado 18/05/2017 18:15 -03
Montagem / Agência Brasil
Delaçaõ da JBS complica presidente Michel Temer e seandor Aécio Neves (PSDB-MG).

O PSDB decidiu tirar Aécio Neves da presidência do partido e estuda deixar a base do governo do presidente Michel Temer. A decisão vem horas depois de o Supremo Tribunal Federal afastar o tucano do cargo de senador e um dia após revelação de que o presidente da República, Michel Temer, teria negociado o pagamento de R$ 500 mil para que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ficasse calado.

Aécio é acusado de receber R$ 2 milhões da JBS para custear despesas com a defesa em processos aos quais responde no âmbito da Operação Lava Jato.

Após reunião iniciada na manhã desta quinta-feira (18), o partido anunciou que o senador irá oficializar nas próximas horas um licenciamento do posto. Com isso, o vice-presidente mais velho da legenda, o ex-vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, irá marcar uma reunião interna em até 24 horas para escolher o novo comando entre os oito vices da sigla.

Mais cedo, as bancadas da Câmara e do Senado defenderam que o vice-presidente jurídico da sigla, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), assumisse o posto. Em seguida, o diretório nacional do partido poderia confirmar a decisão ou convocar uma nova eleição.

No final da tarde, contudo, o líder da legenda no Senado, Pualo Bauer (SC), anunciou que o senador Tasso Jereissati (CE) assumiu o posto.

"Mantendo sua responsabilidade com o país, que enfrenta uma crise econômica sem precedentes, o PSDB pediu aos seus quatro ministros que permaneçam em seus respectivos cargos, enquanto o partido, assim como o Brasil, aguarda a divulgação do conteúdo das gravações dos executivos da JBS", disse Jereissati, em nota.

Maior partido da base, o PSDB tem quatro ministros no governo: Bruno Araújo, (Cidades), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

O líder do partido na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP) anunciou também que o partido aguarda a quebra de sigilo das investigações e defende que os ministros deixem os cargos caso as denúncias se confirmem. "Se investigações tiverrem prosseguimento, a bancada federal do PSDB soliciata aos minsitros do PSDB que saiam do governo", afirmou. "É um momento difícil, mas de enfrentamento", completou.

Neste caso, a legenda defende eleições indiretas. O partido manteve o apoio às reformas trabalhista e da Previdência.

Aécio foi o principal fiador da união entre PSDB e PMDB desde o começo do governo Temer, após a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff no ano passado.

Nesta quinta, Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu afastar o senador do cargo. Relator da Lava Jato, o ministro Edson Fachin, negou, contudo pedido de prisão do tucano feito pela Procuradoria-Geral da República.

Nos bastidores, a avaliação é que o desembarque é o "fim do governo Temer". A saída foi discutida já em reunião de integrantes do partido na noite de ontem com o ministro Imbassahy.

Debandada

Outros partidos da base também avaliam deixar o governo. No PPS, os ministros da Cultura, Roberto Freire, e da Defesa, Raul Jungmann, estudam entregar os cargos. A decisão da legenda deve ser tomada ainda hoje. O líder do partido na Câmara, Arnaldo Jordy (PA) defendeu a renúncia de Temer.

No PSB, que já se posicionou contra as reformas trabalhista e da Previdência, a delação da JBS também reforçou o sentimento pelo desembarque. Nesta quinta, o presidente da legenda, Carlos Siqueira, defendeu que o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, entregue o cargo. O partido se reúne nesta sexta-feira.

Entenda a Operação Lava Jato

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