POLÍTICA

Nem a lista do Fachin vai impedir esses políticos nas urnas em 2018

Enrolados na Lava Jato, deputados puxadores de voto vão tentar cargos na Câmara, Senado e governo estadual.

15/05/2017 13:02 -03 | Atualizado 15/05/2017 13:03 -03
Montagem / Facebook
Deputados federais investigados na Operação Lava Jato e com intenção de disputar as eleições de 2018: Daniel Vilela (PMDB-GO), Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Celso Russomano (PRB-SP) e Zeca do PT (PT-MS).

Dos cinco deputados federais puxadores de voto citados na lista do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo menos quatro pretendem disputar cargos nas urnas em 2018.

As acusações contra eles, no âmbito da Operação Lava Jato, são de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois.

Chamados "puxadores de voto", esses candidatos são determinantes para a coligação em que estão nas eleições eleições proporcionais (para deputado federal, estadual e vereadores). Isso porque eles ajudam a eleger outros nomes, que tiveram menos apoio popular.

Futuro governador?

Acusado de falsidade ideológica eleitoral, Daniel Vilela (PMDB-GO) quer conquistar o governo de Goiás. Em evento na cidade de Pontalina, no início de abril, ele afirmou que o governo atual "denunciado por corrupção e focado unicamente no marketing, perdeu há tempos a vontade e a capacidade de atender as necessidades das pessoas".

Estamos elaborando um projeto para o Estado com pé no chão, focado em resultados e sem espaço para esta política do compadrio que ocorre hoje. Goiás viverá uma grande mudança em 2018. Podem anotar!

Ouvimos hoje os amigos de Pontalina e municípios vizinhos sobre o que anseiam para Goiás nos próximos anos. Uma unanimidade: esse governo, denunciado por corrupção e focado unicamente no marketing, perdeu há tempos a vontade e a capacidade de atender as necessidades das pessoas. O resultado são escândalos seguidos, a insegurança num nível que permite até arrastões dentro de escolas, saúde precária, dentre outros problemas. Agora tentam cooptar prefeitos para as próximas eleições com promessas de investimentos fantasiosos, cujos números mudam ao sabor do vento e nunca sairão do papel. Da nossa parte, estamos elaborando um projeto para o Estado com pé no chão, focado em resultados e sem espaço para esta política do compadrio que ocorre hoje. Goiás viverá uma grande mudança em 2018. Podem anotar!

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Na agenda do peemedebista nas últimas semanas, está um roteiro intenso divulgado nas redes sociais, que passa pelo municípios de Jandaia, São Luís de Montes Belos, Caiapônia, Doverlândia, entre outras.

Em Brasília, por sua vez, ele tem recebido lideranças do partido, vereadores, secretários e prefeitos, em busca de recursos. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, por exemplo, voltou para casa com a promessa do ministro do Esporte, Leonardo Picciani, de construção de um ginásio e ampliação do estádio Annibal de Toledo.

Eleito com 179.214 votos em 2014, Vilela teve o segundo melhor resultado para deputado federal no estado, atrás do, Delegado Waldir (PSDB), que obteve 274.625 votos. Os dois foram os únicos que atingiram o quociente eleitoral para se elegerem sozinhos.

O peemedebista foi responsável por garantir a vaga de outros dois deputados da coligação: Lucas Vergílio (SD) e Pedro Chaves (PMDB).

Em seu primeiro mandato na Câmara, Vilela foi presidente da comissão da reforma trabalhista. Aos 33 anos, o pré-candidato constrói a campanha com a ideia de renovação na política.

Na lista de Fachin, ele é alvo de um inquérito junto com o pai, Luís Alberto Maguito Vilela, prefeito de Aparecida de Goiânia entre 2012 e 2014. De acordo com delatores da Odebrecht, a empresa doou R$ 500 mil não contabilizados à campanha, em troca de favorecimento da empreiteira na área de saneamento básico.

Em 2014, Maguito Vilela teria solicitado doação para a campanha do filho. Em troca, manteria a regularidade da execução dos contratos com a empreiteira. Nessa época, foi feito um repasse de R$ 1 milhão, de acordo com as investigações. Daniel é acusado de caixa dois.

A família nega conhecer os delatores e afirma que as campanhas de ambos "foram feitas inteiramente com recursos contabilizados conforme determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aprovadas pela referida corte".

Reeleição

Presidente da comissão da reforma política e irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima - que deixou o governo após escândalo envolvendo apartamento de luxo em Salvador - o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) também está de olho na reeleição.

Em 2014, o peemedebista foi o deputado baiano que conquistou melhor resultado nas urnas, com 222.164 votos.

Na Lava Jato, Lúcio é acusado de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro, no mesmo inquérito que cita o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e seu antecessor no cargo, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Delatores afirmaram que a Odebrecht efetuou pagamento de vantagem indevida para obter aprovação de legislação favorável aos interesses da companhia. Conhecido pelo apelido de "Bitelo", o deputado teria recebido R$ 1 milhão. Lúcio não comentou a acusação.

Sucesso nas urnas

Acusado de caixa dois, Celso Russomano (PRB-SP) pretende continuar na Câmara dos Deputados em 2019. Nas últimas eleições, ele conquistou 1.524.361 votos, melhor desempenho em São Paulo e no País. Ele ajudou a eleger outros sete federais, sendo cinco deles com votação menor do que a de concorrentes que não foram eleitos.

Em delação, executivos da Odebrecht afirmaram ter repassado R$ 50 mil para uma suposta campanha à Câmara em 2010. Naquele ano, no entanto, Russomano concorreu ao governo do estado de São Paulo. O deputado afirma que todas as contas eleitorais foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

De olho no Senado

Deputado federal mais votado em Mato Grosso do Sul, com 160.556 votos, Zeca do PT é pré-candidato ao Senado Federal em 2018. No estado, foi governador por dois mandatos.

Na lista de Fachin, responde por corrupção ativa, passiva e por lavagem de dinheiro. De acordo com delatores, o petista teria recebido R$ 400 mil da Odebrecht na campanha de 2006 ao governo do estado.

Ao final das negociações, os valores teriam sido repassados em favor do senador Delcídio do Amaral, que, após desistência de Zeca, acabou sendo o candidato do PT ao governo do Mato Grosso do Sul naquele ano.

O deputado afirma que nunca recebeu doação da empresa citada e que nunca teve relação alguma, pessoal ou política com o grupo.

Quinto deputado federal paulista com mais votos nas últimas eleições, Rodrigo Garcia (DEM) afirmou, em nota à reportagem, que considera "prematura qualquer definição sobre as eleições do próximo ano".

Ele está licenciado do cargo na Câmara e atua como secretário da Habitação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Delatores da Odebrecht na Lava Jato afirmam ter repassado recursos por meio de caixa dois para campanha do tucano à Câmara em 2010. O secretário classificou a acusação como "descabida" e afirmou que jamais se reuniu "com qualquer pessoa para tratar desse tipo de assunto" nem autorizou "que ninguém recebesse recursos ilícitos" em seu nome.

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