POLÍTICA

A explicação de Temer para a frase 'tem que manter isso aí' 

Temer: 'O que eu iria dizer? Que não?' 🤔

18/05/2017 12:55 -03 | Atualizado 18/05/2017 12:55 -03
EVARISTO SA via Getty Images

"Tem que manter isso aí", disse o presidente Michel Temer a Joesley Batista, da JBS.

"Isso aí" é a mesada milionária de R$ 500 mil semanais por 20 anos, totalizando R$ 480 milhões, que a JBS acertou como pagamento pelo silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Aos seus aliados, o presidente afirmou o contexto da afirmação.

De acordo com o Estadão, Temer disse que a família de Cunha estava passando por problemas financeiros.

"'O presidente disse que ele (Joesley) veio falar de problemas e a certa altura mudou o tema e falou que Cunha estava passando por dificuldades'", afirmou um interlocutor ao Estadão.

O jornal continua: "Segundo essa fonte, Temer afirmou então: 'Ai eu disse, tudo bem, faça isso, o que eu iria dizer? Que não? Não cabia, não podia, não tinha nada para falar', justificou Temer aos aliados".

Na quarta-feira (17), em nota, Temer afirmou que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha". Disse ainda que "não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

Temer confirmou o encontro que o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu. "Mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República", emenda a nota de defesa do presidente.

"O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados", finaliza a nota.

O caso

Joesley e o irmão Wesley entregaram ao STF gravações nas quais mostram o presidente dando aval para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A informação foi divulgada em primeira mão pelo jornal O Globo na noite de quarta-feira.

"Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: 'Tem que manter isso, viu?'", diz trecho da reportagem.

O então presidente do PSDB e senador afastado Aécio Neves (MG) também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro, segundo o empresário, foi depositado em uma empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

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