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Eleanor Coppola sobre ser diretora aos 80 anos: 'Me frustrei por não ter tido tempo de perseguir meus interesses'

"Eu sou a dona de casa que de repente decidiu que vai escrever um filme e dirigi-lo. Foi aterrorizante, mas parte do desafio foi cortar todos os meus medos."

16/05/2017 19:02 -03 | Atualizado 16/05/2017 19:20 -03
Axelle/Bauer-Griffin via Getty Images
Eleanor Coppola vai lançar um filme aos 81 anos.

Eleanor Coppola carrega referências do cinema em seu nome. Além disso, tem uma robusta trajetória como diretora de documentários e curta metragens. Agora, aos 81 anos, ela está prestes a lançar o seu primeiro longa de ficção.

Em 2009, quando tinha 72 anos, Eleanor acompanhava o seu marido, o também diretor Francis Ford Coppola, ao Festival de Cannes.

No caminho, ela não se sentiu muito bem e decidiu ficar para trás para se recuperar. A decisão lhe rendeu uma viagem de volta à Paris, e o que era para ser uma carona de 3 horas em um carro se tornou 3 dias de muito vinho e cenas de tirar o fôlego.

"Foi apenas uma daquelas experiências que você só pode ter na França, e isso me impressionou. Eu estava contando a uma amiga sobre isso quando eu voltei, e ela disse, 'Esse é um filme que eu quero ver', compartilhou em entrevista ao site americano The Hollywood Reporter.

Nascia Paris pode esperar, cuja estreia está prevista para 8 de junho no Brasil.

O longa conta a história de Anne (Diane Lane), que é casada com um bem-sucedido, porém ausente, produtor de Hollywood, Michael (Alec Baldwin). Durante uma viagem de carro entre Cannes e Paris com o sócio do marido, Jacques (Arnaud Viard), Anne vive momentos de descobertas e autoconhecimento.

"Eu sou esta dona de casa que de repente decidiu que ela vai escrever um filme e realmente dirigi-lo. Foi aterrorizante, mas parte do desafio foi cortar todos os meus medos e apenas faze-lo", explicou a diretora.

A carreira de Coppola tem seguido uma trajetória não-linear.

Criada em Orange County por uma dona de casa e um cartunista, ela estudou na UCLA e conheceu o seu marido, Francis, enquanto era assistente do diretor no filme Dementia 13.

Pouco depois de casados, o casal engravidou do primogênito Gian-Carlo. E foi ai que a vida de Eleanor se transformou. Mãe jovem, o trabalho ficou em segundo plano enquanto cuidava da família.

"Cresci nos anos 1940 e 1950, quando o papel da mulher era apoiar o marido e cuidar da casa para ele. Eu me sentia frustrada por não ter tido muito tempo de ir atrás dos meus interesses. As jovens de hoje não entendem esse conceito. Minha filha, a geração dela, e gerações depois da dela não dão valor ao fato de que vão [poder] fazer qualquer coisa que seja seu chamado", explicou Coppola.

Dividida entre casa e crianças, ela ainda encontrou formas de dar vasão a sua criatividade.

Em 1979 ela escreveu as notas do making off de Apocalypse Now, que depois deu origem ao documentário Francis Ford Coppola – O Apocalipse de um Cineasta (1991).

Ela dirigiu outros documentários. E, não à toa, todos os seus filhos seguiram na carreira cinematográfica.

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