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É hora de mover um processo de impeachment contra Donald Trump, diz democrata na Câmara

“Ninguém está acima da lei”, falou o deputado Al Green (democrata do Texas). “Isso inclui o presidente dos Estados Unidos.”

17/05/2017 21:37 -03 | Atualizado 18/05/2017 10:41 -03

WASHINGTON ― O deputado Al Green (democrata do Texas), em discurso feito na Câmara de Deputados nesta quarta-feira (17), pediu o impeachment do presidente Donald Trump.

"Me levanto hoje, sr. Presidente da Câmara, para pedir a abertura de processo de impeachment do presidente dos Estados Unidos da América por obstrução da justiça", disse Green, abrindo um discurso proferido em tom de sermão.

"Não o faço com finalidade política", ele prosseguiu. "O faço porque, sr. Presidente da Câmara, existe neste país a ideia de que ninguém está acima da lei. E isso inclui o presidente dos Estados Unidos da América. Sr. Presidente da Câmara, nossa democracia está em risco."

Trump está em maus lençóis por, entre outras coisas, ter demitido o diretor do FBI, James Comey, que estava investigando a campanha de Trump e seus vínculos potenciais com autoridades russas que interferiram na eleição do ano passado de modo a ajudar Trump a vencer. Além disso, notícias explosivas veiculadas pela mídia noticiosa esta semana revelaram que Trump compartilhou informações altamente sigilosas com representantes russos durante visita deles ao Salão Oval, na semana passada, e que ele havia previamente pedido a Comey que parasse de investigar a ele [Trump] e sua equipe.

Os detalhes sobre essa última acusação ainda não estão claros, mas parlamentares de ambos os partidos já disseram que, se a acusação tiver fundamento, o fato constitui obstrução de justiça, uma acusação que justificaria a abertura de um processo de impeachment. Al Green diz que é hora de dar início ao processo.

"É preciso pedir o impeachment do presidente", disse Green. "O impeachment não significa que o presidente seja condenado. Quer dizer apenas que a Câmara dos Deputados acusará o presidente. É semelhante a um indiciamento. Então o Senado pode promover um julgamento para determinar a culpa ou inocência do presidente."

O deputado democrata texano citou o nome de um site na internet, impeachdonaldtrumpnow.org, e exortou as pessoas a assinarem um abaixo-assinado dizendo que concordam que é hora de iniciar um processo de impeachment. Em última análise, ele disse, é o público quem vai decidir se haverá impeachment.

"Sou uma voz no deserto", falou Green, já aos gritos. "Mas garanto a vocês que a história mostrará que tenho razão. Asseguro a vocês que mentira alguma pode se manter para sempre."

Seu discurso dramático foi encerrado por um aviso do deputado que comandava os procedimentos da Câmara: "Lembramos aos deputados que evitem fazer críticas ofensivas ao presidente, como acusá-lo de ter cometido um delito que justificaria o impeachment".

Green não é o primeiro parlamentar a aventar a possibilidade de um processo de impeachment contra Trump. Pelo menos 16 deputados democratas já falaram disso, e na quarta-feira o deputado republicano Justin Amash, do Michigan, disse que, se as alegações contidas no memorando de Comey forem verídicas, constituem base para o impeachment. E o deputado republicano Carlos Curbelo, da Flórida, disse na CNN na noite de terça-feira que a situação descrita nos memorandos parece séria e "poderia ser interpretada como obstrução de justiça", algo que, tradicionalmente, tem sido considerado um delito que justifica o impeachment de presidentes dos Estados Unidos.

No Senado, o democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, aventou a hipótese de impeachment, e o senador independente Angus King, do Maine, falou que o Congresso está se aproximando de outro processo de impeachment.

King disse ao jornalista Wolf Blitzer, da CNN, na terça-feira: "Com relutância, Wolf, sou obrigado a dizer sim, simplesmente porque obstrução de justiça é um delito tão grave. E digo isso com tristeza e relutância. Isso não é algo que eu tenha defendido. Não proferi a palavra impeachment nestes turbulentos três meses ou mais."

Este artigo foi atualizado com declarações do deputado Carlos Curbelo.

Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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